Andreza Matais, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira,
22, a Operação Acarajé – 23ª fase da Operação Lava Jato -, que tem como alvo
central o marqueteiro João Santana, das campanhas do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, que teve decretado um mandado de
prisão temporária contra ele. A Justiça também decretou a prisão temporária de
sua mulher e sócia, Mônica Moura.
O alvo são os pagamentos feitos pela construtora
Norberto Odebrecht para Santana no exterior que somam cerca de US$ 3 milhões. A
PF cumpre 51 mandados decretados pelo juiz federal Sérgio Moro. São duas
prisões preventivas e seis temporárias.
Foram presos o operador de propinas Zwi Skornicki e
estão em andamento buscas e apreensões ainda na Odebrecht. Santana não foi
preso, pois está na República Dominicana, onde trabalha na campanha à reeleição
do presidente do país.
São feitas buscas e prisões na Bahia (Salvador e
Camaçari), Rio de Janeiro (Rio, Petrópolis, Angra dos Reis e Mangaratiba) e São
Paulo (São Paulo, Campinas e Poá).
Segundo a PF, são três grupos alvos: o da Odebrecht
(empresarial) responsável pelos pagamentos, o do operador de propinas, Zwi
Skornicki, e o recebedor, envolvendo os negócios do marqueteiro do PT.
O nome da operação, Acarajé, é uma alusão ao
apelido usado pelos alvos para designar dinheiro.
Investigação - O inquérito
investiga supostos pagamentos de R$ 7 milhões ao marqueteiro pela Odebrecht em
paraísos fiscais. Na última década, o publicitário se dedicou no Brasil a
campanhas do PT. A Polis Propaganda e Marketing assinou as campanhas do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006 e da presidente Dilma Rousseff,
em 2010 e 2014. O publicitário está fora do País.
A Lava Jato chegou a João Santana por meio de
anotações encontradas no aparelho celular de Marcelo Odebrecht, preso desde
junho do ano passado, na 14ª fase da Lava Jato. Na mensagem a um executivo da
empresa, Marcelo alerta: “Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela”. A
partir de então, foram instauradas investigações para rastrear contas no
exterior que teriam Santana como destinatário final do dinheiro.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores
foi um documento manuscrito enviado por Mônica Moura, mulher e sócia do
marqueteiro, ao consultor Zwi Skornicki que apontou duas contas, uma nos
Estados Unidos e outra na Inglaterra. O consultor é representante da Keppel
Fels, estaleiro de Cingapura que prestou serviços à Petrobrás e seria o
operador da propina paga pela empresa no país. A Keppel Fels firmou contratos com
a Petrobrás entre 2003 e 2009 no valor de US$ 6 bilhões.
Em despacho na semana passada, o juiz Sérgio Mouro
negou pedido dos advogados de João Santana para ter acesso às investigações
justificando que o rastreamento financeiro demanda sigilo, sob risco de
dissipação dos registros ou dos ativos. “Como diz o ditado, o dinheiro tem
‘coração de coelho e patas de lebre’”, escreveu o magistrado.
No sábado, os criminalistas Fábio Tofic Simantob e
Débora Gonçalves Perez, informaram ao juiz Sérgio Mouro que seus clientes
estavam à disposição dele “para prestar todos os esclarecimentos necessários à
descoberta da verdade” e que ouvi-los em caráter preliminar poderia “evitar
conclusões precipitadas e prevenir danos irreparáveis que costumam se seguir a
elas, mormente porque neste caso os prejuízos extrapolariam o conturbado
cenário político brasileiro, pois os peticionários estão hoje incumbidos da
campanha de reeleição do Presidente Danilo Medina, da República Dominicana”.
Os advogados também afirmaram que a Lava Jato “foge
completamente ao perfil de investigados que não são nem nunca foram
funcionários públicos; não são nem nunca foram empresários com contratos com o
poder público; não são nem nunca foram operadores de propina ou lobistas.”
Segundo o advogado, Santana e a mulher são “jornalistas e publicitários de
formação” de renome internacional no marketing político. “Cada centavo que
receberam na vida sendo fruto exclusivo de seu trabalho absolutamente lícito.”
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT: “A Odebrecht confirma operação da Polícia Federal em escritórios de São
Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, para o cumprimento de mandados de busca e
apreensão. A empresa está à disposição das autoridades para colaborar com a
operação em andamento.”
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