segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Não há mal que dure para sempre





Flávio Dino e o Vice Carlos Brandão.

 

Há um ditado popular que diz: “não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe.”

E, esse ditado se confirmou no início da noite de ontem, 5 de outubro de 2014, em São Luís, capital do Maranhão.

Por cerca de 50 anos, o ainda Senador José Sarney construiu prestígio entre os submissos e puxas-sacos, que são os principais responsáveis pela auréola ou pela bolha que o protegeu por décadas. Tornou-se até “diferente” pelo olhar do não menos puxa-saco, e interesseiro Lula da Silva. Essa mentirosa imunidade acabou ontem.

Com 1.876.705 votos, que correspondem a 63,52% da quantidade válida e sufragada, o Ex-Juiz Federal Flávio Dino de Castro e Costa, empunhando a foice e o machado do PCdoB, derrotou em primeiro turno o suplente de Senador (no desempenho do cargo) Edson Lobão Filho, do PMDB, que somou apenas 995.168 votos, correspondentes a 33,69% do eleitorado.

Advogado e professor de direito, Flávio Dino de Castro e Costa nasceu em São Luís e foi juiz federal durante 12 anos, atuando no Maranhão e em Brasília. Em 2006, abandonou o cargo, filiou-se ao PC do B e foi eleito deputado federal. Nas eleições de 2008, o candidato disputou a Prefeitura de São Luís e, dois anos depois, o governo do Maranhão, ficando em segundo lugar nos dois pleitos.

Em junho de 2011, Dino assumiu a presidência da Embratur, autarquia do Ministério do Turismo, e permaneceu no cargo até março deste ano, quando saiu para se dedicar à campanha. Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o comunista declarou bens com valor total de R$ 933.605,93, mais de dez vezes menor do que o declarado por Lobão Filho (R$ 9.905.422,29).

O governador eleito vai substituir Roseana Sarney (PMDB), 61, no comando do Executivo estadual, cargo que ela exercia desde abril de 2009, quando assumiu a vaga de Jackson Lago (1934 - 2011), cassado por decisão judicial. A filha do ex-presidente José Sarney, 84, hoje senador pelo Amapá, governou o Maranhão por outros dois mandatos (de 1995 a 2002). Flávio e seu vice na chapa, Carlos Brandão (PSDB), representam a coligação "Todos pelo Maranhão" (PC do B, PSDB, PP, SD, PROS, PSB, PDT, PTC, PPS).

Campanha anti-Sarney - A corrida eleitoral pelo governo maranhense colocou o grupo político dos Sarney no centro das discussões. Durante a campanha, Flávio Dino se referiu ao adversário do PMDB, que é filho do atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, 77, como o "candidato da oligarquia". Em um discurso no interior do Estado, no fim do mês passado, ele disse que "o Estado pulsa de esperança em dias melhores para o Maranhão". "Vamos derrotar a família Sarney", declarou.

Da mesma forma que aconteceu no Ceará na década de 80, espera-se que o cordão umbilical que sempre ligou o Maranhão ao atraso, tenha sido cortado definitivamente. Espera-se, também, que a nova placenta, em reconstituição, inicie a concepção de uma nova política de Estado que possa mudar a atual posição do Maranhão nas estatísticas do atraso. Foi assim que aconteceu no Ceará.

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