segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Caneta sem tinta

 


Ao contrário de “Ilha do Amor”, São Luís, capital do Maranhão, é mesmo é a verdadeira “Ilha da Fantasia”. Aqui acontecem coisas que até botafoguenses duvidam, partidários de que existem coisas que só acontecem com o Botafogo.

Dia desses, lemos em alguma rede social, um comentário que chamamos de infeliz e inoportuno, assinado por alguém que poderia até estar usando pseudônimo. O comentarista, a guisa de dar um aviso, postou: “... Sarney joga xadrez”!

Pode até ser, mas já está jogando sozinho. Derrubou o bispo e o cavalo e caminha para dar xeque-mate em si próprio. Ou então, fez como o pombo: derrubou as peças, cagou no tabuleiro e estufou o peito para sair voando.

Por outro lado, há quem assegure (pode até ser mais um sonho) que a mudança da família Cutrim par o palanque do virtual e provável governador, Flávio Dino, seria a certeza de que a eleição está perdida para a família Sarney, e essa atitude já seria uma garantia de que alguns não ficariam órfãos. Pode ser.

Agora – poucos nesta Ilha da Fantasia sabem disso melhor que eu -, partindo do princípio que a sarneyzada não tem amigos, mas pretensos serviçais que descarta quando convém e quando esses já não servem mais, o que não se entendeu foi, no primeiro ato da peça teatral, a entrada em cena do personagem Luiz Fernando, na verdade, o real Prefeito de São José de Ribamar. Por que não foi, por exemplo, Bia Venâncio?

Ora, porque no atual cenário político, Bia Venâncio e nada é a mesma coisa. A ação só teria o impacto que teve, se fosse alguém que chamasse a atenção da mídia. E teve. E chamou.

E aí, com algum efeito retardado, estoura a bomba (apenas para Edinho Lobão, pois, para nós, o motivo da denúncia é mais antigo que a posição de “jogar barro fora”) dando conta de que, utilizando prerrogativas de Presidente do TCE, Edmar Cutrim, estaria achacando votos e apoio de prefeitos municipais ao filho (Glaubert) candidato, e, de leve, também em favor do candidato ao Governo do Estado, Flávio Dino.

Para quem não tem miolo de cor ocre, a denúncia sugere uma pergunta: quer dizer que, agora, somente agora, Edmar Cutrim estaria usando o cargo para chantagear prefeitos e garantir votos? E antes?

Pois façam a matemática certa e vejam quanto tempo faz que Edmar está à frente do TCE, onde, inclusive, mandou pregar de forma irregular, uma placa acintosa com o nome de Roseana Sarney. Não foi a Justiça maranhense que determinou a retirada. Foi a Constituição brasileira.

Correm boatos jocosos na cidade dando conta de uma rápida reunião entre Edmar Cutrim e José Sarney. Esses boatos dão conta, também, de uma ameaça que o longevo donatário teria feito a Edmar, nos seguintes termos:

- Edmar, o que você fez é inaceitável. Não esqueça que, com uma canetada, eu posso repor as coisas nos devidos lugares.

Ao que Edmar Cutrim teria reagido com impagável humor, digno do Vampiro Brasileiro (Bento Carneiro), personagem de Chico Anysio:

- “Presidente”, a sua caneta não tem mais tinta!

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