Senador
José Sarney abatido com mais uma derrota.
Por Wilson Lima - iG Brasília
Grupo perdeu o governo do estado e vaga no Senado. Roseana Sarney, que
planejava deixar a política, já cogita voltar.
Após sofrer uma derrota histórica na
disputa pelo governo do Maranhão, o clã Sarney está no divã e fala agora em se
reinventar. Apesar disso, os próprios aliados sabem que a tarefa não será das
mais fáceis. Além do desgaste nas urnas, faltam nomes que possam liderar uma
espécie de ressurreição do grupo.
Durante as eleições deste ano, o clã
Sarney perdeu não somente a disputa pelo governo do Estado como também a única
vaga em disputa ao Senado. Na corrida pelo governo estadual, o candidato do
grupo, Lobão Filho (PMDB), filho do ministro de Minas e Energia Edison Lobão
(PMDB), perdeu em primeiro turno para o ex-presidente da Empresa Brasileira de
Turismo (Embratur) Flávio Dino, por uma diferença de aproximadamente 1 milhão
de votos.
Na disputa ao Senado, o candidato do clã, o ex-ministro do Turismo
Gastão Vieira (PMDB), foi derrotado por Roberto Rocha (PSB). Essa foi a
primeira vez na história do Maranhão que o clã Sarney deixou de eleger ao menos
um senador. Na prática, os Sarney elegeram apenas duas pessoas em cargos
menores: Sarney Filho (PMDB), reeleito à Câmara Federal, e Adriano Sarney (PV),
neto do ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB), eleito para a Assembleia
Legislativa do Maranhão.
Atualmente, os próprios aliados
admitem que o clã não tem nomes para um processo de ressurgimento político. Os
integrantes do clã Sarney acreditam que nem Sarney Filho, nem Adriano Sarney,
nem Lobão Filho têm cacife político para liderar uma ressurreição do grupo
Sarney nos próximos anos.
Uma das esperanças do grupo está
calcada em um eventual retorno da governadora Roseana Sarney (PMDB) nas
eleições de 2016 ou 2018. No início do ano, Roseana tinha dito a aliados que
deixaria a política, mas agora ela já cogita disputar a Prefeitura de São Luís,
capital do Estado, em 2016. Outra opção que começa a ser levantada por aliados
do clã é que ela volte a disputar o governo do Estado em 2018.
Do outro lado, também vem sendo
levantada por aliados de Roseana e até mesmo por familiares a possibilidade de
ela conseguir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e assim afastar-se
definitivamente da política. Nessa hipótese, o grupo Sarney ficaria sem um
grande nome para disputas majoritárias nos próximos anos.
Os aliados do grupo acreditam que a esperança talvez esteja não no
sobrenome Sarney e sim Murad, família aliada dos Sarneys. Uma outra aposta do
grupo está em Ricardo Murad, irmão de Jorge Murad, marido de Roseana Sarney.
Ex-adversário do clã nos anos de 1990, Murad tem sido um dos principais
defensores e um dos maiores líderes políticos da família Sarney nos últimos
oito anos.
Nas últimas duas eleições, Ricardo
Murad conseguiu eleger pessoas de confiança e parentes nas disputas pela Câmara
Municipal de São Luís e na Assembleia Legislativa do Maranhão. Os integrantes
do clã admitem que ele tem sido um cabo eleitoral mais eficiente até mesmo que
a família Sarney. Em 2010, Murad conseguiu eleger um assessor político chamado
Roberto Costa (PMDB); em 2012, outro assessor, Fábio Câmara (PMDB), e, em 2014,
a própria filha, Andreia Murad (PMDB). Os três conseguiram ser eleitos em suas
primeiras eleições. Entretanto, apesar de um capital político forte, Murad
enfrenta resistência entre aliados do clã pelo seu estilo centralizador.
Por falta de nomes e de uma grande liderança, integrantes do grupo
Sarney temem que o clã sofra um esfacelamento natural e morra definitivamente
nos próximos anos. Na fase final da disputa pelo governo do Estado, aliados do
clã Sarney deixaram o grupo e passaram a integrar a campanha de Flávio Dino.
Além disso, na Assembleia Legislativa do Maranhão, deputados integrantes do clã
afirmam nos bastidores que debandarão para a base de apoio a Dino.
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