O petróleo
derramado é a riqueza jogada fora
O Brasil é o país dos escândalos – há muito sabemos
disso. Mas, o Brasil começa a ganhar espaço como o país que não consegue
resolver nenhum dos seus problemas – ou escândalos. O Brasil já é líder nessa
algazarra.
Há quem garanta que, no Brasil, quando um escândalo
está caminhando para uma solução aceitável – alguém inventa outro maior ainda
para desviar a atenção da população do desfecho do escândalo anterior.
E, como verdadeira bola de neve, de escândalo em
escândalo o Brasil vai se aproximando de um desfecho nada elogiável. Alguém
acredita que, em que pese a seriedade visível do Juiz Sérgio Moro, esse
escândalo envolvendo a Petrobras vai ter o desfecho que todos anseiam?
Pois, vejam como um especialista analisa, não o
escândalo envolvendo a Petrobras, mas aponta nas entrelinhas de uma longa
entrevista, o desfecho da indecência que está tomando conta, principalmente,
dos espaços mais nobres da mídia brasileira:
“Os
países com grandes reservas de petróleo enfrentam um paradoxo. Ao mesmo tempo
em que é desejável ter um recurso tão valioso, a abundância de reservas pode
levar ao desprezo em relação a outras formas de produzir riqueza.
Frequentemente, os países exportadores de petróleo gastam mal e têm governos
autoritários, que usam o dinheiro fácil do setor petrolífero para se perpetuar
no poder. O cientista político americano Michael Ross estudou a fundo esse
paradoxo. Suas descobertas estão no livro The Oil Curse (A Maldição do
Petróleo, sem tradução para o português), de 2012. Professor da Universidade da
Califórnia, Ross considera que a queda no preço do barril de 100 para menos de
70 dólares, desde o início do ano, pode ser boa para a democracia.” (Veja – 17 de dezembro de 2014)
“Quando
o PT foi eleito, em 2002, o preço do petróleo estava baixo. De lá para cá,
foram doze anos de valores altos. A regra é que, quando isso acontece, o
governo tem mais dinheiro e pode comprar apoio popular.” (Veja – 17 de dezembro de 2014)
O programa Bolsa Família nada mais é que a demonstração
do alto investimento na perpetuação do poder dos governantes. O dinheiro
derramado e jogado fora, mas travestido de benefício social, nada mais é que um
“toma lá, dá cá” trocado por votos. Poderia ser investido em educação, saúde e
segurança.
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