Indígena votando em urna
eletrônica.
O jovem indígena Bemoro Metuktire,
kaiapó da aldeia Capoto, em Mato Grosso, vê com expectativa a chegada das
eleições. Na região, ele e outros índios incorporaram o voto às suas práticas.
Nem sempre foi assim, e as distâncias que envolvem muitas terras indígenas
explicam parte da ausência nas urnas.
"Antes, a gente tinha
dificuldade de sair da aldeia, sair para cidade para votar. Agora tem estrada.
Alguns que têm título na cidade têm que ir na cidade. Aqueles que transferiram
para cá têm que esperar a urna na aldeia”, afirmou Bemoro.
Os índios, como qualquer brasileiro,
são obrigados a votar desde que maiores de 18 anos e falantes de português. Uma
decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2011 exige que os índios
alfabetizados se inscrevam como eleitores, mas não estão sujeitos ao pagamento de
multa pelo atraso no alistamento (Resolução 21.538/03). Além disso, aqueles que vivem em aldeias segundo
costumes e tradições podem não ser obrigados a votar se assim seu povo decidir.
Urnas nas aldeias - Em uma tentativa de incentivar o voto entre os
índios, a Justiça Eleitoral tem buscado, cada vez mais, instalar urnas nas
aldeias. No Mato Grosso, onde vive Bemoro Metuktire, já são 32 locais de
votação em terras indígenas.
"Faz parte da democracia. Assim
como todo cidadão tem direito ao voto, o índio está incluído. A gente procura
instalar e dar condições para que todos possam votar", disse Salomão
Fortaleza, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado.
Não há um dado nacional sobre o
número de eleitores indígenas no País. Estima-se que, assim como tem crescido
essa população no Brasil, a de eleitores índios também venha aumentando com os
anos. Segundo o Censo 2010, do IBGE, os índios somam quase 897 mil brasileiros,
0,47% da população total do País.
Candidatos indígenas - Para algumas lideranças indígenas, a participação
na política não se resume apenas ao voto. Segundo o TSE, 0,32% das candidaturas
registradas para estas eleições são de concorrentes que se declararam
indígenas. Ao todo, são 80 candidatos.
Ricardo Verdum, da Comissão de
Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, alerta que não se
pode dizer que índios votam necessariamente em índios. Na avaliação de Verdum,
no entanto, o registro das candidaturas indígenas indica que as lideranças do
setor estão procurando dar um passo a mais na representatividade dos interesses
de índios nas diferentes esferas políticas.
"Já existem lideranças que têm
atuado nessa interlocução com os vários ministérios, com o Estado brasileiro de
modo geral. Estão vendo essa necessidade, a importância de ter pessoas no
Congresso Nacional que repercutam as suas propostas. Hoje eles têm que ser mediados
por algum deputado ou na Comissão de Legislação
Participativa", disse Ricardo Verdum.
Segundo o TSE, o Amazonas é o estado
com maior número de candidaturas indígenas, seguido por São Paulo, Mato Grosso
do Sul, Pará e Roraima. A maior parte dos candidatos índios, 45, possui ensino
superior completo ou não terminou a graduação. Apenas um declarou o menor nível
de escolaridade requerida, que é saber ler e escrever.
Reportagem – Ana Raquel Macedo
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