segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Para mudar o Maranhão não precisa mágica – só trabalho!

 


Agricultura familiar dá o alimento e mantém a dignidade do homem.

 

Bem próximos de nós, separado apenas pelo Piauí, o Ceará também viveu, no passado, algo parecido com o que o Maranhão – espera-se! – acabou de se livrar. Foram quase 50 anos de desserviço ou, como se costuma dizer nos sertões brasileiros, convivendo com a política de dez pra mim e um pra ti, ou, em quase todos os momentos, a velha política do compadrio.

Deixando de lado o que muitos já sabem – e outros não querem saber porque sempre se beneficiaram – seria bom que passássemos a cuidar de efetuar as necessárias mudanças que tanto defendemos e que, para elas acontecerem, elegemos no último dia 5, o agora Governador  Flávio Dino de Castro e Costa, maranhense de São Luís, nascido no dia 30 de abril de 1968 e filho de Rita Maria e Sálvio Dino.

Ex-aluno do Colégio Marista e do curso de Direito da UFMA (Universidade Federal do Maranhão). Dino exerceu o cargo de juiz federal no Maranhão por 15 anos, tendo abandonado a carreira profissional em 2006 para ingressar na vida política, se filiando ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). É casado e pai de dois filhos. Antes de ingressar na política, exerceu os cargos de secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil e assessor da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) na gestão de Nelson Jobim.[] Flávio Dino foi diretor da Escola de Direito de Brasília do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público. É ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), cargo que ocupou até março de 2014, devido à sua pré-candidatura ao governo do estado do Maranhão. No último dia 5, foi eleito Governador do Maranhão com 63,52% dos votos válidos.

Só algum tolo pode imaginar que todos os problemas que atormentam a vida do povo maranhense – incluindo as posições ocupadas nas estatísticas oficiais – serão resolvidos por Flávio Dino e, em apenas quatro anos de mandato. Entretanto, com certeza, a eleição dele serviu para cortar definitivamente o cordão umbilical que alimentou a ineficácia, a humilhação e o atraso que o Estado está enterrado nos dias atuais.

Como sugestão e para servir de exemplo, fomos buscar o que aconteceu no vizinho estado do Ceará – também algemado a uma estrutura de compadrio e favorecimento a uma minoria por várias décadas – quando os cearenses abriram os olhos e elegeram para governar o Estado, Luiz Gonzaga Fonseca Mota que, reconheça-se, não operou nenhum milagre. Apenas foi o estilete que rompeu a política de favorecimento de uma minoria que sempre viveu em guerra para continuar no comando, e abriu as portas do Estado para o crescimento.

Quase tudo que o maranhense consome, em termos de alimento, vem do Ceará, cuja natureza castiga e não tem sequer 20% das águas e das chuvas que caem todos os anos no solo fértil do Maranhão. Isso tem um nome: trabalho!

E, assim como aconteceu no Ceará, a eleição do ex-Juiz Federal e ex-Deputado Federal Flávio Dino encheu de esperanças o povo maranhense. Durante anos, os eleitos que nunca passaram de serviçais da família Sarney preferiram ver com outros olhos – os olhos do descompromisso – a realidade maranhense.

Cabe ao Governador eleito, agora, circuncisar o atraso das entranhas deste Estado tão rico e eternamente beijado pela Natureza. Ora, pode até não ser verdade, mas sempre se disse que as terras maranhenses são de uma riqueza inigualável para a agricultura – e não se entende porque a agricultura foi relegada a um plano de inexistência. Até banana o Maranhão importa de São Benedito, interior serrano do Ceará, onde a água e a chuvas são tratadas como presentes divinos.

É inconcebível o tratamento que a formação superior feita pela UEMA (Universidade Estadual do Maranhão) para o curso de Agronomia sempre recebeu do “desgoverno” maranhense ao longo de décadas.

Da mesma forma, assim como as terras férteis usadas apenas para o agronegócio – que não serve nem atende às famílias maranhenses que aqui residem e provoca desemprego, sugerindo um forçado êxodo para os canaviais do sudeste – não se concebe nem se aceita o tratamento que esse mesmo Governo sempre deu à piscicultura com investimento oficial zero, ainda que, saiba-se ter o Maranhão a maior costa brasileira. Isso só pode ser entendido como maldade.

O governo maranhense sempre se vangloriou de possuir uma notória e respeitada “fábrica de barcos”, enquanto faz tudo para que se esqueça o investimento inadequado feito no Terminal Pesqueiro de Porto Grande ou, ainda, a bagunça bancada com o auxílio da Copama para o financiamento e compra de barcos. Uma vergonha que até hoje tem decisões jogadas nas gavetas da Justiça. Em algum lugar sério isso seria caso de cadeia.

Nenhum estado do Nordeste tem a quantidade de rios perenes e piscosos que se iguale ao Maranhão. Mas o pescado não atende ao consumo interno. Isso sem contar um problema gravíssimo que se avizinha: o assoreamento do Rio Itapecuru, que é o principal manancial aquífero do Estado. Se não houver uma atuação profissional, em poucos anos o Rio Itapecuru sequer fornecerá água para o consumo na capital.

Para mudar essa realidade, cansado, o povo do Maranhão tirou a fórceps o comando do Estado das mãos dos Sarney. Já o fizera, antes, quando elegeu Jackson Lago e não foi respeitado – violentado na sua decisão soberana por conta de apaniguados – mas resolveu, agora, dar xeque mate. Elegeu Flávio Dino para perpetrar a mudança na direção da conquista da dignidade.

Agora, nestes dias, Flávio Dino, eleito pela soberana e esmagadora vontade popular, rabisca o croquis do que será sua equipe de governo. Ninguém será petulante a ponto de pretender indicar esse ou aquele secretário – esse é um privilégio de quem vai trabalhar junto por – pelo menos – quatro anos.

Mas, esquecer na equipe pessoas e profissionais capazes de alavancar os setores da agricultura familiar e da piscicultura, é atravancar a esperança da conquista da dignidade do maranhense. É não mudar nada. Quando o Governo investe na agricultura familiar, está ferindo de morte o ócio, a preguiça e principalmente fortalecendo o componente social importante do combate a violência urbana. A agricultura familiar, além de manter o homem no campo e fortalecer o prazer do cultivo da terra produzindo o alimento da família, bloqueia e diminui o êxodo rural para formar bolsões de miséria na capital ou nas grandes cidades. E os bolsões de miséria são reforços significativos ao tráfico de drogas, ao desemprego que facilita o acesso a ações da disseminação da violência.

Por que os Sarney deixaram – durante o vilipêndio e da hereditariedade das capitanias maranhenses que sempre entenderam como suas – a agricultura fora de qualquer plano de governo? Existem terras mais férteis para a agricultura que as maranhenses?

Assim, nessa composição do secretariado o novo Governador Flávio Dino cometerá pecado imperdoável e ferirá de morte a vontade popular de mudança se, antes, pensar apenas em atender às parcerias de última hora. É idiotice deixar a UEMA fora desse processo de composição nessas duas áreas importantes para a libertação definitiva do povo maranhense, eminentemente vivenciado com a agricultura. É inaceitável continuarmos comendo frutas, legumes e cereais vindos de outros estados, principalmente tendo as terras agricultáveis que temos.

O agronegócio não resolve a situação do povo maranhense. Atende apenas a umas duas dúzias de investidores. O que resolve a situação maranhense é o fortalecimento da agricultura familiar – e o secretário dessa pasta não pode ser qualquer um ou apenas aquele que mudou de partido em cima da hora e ajudou na eleição por puro interesse pessoal. Tem que ser um técnico com conhecimento real das necessidades e da competência e qualidade das terras maranhenses.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.