Agricultura familiar dá o alimento e mantém a dignidade
do homem.
Bem próximos de nós, separado apenas pelo Piauí, o
Ceará também viveu, no passado, algo parecido com o que o Maranhão – espera-se!
– acabou de se livrar. Foram quase 50 anos de desserviço ou, como se costuma
dizer nos sertões brasileiros, convivendo com a política de dez pra mim e um
pra ti, ou, em quase todos os momentos, a velha política do compadrio.
Deixando de lado o que muitos já sabem – e outros não
querem saber porque sempre se beneficiaram – seria bom que passássemos a cuidar
de efetuar as necessárias mudanças que tanto defendemos e que, para elas
acontecerem, elegemos no último dia 5, o agora Governador Flávio Dino de Castro e Costa, maranhense de
São Luís, nascido no dia 30 de abril de 1968 e filho de Rita Maria e Sálvio
Dino.
Ex-aluno do Colégio Marista e do curso de Direito da
UFMA (Universidade Federal do Maranhão). Dino exerceu o cargo de juiz
federal no Maranhão por 15 anos, tendo abandonado a carreira profissional em
2006 para ingressar na vida política, se filiando ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). É
casado e pai de dois filhos. Antes de ingressar na política, exerceu os cargos
de secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça, presidente da Associação
dos Juízes Federais do Brasil e assessor da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) na
gestão de Nelson Jobim. Flávio Dino foi diretor da Escola de Direito de Brasília do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público. É ex-presidente do Instituto
Brasileiro de Turismo (Embratur),
cargo que ocupou até março de 2014, devido à sua pré-candidatura ao governo do
estado do Maranhão. No último dia 5, foi eleito Governador
do Maranhão com 63,52% dos votos
válidos.
Só algum
tolo pode imaginar que todos os problemas que atormentam a vida do povo
maranhense – incluindo as posições ocupadas nas estatísticas oficiais – serão
resolvidos por Flávio Dino e, em apenas quatro anos de mandato. Entretanto, com
certeza, a eleição dele serviu para cortar definitivamente o cordão umbilical
que alimentou a ineficácia, a humilhação e o atraso que o Estado está enterrado
nos dias atuais.
Como
sugestão e para servir de exemplo, fomos buscar o que aconteceu no vizinho
estado do Ceará – também algemado a uma estrutura de compadrio e favorecimento
a uma minoria por várias décadas – quando os cearenses abriram os olhos e
elegeram para governar o Estado, Luiz Gonzaga Fonseca Mota que, reconheça-se,
não operou nenhum milagre. Apenas foi o estilete que rompeu a política de
favorecimento de uma minoria que sempre viveu em guerra para continuar no
comando, e abriu as portas do Estado para o crescimento.
Quase tudo
que o maranhense consome, em termos de alimento, vem do Ceará, cuja natureza
castiga e não tem sequer 20% das águas e das chuvas que caem todos os anos no
solo fértil do Maranhão. Isso tem um nome: trabalho!
E, assim
como aconteceu no Ceará, a eleição do ex-Juiz Federal e ex-Deputado Federal
Flávio Dino encheu de esperanças o povo maranhense. Durante anos, os eleitos
que nunca passaram de serviçais da família Sarney preferiram ver com outros
olhos – os olhos do descompromisso – a realidade maranhense.
Cabe ao
Governador eleito, agora, circuncisar o atraso das entranhas deste Estado tão
rico e eternamente beijado pela Natureza. Ora, pode até não ser verdade, mas
sempre se disse que as terras maranhenses são de uma riqueza inigualável para a
agricultura – e não se entende porque a agricultura foi relegada a um plano de
inexistência. Até banana o Maranhão importa de São Benedito, interior serrano
do Ceará, onde a água e a chuvas são tratadas como presentes divinos.
É
inconcebível o tratamento que a formação superior feita pela UEMA (Universidade
Estadual do Maranhão) para o curso de Agronomia sempre recebeu do “desgoverno”
maranhense ao longo de décadas.
Da mesma
forma, assim como as terras férteis usadas apenas para o agronegócio – que não
serve nem atende às famílias maranhenses que aqui residem e provoca desemprego,
sugerindo um forçado êxodo para os canaviais do sudeste – não se concebe nem se
aceita o tratamento que esse mesmo Governo sempre deu à piscicultura com
investimento oficial zero, ainda que, saiba-se ter o Maranhão a maior costa
brasileira. Isso só pode ser entendido como maldade.
O governo
maranhense sempre se vangloriou de possuir uma notória e respeitada “fábrica de
barcos”, enquanto faz tudo para que se esqueça o investimento inadequado feito
no Terminal Pesqueiro de Porto Grande ou, ainda, a bagunça bancada com o
auxílio da Copama para o financiamento e compra de barcos. Uma vergonha que até
hoje tem decisões jogadas nas gavetas da Justiça. Em algum lugar sério isso
seria caso de cadeia.
Nenhum estado
do Nordeste tem a quantidade de rios perenes e piscosos que se iguale ao
Maranhão. Mas o pescado não atende ao consumo interno. Isso sem contar um
problema gravíssimo que se avizinha: o assoreamento do Rio Itapecuru, que é o
principal manancial aquífero do Estado. Se não houver uma atuação profissional,
em poucos anos o Rio Itapecuru sequer fornecerá água para o consumo na capital.
Para mudar
essa realidade, cansado, o povo do Maranhão tirou a fórceps o comando do Estado
das mãos dos Sarney. Já o fizera, antes, quando elegeu Jackson Lago e não foi
respeitado – violentado na sua decisão soberana por conta de apaniguados – mas
resolveu, agora, dar xeque mate. Elegeu Flávio Dino para perpetrar a mudança na
direção da conquista da dignidade.
Agora,
nestes dias, Flávio Dino, eleito pela soberana e esmagadora vontade popular,
rabisca o croquis do que será sua equipe de governo. Ninguém será petulante a
ponto de pretender indicar esse ou aquele secretário – esse é um privilégio de
quem vai trabalhar junto por – pelo menos – quatro anos.
Mas,
esquecer na equipe pessoas e profissionais capazes de alavancar os setores da
agricultura familiar e da piscicultura, é atravancar a esperança da conquista
da dignidade do maranhense. É não mudar nada. Quando o Governo investe na
agricultura familiar, está ferindo de morte o ócio, a preguiça e principalmente
fortalecendo o componente social importante do combate a violência urbana. A
agricultura familiar, além de manter o homem no campo e fortalecer o prazer do
cultivo da terra produzindo o alimento da família, bloqueia e diminui o êxodo
rural para formar bolsões de miséria na capital ou nas grandes cidades. E os
bolsões de miséria são reforços significativos ao tráfico de drogas, ao
desemprego que facilita o acesso a ações da disseminação da violência.
Por que os
Sarney deixaram – durante o vilipêndio e da hereditariedade das capitanias
maranhenses que sempre entenderam como suas – a agricultura fora de qualquer
plano de governo? Existem terras mais férteis para a agricultura que as
maranhenses?
Assim,
nessa composição do secretariado o novo Governador Flávio Dino cometerá pecado
imperdoável e ferirá de morte a vontade popular de mudança se, antes, pensar
apenas em atender às parcerias de última hora. É idiotice deixar a UEMA fora
desse processo de composição nessas duas áreas importantes para a libertação
definitiva do povo maranhense, eminentemente vivenciado com a agricultura. É
inaceitável continuarmos comendo frutas, legumes e cereais vindos de outros
estados, principalmente tendo as terras agricultáveis que temos.
O
agronegócio não resolve a situação do povo maranhense. Atende apenas a umas
duas dúzias de investidores. O que resolve a situação maranhense é o
fortalecimento da agricultura familiar – e o secretário dessa pasta não pode
ser qualquer um ou apenas aquele que mudou de partido em cima da hora e ajudou
na eleição por puro interesse pessoal. Tem que ser um técnico com conhecimento
real das necessidades e da competência e qualidade das terras maranhenses.
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