segunda-feira, 29 de junho de 2015

Chega fiquei-me todo arrupiado!

 


 

Como disse um dia Vinicius de Moraes – “a beleza é fundamental” – usufruindo das belezas naturais de onde morava: assim como “ser carioca” é um estado de espírito, a beleza tem muito mais de interioridade pessoal, que daquilo que seus olhos veem.

Se você não está bem consigo, a beleza passa despercebida, por mais ímpar que seja. Se você está bem e feliz, aquilo que naquele momento não lhe parece belo vai tocar o seu interior e pinçar adjetivos que qualificam o “algo” visto.

Assim, provavelmente pegando uma carona no sempre presente bom estado de espírito dos leitores, apresentamos algumas das nossas escolhas de hoje, nas quais incutimos o “nosso conceito pessoal”.

Como escreveria o premiadíssimo Papa Berto em conceito de belezura, eu chega fiquei-me todinho arrupiado com a sempre boa forma física dela. Beleza pra tarado nenhum botar defeito e ficar folheando nos recônditos da imaginação a revista em que ela ocupa todas as páginas. Olhas essas “ancas” é bem mais mió que ingulir caroço de pitomba, né não? Arrepare nos cantos da boquinha dela, arrepare! E as curvas bundais não se assemelham  a um conjunto de cataratas?

Pense... num pense nim nada não! Aja!

Nunca escutei o cântico nem ouvi falar que Beija-Flor cantasse. E, além do que se vê, “precisa” cantar? Vai encantar mais ainda a quem?

Com certeza, Picasso, Van Gogh e provavelmente outros não encontrarão cores para retratar essa pequena ave que ainda nos encanta com rodopios e sustentabilidade indescritíveis à nossa capacidade humana de escrever. Voa porque é preciso e nos encanta porque é a natureza dela sustentada pelas mãos e pelos ventos divinos.

Na infância que já está distante, comi muitos beija-flores, pretendendo matar a fome que nos destruía e nos fazia irracionais – comeríamos qualquer coisa. Eram tão pequenininhos que precisávamos comer muitos para sentirmos alívio no estômago.

Seria por isso que dizem que tenho um belo “interior”?

Ou, será que vísceras nada têm com “interior”, tampouco com sentimentos?

Agora, imaginemos um turista passeando nas ruas da China ou do Japão. Imagine esse turista sendo e aparecendo diferente da grande maioria que nesses lugares habita. A dificuldade que temos também para pronunciar os nomes – esquisitos para nós e comuns para eles – fica reforçada pela dificuldade que temos de diferenciar um do outro.

Agora, pense num mar, nos arrecifes naturais e nos bancos de algas habitados por imensos cardumes de peixes iguais, com o “mesmo desenho” e com as mesmas cores. Repentinamente surge um único diferente. Diferente do caso do turista que passeia no Japão ou na China, esse peixe diferente ganha notoriedade e uma beleza que nossos olhos captam. Então, assim, reforçamos a tese de que, beleza, é um estado de espírito.

Imaginemos também, o tamanho desproporcional de um tubarão passeando nesses arrecifes e no canteiro dessas algas. Nossos olhos captam mais e rapidamente o tamanho do tubarão, mas não deixam de lado o colorido dos demais peixes listados e pintados, sabe-se lá por qual pintor.

Beleza, dizem, não tem cor. Tem vida!

Claro que a mulher tem o hábito de tentar melhorar ainda mais o que já nos aparece com beleza. Mas ela quase sempre não está satisfeita. São desconfiadas e precisam trabalhar o ego.

Mas, existem algumas que sequer pensam em retocar o que não precisa mesmo ser retocado. Essa mulher aí da foto (negra ou não é apenas um detalhe que a tez dispensa) “trabalhou” a sobrancelha e deixou por conta da natureza e do nosso estado de espírito os cílios – algumas usam postiços – o nariz e a boca, ambos enfeitados por um buço divino – na infância, a gente chamava de caminho de escorrer catarro.

Para que maquiagem, se a natureza já trabalhou com tamanha perfeição?

 

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