João
Baptista Herkenhoff *
Na semana em que este artigo está sendo publicado,
duas datas merecem reverência: 24 de fevereiro, Dia da Conquista do Voto
Feminino no Brasil; 27 de fevereiro, Dia Nacional do Idoso. Somente a
Constituição Federal de 1946 veio a consagrar, expressamente, a absoluta
igualdade de homens e mulheres, em matéria de direitos eleitorais.
A Constituição Brasileira de 1891, bem
interpretada, já assegurava às mulheres o direito de votar, pois não
estabelecia embaraços ao exercício do voto feminino. Entretanto, a
interpretação correta só foi alcançada graças ao mandado de segurança impetrado
por Mietta Santiago, uma jovem de 20 anos que não se conformou com a barreira
imposta a seu direito de votar. Graças a sua atitude, essa admirável mulher foi
homenageada por Carlos Drummond de Andrade:
“Mietta Santiago
loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz, direito de votar e ser votada para vereador, deputado, senador, e até Presidente da República.
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?”
loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz, direito de votar e ser votada para vereador, deputado, senador, e até Presidente da República.
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?”
Poetas têm mesmo a capacidade de profetizar.
Drummond previu mulher na Presidência da República. Aí está Dilma Rousseff.
Ainda há muitos aprimoramentos a realizar no processo eleitoral. Mas, como diz
o provérbio, Roma não se fez em um dia.
Quanto aos idosos, o calendário é pródigo na
lembrança que lhes é devida. Em 27 de setembro temos o Dia Internacional do
Idoso. E a primeiro de outubro, o Dia Internacional de Pessoas da Melhor Idade.
Quando se tem boa saúde e segurança, a Terceira Idade é mesmo a melhor. Poder
olhar para trás e contemplar a vida. Testemunhar, na própria pele, a sucessão
das gerações. Abençoar os netos que são os filhos multiplicados.
Para Alceu de Amoroso Lima a velhice começava aos
65 anos. Não era uma idade de descida, decrepitude, mas uma idade de ascensão,
colheita de frutos, aperfeiçoamento, sublimação, vôo. Alceu experimentou a
velhice que desenhou em As idades do homem. Coerente até o fim. Lúcido.
Corajoso. Intrépido mesmo. Nos seus artigos e palestras enfrentou, de peito
aberto, a ditadura instaurada no Brasil em 1964. A viuvez, que poderia ter sido
dolorosa e triste, ele soube sublimar. Lia toda manhã uma das cartas de sua
mulher. Somente uma. Nunca mais de uma. Era a fruta saborosa daquele dia.
A título de glosa diz-se, como vantagem de ser
idoso: ter a certeza de que os investimentos em plano de saúde finalmente
começam a valer a pena.
Impõe-se que haja, no Brasil, uma “Política da
Terceira Idade”, ou seja, um conjunto de medidas que tenham como fim
proporcionar saúde, bem-estar, alegria e segurança aos idosos.
* Juiz de Direito aposentado, 79 anos,
professor, escritor, um dos fundadores e primeiro presidente (1976) da Comissão
de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória.
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