Flávio Dino e o Vice Carlos Brandão.
Há um ditado popular que diz: “não há mal que dure para
sempre, nem bem que nunca acabe.”
E, esse ditado se confirmou no início da noite de
ontem, 5 de outubro de 2014, em São Luís, capital do Maranhão.
Por cerca de 50 anos, o ainda Senador José Sarney
construiu prestígio entre os submissos e puxas-sacos, que são os principais
responsáveis pela auréola ou pela bolha que o protegeu por décadas. Tornou-se
até “diferente” pelo olhar do não menos puxa-saco, e interesseiro Lula da
Silva. Essa mentirosa imunidade acabou ontem.
Com 1.876.705 votos, que correspondem a 63,52% da
quantidade válida e sufragada, o Ex-Juiz Federal Flávio Dino de Castro e Costa,
empunhando a foice e o machado do PCdoB, derrotou em primeiro turno o suplente
de Senador (no desempenho do cargo) Edson Lobão Filho, do PMDB, que somou
apenas 995.168 votos, correspondentes a 33,69% do eleitorado.
Advogado e professor de direito,
Flávio Dino de Castro e Costa nasceu em São Luís e foi juiz federal durante 12
anos, atuando no Maranhão e em Brasília. Em 2006, abandonou o cargo, filiou-se
ao PC do B e foi eleito deputado federal. Nas eleições de 2008, o candidato disputou
a Prefeitura de São Luís e, dois anos depois, o governo do Maranhão, ficando em
segundo lugar nos dois pleitos.
Em junho de 2011, Dino assumiu a
presidência da Embratur, autarquia do Ministério do Turismo, e permaneceu no
cargo até março deste ano, quando saiu para se dedicar à campanha. Ao TSE
(Tribunal Superior Eleitoral), o comunista declarou bens com valor total de R$
933.605,93, mais de dez vezes menor do que o declarado por Lobão Filho (R$
9.905.422,29).
O governador eleito vai substituir
Roseana Sarney (PMDB), 61, no comando do Executivo estadual, cargo que ela
exercia desde abril de 2009, quando assumiu a vaga de Jackson Lago (1934 -
2011), cassado por decisão judicial. A filha do ex-presidente José Sarney, 84,
hoje senador pelo Amapá, governou o Maranhão por outros dois mandatos (de 1995
a 2002). Flávio e seu vice na chapa, Carlos Brandão (PSDB), representam a
coligação "Todos pelo Maranhão" (PC do B, PSDB, PP, SD, PROS, PSB,
PDT, PTC, PPS).
Campanha
anti-Sarney - A corrida eleitoral pelo governo
maranhense colocou o grupo político dos Sarney no centro das discussões.
Durante a campanha, Flávio Dino se referiu ao adversário do PMDB, que é filho
do atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, 77, como o "candidato
da oligarquia". Em um discurso no interior do Estado, no fim do mês
passado, ele disse que "o Estado pulsa de esperança em dias melhores para
o Maranhão". "Vamos derrotar a família Sarney", declarou.
Da mesma
forma que aconteceu no Ceará na década de 80, espera-se que o cordão umbilical
que sempre ligou o Maranhão ao atraso, tenha sido cortado definitivamente.
Espera-se, também, que a nova placenta, em reconstituição, inicie a concepção
de uma nova política de Estado que possa mudar a atual posição do Maranhão nas
estatísticas do atraso. Foi assim que aconteceu no Ceará.
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