Nesta segunda-feira (1º/6) foi divulgado o texto
definitivo da resolução fruto das deliberações da 10ª Conferência Nacional do
PCdoB, intitulado “Frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da
democracia”.
O documento foi ratificado, como exige o estatuto
dos comunistas, pelo Comitê Central do Partido, reunido no domingo (31), logo
após a plenária da Conferência ter aprovado a resolução. Nesta última reunião
do CC também foi eleita a nova presidenta nacional do PCdoB, a deputada federal
Luciana Santos, cujo nome foi, do mesmo modo, indicado pelo plenário da 10ª
Conferência.
A resolução da 10ª Conferência é um documento rico, que mobilizou um intenso debate nos 26 estados da federação e no Distrito Federal, sendo, ao final deste processo, enriquecido por dezenas de emendas que foram incorporadas ao texto final.
A resolução divide-se em três tópicos: “Frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia”; “Atualizar e efetivar as linhas de construção partidária” e “A sucessão da Presidência Nacional do PCdoB”. Neles o PCdoB analisa a conjuntura, faz propostas concretas para enfrentar os atuais impasses e aborda o esforço crítico e autocrítico dos comunistas em relação à construção de um partido marxista-leninista que responda aos desafios contemporâneos, sendo, portanto, leitura obrigatória para todos os que, no Brasil, têm compromisso com os ideais de justiça, democracia e igualdade. Abaixo a íntegra do documento em PDF.
A resolução da 10ª Conferência é um documento rico, que mobilizou um intenso debate nos 26 estados da federação e no Distrito Federal, sendo, ao final deste processo, enriquecido por dezenas de emendas que foram incorporadas ao texto final.
A resolução divide-se em três tópicos: “Frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia”; “Atualizar e efetivar as linhas de construção partidária” e “A sucessão da Presidência Nacional do PCdoB”. Neles o PCdoB analisa a conjuntura, faz propostas concretas para enfrentar os atuais impasses e aborda o esforço crítico e autocrítico dos comunistas em relação à construção de um partido marxista-leninista que responda aos desafios contemporâneos, sendo, portanto, leitura obrigatória para todos os que, no Brasil, têm compromisso com os ideais de justiça, democracia e igualdade. Abaixo a íntegra do documento em PDF.
10ª
Conferência Nacional do PCdoB
29, 30, 31
de maio de 2015
São Paulo
- SP
Resolução
Frente ampla
em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia
Sumário
I – Frente
ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia
II –
Atualizar e efetivar as linhas de construção partidária
III – A
Sucessão da Presidência Nacional do PCdoB
Parte I
Frente
ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia
1 –
América Latina, Brasil sob o alvo do imperialismo
A dura e
acirrada luta política em curso no país – a escalada da direita neoliberal com
o objetivo de desestabilizar e paralisar o governo do segundo mandato da
presidenta Dilma Rousseff, ou mesmo, como alardeiam altos hierarcas do PSDB, de
vitimá-la com um impeachment fraudulento e golpista – deriva da luta de
classes em nosso país, do confronto de dois projetos de Nação. Acontece que os
processos históricos nacionais, sobretudo de países do porte do Brasil, estão
cada vez mais imbricados com uma realidade mundial marcada por lutas para que
se alterem suas relações de poder e pela dominância da lógica financeira,
rentista, no âmbito de uma economia interligada e crescentemente globalizada.
Assim, a luta política em andamento só pode ser compreendida em sua totalidade
– situando o Brasil, a América Latina, e mesmo os BRICS (Brasil, Rússia, Índia,
China e África do Sul) – no contexto de um mundo regido por uma crise
estrutural e sistêmica do capitalismo que se estende para seu sétimo ano.
Os
trabalhadores, as trabalhadoras e os povos resistem à dominação da oligarquia
financeira e das forças pró-imperialistas. O mundo também se encontra envolto
por uma luta entre países e blocos de países, da qual resultará o desfecho da
atual transição em curso no mundo. O imperialismo estadunidense eleva a
agressividade para tentar conter sua trajetória de declínio relativo e manobra
buscando relançar sua hegemonia.
Nesse
sentido, ganha destaque na situação internacional uma ação das potências
imperialistas lideradas pelos EUA para conter e agredir qualquer país que
contrarie seus interesses. A aliança EUA-União Europeia-OTAN atua para cindir
os países BRICS, seja cooptando-os – como buscam os EUA em relação à Índia –,
seja agindo para tentar
neutralizar e conter o Brasil e a
Rússia, seja investindo contra a aliança da China e da Rússia, que promove a
integração euroasiática. Também o Irã, a Síria e outras nações da América
Latina e Caribe, destacadamente Cuba, Venezuela e Argentina, estão submetidos a
forte pressão econômica com expressivo componente exógeno e de guerra
midiática. Neste mesmo sentido, destaca-se a crescente presença militar
estadunidense no Mar do Sul da China, no território da ex-União Soviética, e no
Atlântico Sul.
Os
BRICS têm agido diretamente no sentido de acelerar a transição nas relações de
poder no mundo em direção à multipolarização. Sua recente Cúpula em Fortaleza
(julho de 2014) foi marca importante desse movimento, ao definir a constituição
de meios para aprofundar a mudança na ordem econômica internacional, ao
constituir um Banco de desenvolvimento e um Fundo de reservas para proteger
suas economias nacionais. Tem caráter estratégico a parceria econômica do
Brasil com a China que resultou, recentemente, em investimentos chineses que
podem ultrapassar o montante de 53 bilhões de dólares. Além disso, ressaltam-se
o volumoso comércio entre os dois países e as iniciativas financeiras já
assinaladas.
Quanto
à crise do capitalismo, apesar de ideólogos desse sistema anunciarem que uma
luz já estaria a brilhar no fim do túnel, baseados sobretudo numa frágil
retomada da economia dos Estados Unidos da América, o fato é que o cenário
geral ainda é de baixo crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial segue
com desempenho fraco, devendo crescer, em 2015, apenas 3%, segundo uma média de
estimativas. Isso depois de patinar em 2,5% de crescimento nos últimos três
anos.
Duas
questões importantíssimas não se alteraram ao longo desse percurso que chega ao
seu sétimo ano. Primeiro: a lógica financeira, rentista, segue no comando dos
Estados nacionais da maioria dos países, sobretudo do centro capitalista. De
“posse” desses Estados, aplica políticas para salvaguardar os ganhos fabulosos
dos conglomerados financeiros e jogar o ônus da crise sobre os ombros dos povos,
dos trabalhadores e das trabalhadoras. Segundo: a crise agrava a desigualdade
social já alarmante e eleva o desemprego. Dados da OIT prognosticam que nos
próximos quatro anos o mundo terá 11 milhões de desempregados a mais. Assim, em
2019, não terão emprego 219 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
Na
fase atual, a crise atinge com mais força os países em desenvolvimento
Os
grandes países em desenvolvimento que haviam se safado razoavelmente dos
efeitos dos primeiros anos da crise, desde 2011, agora são atingidos mais
duramente. A China, em 2015, deverá reduzir seu crescimento para cerca de 7% ao
ano – número significativo, entretanto menor em comparação aos índices acima de
um dígito verificados desde o final dos anos 1970; já a Rússia provavelmente
terá índice negativo de crescimento; a América Latina elevará seu PIB, segundo
prognósticos, em 2,2%. Um fator importante que concorre para a queda do PIB de
países como Rússia, Venezuela e Irã é a forte queda do preço do petróleo. O
Brasil é duramente atingido pela redução drástica do preço das commodities que
exporta, tais como minério de ferro e soja.
Na esfera da correlação de forças
entre os campos políticos, pode-se afirmar que a crise, apesar de pôr a nu os
limites históricos do capitalismo, e a despeito da luta e resistência dos
povos, fortalece em plano mundial as forças conservadoras e reacionárias. No
cômputo geral, as forças avançadas seguem atuando sob defensiva estratégica. Na
Europa, por um lado, há o fortalecimento da contestação popular às medidas
neoliberais de “austeridade”, com greves e protestos dos trabalhadores e
trabalhadoras, e casos de rechaço eleitoral às forças que defendem a política
do capital financeiro, como foi o caso da Grécia onde houve a vitória eleitoral
do Syriza, e como é o caso da Espanha, onde crescem forças como o Podemos e a
Esquerda Unida. Por outro lado, o que prevalece e se robustece ainda é o bloco
de forças da direita, além da persistente ação de forças de extrema-direita
como aqueles que atuam em países como França, Alemanha, Reino Unido e Grécia.
Ciclo
progressista na América Latina sob ataque
Na
América Latina e Caribe há uma escalada da direita e do imperialismo para
tentar pôr um fim aos governos de esquerda e progressistas da região. Utilizam
variados meios e novas e velhas táticas, como a guerra midiática, a guerra
econômica, a judicialização da política, os intentos de golpe de Estado, as
ameaças de agressão militar, o apoio e o financiamento externo da oposição,
dentre outros, para tentarem lograr as “mudanças de regime” que almejam.
Note-se que três dos principais países da América do Sul – Argentina, Brasil,
Venezuela – passam por situações políticas críticas e são alvos dessa investida
neste momento. Cada um com singularidades, mas tendo em comum a forte
influência de fatores externos.
Mesmo
sob essa interveniência do imperialismo, desde 2013 as forças de esquerda e progressistas
venceram as eleições presidenciais no Chile, em El Salvador, na Bolívia, no
Brasil e no Uruguai. Essas vitórias políticas e os passos dados do processo de
integração continental, como Mercado Comum do Sul (Mercosul), União de Nações
Sul-Americanas (Unasul) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos
(Celac), propiciaram melhores condições à resistência e à jornada de lutas dos
povos latino-americanos e caribenhos. Entretanto, a disputa política em torno
dos rumos da América Latina e Caribe, sobretudo da América do Sul, está sem
desfecho certo e é cada vez mais acirrada. Diante disso, é necessário
aprofundar e acelerar o processo de integração solidária da região, e
impulsionar a unidade das forças populares e progressistas e as ações de
solidariedade internacional em seu âmbito.
No
caso brasileiro, essa interferência do imperialismo se intensificou desde a
descoberta da riqueza do pré-sal e ganhou visibilidade na espionagem da CIA em
instituições e empresas do governo brasileiro, revelada em 2013 – o que levou a
presidenta Dilma a cancelar uma viagem oficial já marcada a Washington. Na
campanha sucessória de 2014, organismos multilaterais hegemonizados pelos
Estados Unidos, como é o caso do Fundo Monetário Internacional (FMI), e veículos
da grande mídia, porta-vozes da oligarquia financeira, como é caso da revista
britânica The Economist, se imiscuíram no
debate eleitoral em favor do candidato
tucano. Neste início de 2015, proliferam análises nos principais meios de
comunicação global, como The Economist, Financial Times ou Time,
colocando o Brasil no alvo e até mesmo fazendo ilações sobre a interrupção do
mandato da presidenta Dilma.
Em
suma, a tentativa de desestabilização do governo Dilma, embora siga uma
dinâmica muito própria da luta de classes no país, como será analisado a
seguir, faz parte, inegavelmente, de uma investida mais ampla do imperialismo
para tentar derrotar o ciclo progressista já em vigor há mais de 16 anos na
América no Sul.
2
– Curso político brasileiro instável, perigoso e indefinido
Salvo
breves períodos de alguma bonança, os dois governos Lula e o primeiro governo
Dilma se passaram sob renitente combate da oposição neoliberal. Combate esse
que, agora, recrudesce.
A
presente escalada da direita se desencadeou na própria sucessão presidencial de
2014, intensificou-se com a recusa do consórcio oposicionista (constituído pela
grande mídia, setores políticos conservadores e reacionários e oligarquia
financeira) em aceitar a quarta derrota consecutiva nas urnas e projeta-se para
um tempo e desfecho indefinidos. Com essa investida, a direita neoliberal
objetiva ceifar os ciclos democrático e progressista, reconquistando o governo
ou em 2018 ou antes pela via do golpismo. A resultante até aqui é uma crise
política que tem como “motor” propulsor a Operação Lava Jato, há mais de um ano
em atividade, manipulada para atingir seletivamente a base do governo, em
especial a presidenta Dilma e o PT. A crise estende-se também ao Poder
Legislativo, uma vez que os presidentes das duas Casas do Congresso e dezenas
de outros parlamentares foram afetados pela referida Operação. O baixo
crescimento econômico é fator estrutural da crise que, instrumentalizada,
agrava a instabilidade.
Balanço
da correlação de forças pende para o lado das forças conservadoras
Ao
contrário das três derrotas anteriores – das quais a direita saiu, no geral,
alquebrada –, dessa derrota de 2014 ela saiu fortalecida e no ataque,
empurrando para a defensiva o nascente segundo mandato da presidenta Dilma e o
campo político que o sustenta.
Isso
se explica, primeiro, pela correlação de forças. Dilma vence, numa vitória
épica, mas a diferença de um pouco mais de 3 milhões de votos por si só já
indicava o grau de polarização do confronto. A direita aglutinou, por inteiro,
o conjunto das forças políticas e sociais conservadoras e reacionárias e as
mantém razoavelmente coesas. A pregação demagógica capturou parte significativa
dos milhões de votos de trabalhadores e trabalhadoras de renda média e, também,
das camadas mais pobres dos trabalhadores e trabalhadoras que, desde 2006,
haviam migrado massivamente para apoiar o segundo governo de Lula e o governo
de Dilma. Essa pregação não foi devidamente combatida pelo governo, que perdeu
a batalha da comunicação porque enfrentou com debilidade a luta de ideias na
sociedade e não avançou em políticas para democratizar os meios de
comunicação, que reclamam realização.
Essa luta é estratégica para que a democracia avance no Brasil.
Para
além do revés do número de cadeiras no Congresso Nacional, há que se sublinhar
os danos que a esquerda sofreu provocados pela campanha cerrada e contínua da
grande mídia contra o PT, e extensiva em gradações distintas às demais legendas
desse campo, inclusive o PCdoB. O objetivo da reação é claro: danificar, e se
possível fazer ruir, as principais pilastras desse ciclo político.
Os
fenômenos e fatos sociais e políticos acima analisados que indicam a vigência
de uma nova correlação de forças no país, favorável às forças conservadoras,
derivam e se associam ao baixo crescimento econômico no último quadriênio, uma
vez que o país foi seriamente alvejado pelos efeitos da crise mundial do
capitalismo. A esse fator externo se somaram antigos obstáculos internos ao
desenvolvimento que não foram removidos.
Além
disso, o país enfrentou uma das piores secas de sua história recente, sobretudo
no Sudeste – o que elevou o preço da energia elétrica e dos alimentos, além de
provocar o racionamento no abastecimento de águas das cidades. Consequências
que afetaram a economia como um todo, e socialmente atingiram sobretudo o
orçamento das famílias dos trabalhadores, das trabalhadoras e dos mais pobres.
Diferente,
portanto, da crise política de 2005 que assolou o governo Lula. Naquela quadra,
a economia embicava para cima, e agora a crise evolui com a economia em
declínio – o que freia a melhora crescente das expectativas e dos padrões de
vida do povo e atinge em cheio o setor produtivo, em especial a indústria.
Operação
Lava Jato
Desde
a campanha eleitoral do ano passado, ficou nítido o vínculo de setores do
Estado com o consórcio oposicionista, tal como se explicita na Operação Lava
Jato. Essa investigação desbaratou um antigo esquema criminoso de propinas na
Petrobras. Mas, ao se vincular às maquinações da oposição, a Lava Jato
desvirtuou-se e se constituiu um tipo de poder paralelo que tem sido
direcionado para criminalizar o PT e outras legendas da base do governo. As
gravações de vídeo – que só agora, depois da campanha, aparecem envolvendo o
PSDB e seu líder Aécio Neves – são provas de que há “seletividade” nos
vazamentos da investigação. Do comando jurídico-policial da Operação partiu,
também, a decisão de limitar as investigações de roubo envolvendo a Petrobras apenas
ao período recente, poupando deliberadamente o período de governo dos tucanos.
Não
há dúvidas: A escalada da direita, apoiada nesse poder paralelo que comanda a
Lava Jato, além de desestabilizar o governo Dilma visa a atingir o
ex-presidente Lula que, além de fiador do ciclo progressista, representa a
esperança de continuidade deste ciclo. Justamente por isso, a hipotética
candidatura dele em 2018 é tida pela oposição como uma séria ameaça ao desígnio
dos conservadores de reaverem o poder.
Esse plano sofreu, todavia, um revés.
Apesar da seletividade e da parcialidade da Operação, a Procuradoria-Geral da
República e o Supremo Tribunal Federal concluíram que não há fatos, nem
indícios, contra a presidenta Dilma.
A
batalha das ruas
As
manifestações ocorridas nos dias 13 e 15 de março – que rivalizaram o campo
popular democrático e o campo conservador e reacionário, respectivamente –
sinalizam que a acirrada luta política galvanizou um engajamento ainda maior de
contingentes massivos das classes sociais do país.
Do
lado conservador – apesar da tentativa de embalar as manifestações com o falso
manto da “espontaneidade” ou que seriam puxadas tão somente por grupos de uma
nova militância de direita que se apresentam, de modo oportunista, como
“apartidários” –, é nítido que o comando das operações para as marchas contra o
governo continua partindo das estruturas clássicas de poder: Os partidos de
oposição de direita, grandes conglomerados empresariais e financistas, e com
uma participação nefasta e pesada da grande mídia e de estruturas profissionais
nas redes sociais. Também é evidente que, por mais que traga bandeiras
secundárias, a mobilização da direita está completamente focada na disputa de
poder, na tentativa de sepultar o ciclo progressista em curso.
Mais
de uma década de demonização da política e de campanha prolongada de desgaste
da imagem do PT, do governo e da esquerda em geral criou um caldo de cultura
que transbordou para as ruas, revelando uma capacidade de mobilização da
direita que não se via desde o período que antecedeu o golpe de 1964. E o pior:
contaminada por preconceitos, intolerância e mesmo em pequenos segmentos por
arroubos de naipe fascista.
Quanto
ao campo popular e democrático que realizou os importantes atos do dia 13,
eleva-se a sua responsabilidade de empreender permanentes articulações visando
a realizar manifestações ainda mais amplas e vigorosas. Para isto, é preciso
alargar o leque de forças, empenho no engajamento de crescentes camadas do
povo, dos trabalhadores e trabalhadoras, da juventude e mesmo de outros setores
da sociedade com as bandeiras condizentes a cada momento.
3
– Defender a democracia, impulsionar a contraofensiva
O
ponto nuclear do ajuste da tática do campo progressista – decorrente da mudança
na correlação de forças – é precisamente defender a democracia que nesta hora
se materializa na defesa do legítimo mandato constitucional da presidenta
Dilma. Rechaçar e vencer o golpismo da direita seja repelindo e desmascarando a
pregação de um impeachment fajuto, posto que sem base jurídica, seja
derrotando outra vertente desse golpismo, que é a de tentar paralisar o
governo, desestabilizá-lo – vertente essa que também se expressa pela conduta
truculenta, autodeclarada do PSDB, de “sangrar” a presidenta, de enfraquecê-la
continuadamente.
A esquerda, sobretudo, não pode nem
ceder e nem deixar se imobilizar pela perplexidade, tampouco repetir erros do
passado. Em 1954 e 1964 – quando as forças conservadoras e golpistas maquinaram
os golpes contra o presidente Getúlio Vargas e contra o presidente João Goulart
–, a esquerda se dividiu e se anulou enquanto força consequente tanto ao fazer
coro, mesmo que indireto, com a investida da direita, quanto ao se orientar por
ilusões que subestimavam a força e a determinação dos golpistas.
Bandeiras
impulsionadoras da contraofensiva
A
retomada da iniciativa política a ser empreendida pelas forças democráticas
progressistas se dará em torno de bandeiras unificadoras que se relacionam com
a tarefa central de rechaçar com firmeza o golpismo, de defender o mandato da
presidenta e de conquistar a estabilidade do governo.
Defesa
da Petrobras, da engenharia, da economia nacional
No
terreno da economia, ao apostar no quanto pior melhor, a oposição neoliberal
desnuda sua essência antipatriótica. Conduta que a direita neoliberal expressa
ao capitanear a frenética campanha para enfraquecer a Petrobras, a partir do
esquema delituoso que foi desbaratado.
A
direita insiste nos ataques deliberados à Petrobras, sem sequer esconder o
objetivo de privatizá-la, de um modo ou de outro. O PSDB, interessado em ceder
o pré-sal às multinacionais, apresentou no Senado Federal projeto de lei para
acabar com o regime de partilha. Insurge-se também contra a política de
conteúdo local que impulsiona a indústria brasileira.
A
conduta antinacional do PSDB se escancara, ainda, na tática de terra arrasada
que adota em relação às empresas privadas, de engenharia nacional do ramo da
construção civil e infraestrutura, investigadas pela Operação Lava Jato. A Advocacia
Geral da União, corretamente, defende que tais empresas venham a assinar
acordos de leniência com a Controladoria Geral da União (CGU). Pelos termos
deste tipo de acordo, os cofres públicos são ressarcidos dos prejuízos, os
executivos que praticaram crimes são julgados e punidos, mas as empresas são
preservadas para honrar os contratos, realizar as obras e manter os postos de
trabalho. A direita se movimenta para inviabilizar tais acordos – o que, na
prática, resulta em fechá-las.
Para
o PCdoB, os corruptos e corruptores de dentro e de fora da Petrobras, e das
empreiteiras, devem ser julgados e punidos exemplarmente. Mas é preciso
desmascarar o oportunismo da direita de utilizar esse crime como pretexto para
acabar com o regime de partilha e privatizar a Petrobras. A Petrobras é
estratégica para o desenvolvimento nacional, precisa ser fortalecida,
preservando e reforçando o regime de partilha para a exploração do pré-sal e a
política de conteúdo local. Do mesmo modo, é preciso esclarecer a opinião pública
de que quebrar as empreiteiras brasileiras faz parte de uma manobra para
repassar o mercado das grandes obras de nosso país aos monopólios estrangeiros.
Combate à corrupção. Fim do
financiamento empresarial das campanhas
Os
conservadores e a direita neoliberal posam outra vez de vestais, justamente
eles que, na década de 1990, estiveram à frente de um esquema gigante e
corrupto de privatização do patrimônio público. Prática essa que agora
novamente se revela com o Swissleaks, escândalo das contas bancárias
como as do HSBC, dentre outros bancos, que recebem dinheiro ilícito de milhares
de ricaços da oligarquia financeira e midiática brasileira, muitos deles
ligados ao PSDB e a outras forças da direita. Agora, mesmo com toda a
parcialidade da Operação, o PSDB também caiu nas malhas da polícia, sendo alvo
de investigação o coordenador da campanha de Aécio Neves, ex-governador e atual
senador, Antônio Anastasia. Do mesmo modo, o presidente do DEM, senador
Agripino Maia, é alvo de investigação, com autorização do STF, acusado de
cobrança de propina.
O
consórcio oposicionista reprisa o que a velha direita fez contra o presidente
Getúlio Vargas, em 1954, disseminando que o Brasil novamente estaria atolado
“num mar de lama”. Quando, na verdade, nos últimos 12 anos, o que houve foi um
empenho inédito de se combater a impunidade, a corrupção – verdadeira “praga”
que desde tempos remotos suga os recursos públicos. O pacote Anticorrupção
anunciado pela presidenta Dilma é uma demonstração a mais desse compromisso.
Sobre
esse tema que justificadamente causa profunda indignação no povo, a posição do
PCdoB sempre foi e é clara: o combate à corrupção deve prosseguir e os
corruptos e corruptores julgados e punidos. O PCdoB se pauta pela rigorosa
defesa e zelo do patrimônio e dos recursos públicos. Esse correto e necessário
combate não pode ser instrumentalizado pela direita para tentar rasgar a
Constituição Federal, o Estado Democrático de Direito.
Sob
a iniciativa do campo político e social progressista, a luta contra a corrupção
se entrelaçou com a jornada pela reforma política, uma vez que o vigente
financiamento empresarial das campanhas é a raiz de grande parte dos escândalos
e crimes de corrupção que afetam o Estado, suas empresas e os partidos
políticos.
A
oposição conservadora e poderosos grupos políticos defensores do financiamento
empresarial das campanhas perceberam o perigo desse movimento e – tendo sob seu
controle a maioria das cadeiras do Congresso e a seu favor uma forte onda conservadora
que se irrompeu na sociedade – impuseram na ordem do dia do Senado Federal e da
Câmara dos Deputados a votação, a toque de caixa, de uma antirreforma política,
com o objetivo principal de constitucionalizar o financiamento empresarial das
campanhas, uma vez que o tema já estava sob votação do Supremo Tribunal Federal
(STF).
O
objetivo central da investida é claro: manter a influência do poder econômico
nas eleições e asfixiar a democracia com leis restritivas contra o pluralismo
político e partidário que resultem na exclusão das minorias do Congresso e
demais Casas Legislativas. Em suma, mutilar a democracia: um parlamento de
assento exclusivo a meia dúzia de grandes partidos.
O PCdoB e sua bancada federal,
conscientes dessa ameaça à democracia, cientes também da correlação de forças
adversa, se concentram na tarefa de derrotar o financiamento empresarial e, ao
mesmo tempo, preservar o pluralismo político, umas das principais virtudes de
nossa democracia.
No
processo em curso da votação da Reforma Política, na Câmara dos Deputados, a
bancada do PCdoB – seguindo a orientação que já estava amadurecida no debate
partidário e coincidia com as bandeiras defendidas pela Coalizão Pela Reforma
Política Democrática e Eleições Limpas – votou contra o financiamento
empresarial das campanhas, foi uma das principais bancadas que contribuiu para
sua derrota na primeira votação. Apresentou emendas a favor do financiamento
público e pela eleição proporcional com lista fechada. Também votou e ajudou a
derrotar o sistema distrital misto.
Numa
situação na qual imperam a dispersão e a desorientação da esquerda, a bancada
comunista, em comum acordo com a direção do Partido, se movimenta, propõe,
articula e vota com flexibilidade e coerência com sua política. Mantém-se,
assim, fiel ao compromisso assumido perante o povo e as forças progressistas de
luta contra a corrupção derivada em grande parte do financiamento empresarial e
por uma reforma política verdadeiramente democrática.
Diante
da ameaça real presente de que seja instituída uma draconiana cláusula de
barreira e da proibição de coligações proporcionais, a presidência do Partido e
a bancada firmaram um acordo pelo qual o PCdoB, mesmo sendo contrário ao
chamado Distritão, votaria a favor da proposta, desde que bancadas favoráveis a
ele assumissem o compromisso de votar contra as medidas restritivas. A
articulação de tal acordo visou a defender a permanência no Parlamento não
apenas do PCdoB, mas de todos os partidos de matrizes ideológicas e que possuem
profunda relação com a representação popular e não querem se transformar em
sublegendas de partidos grandes.
O
resultado da votação em primeiro turno na Câmara demonstrou que a tática do
Partido foi acertada. O Distritão foi descartado e o sistema proporcional mantido.
A luta contra o financiamento empresarial prossegue no segundo turno de votação
na Câmara, na apreciação da matéria no Senado e nos espaços onde for cabível. E
se alcançou uma grande vitória: a coligação proporcional, já dada como extinta
por quase todos, foi mantida. E a cláusula de barreira aprovada é muito menos
restritiva do que aquela que o conservadorismo pretendia impor.
Todavia,
a batalha por uma reforma política democrática está longe de terminar. A
votação da reforma ainda está em curso, o que exige das forças progressistas e
democráticas continuar lutando por mudanças que acabem com o poder do dinheiro
nas eleições, aperfeiçoe o sistema eleitoral proporcional, adote medidas para
ampliar a participação das mulheres no Parlamento, fortaleça os partidos e os
mecanismos da democracia participativa e direta.
Retomada
do crescimento econômico e garantia dos direitos trabalhistas e sociais
O
leve crescimento da economia brasileira no ano passado e as dificuldades ainda
maiores previstas para 2015 decorrem (além dos fatores externos e internos já
citados)
também da luta política, das apostas
que a direita neoliberal faz contra o país. Este quadro objetivo da economia
nacional associado à instabilidade política, ao rebaixamento da autoridade do
Executivo é propício para fazer reinar um senso comum de pessimismo, de uma
visão falsa, antipatriótica, de que o “Brasil acabou”. Esta atmosfera inibe os
investimentos e eleva os poderes da grande finança sobre os destinos do país.
A
estabilização do governo Dilma, na dimensão da economia, exige, de início,
separar a verdade da mentira no debate acerca do resultado do primeiro governo
da presidenta. É verdade que o crescimento anual médio do quadriênio
(2011-2014), em torno de 2%, é insuficiente, aquém do necessário. Todavia, no
contexto de um mundo de crise, é igualmente verdade que o governo da presidenta
Dilma soube proteger a economia nacional. Garantiu altos níveis de emprego e
elevação – modesta, mas contínua – da renda do trabalho, e retirou milhões de
brasileiros da condição de miséria.
A
presidenta promoveu, em determinado momento de seu primeiro mandato, uma queda
recorde na taxa básica de juros, fortaleceu o sistema financeiro público que
passou a oferecer crédito farto e barato para a população e para as empresas
através do BNDES. Igualmente, reforçou empresas estatais como a Petrobras. E a
oligarquia financeira globalizada, os rentistas, reagiram com ferocidade.
Ao
se analisar a delicada situação atual da economia é errado, por um lado, exagerar
ou desconhecer as causas externas disso e, por outro, também é um grande
oportunismo jogar sobre os ombros do governo, ou da presidenta, a
responsabilidade inteira por tudo o que acontece na economia capitalista
brasileira. O capitalismo tem sua dinâmica própria com ascensos,
desacelerações, crises e retomadas. As crises têm seu lado objetivo: face a
elas as políticas econômicas exercem poder, porém limitado. No caso do Brasil,
se destaca como causa dessa crise a dominação do rentismo sobre a economia.
Os
problemas da economia e as dificuldades políticas ora enfrentados decorrem
também das mudanças e reformas que não foram realizadas, ou que foram mitigadas
por erros e limitações de direção política da força hegemônica. E pelos efeitos
do acirrado confronto entre os campos em disputa. A par disto, existem as
contradições das coalizões amplas e heterogêneas, indispensáveis à
governabilidade, mas limitadoras, de acordo com a correlação de forças, na
realização da plataforma programática, conforme conclusão do 13º Congresso do
Partido.
Diante
desse quadro, o PCdoB ressalta que se impôs como tarefa maior retomar o
crescimento econômico para que se prossiga com a política de valorização do
trabalho e de redução das desigualdades sociais. Todavia, o debate nacional em
torno da retomada do crescimento econômico, na prática, foi posto de lado com o
dissenso provocado pelo pacote fiscal.
A presidenta Dilma sustenta que o
Estado brasileiro chegou ao seu limite após ter absorvido por anos seguidos os
impactos da crise para proteger a economia nacional e os empregos. Essa
situação, segundo ela, exige um ajuste para reequilíbrio das contas do governo,
com restrições fiscais e aperto monetário.
Para
além de um necessário debate, sem o que não se resolvem dilemas que a luta pelo
desenvolvimento fomenta a cada período, importa destacar as implicações
políticas desse ajuste face ao grande objetivo de estabilizar o governo. O
conteúdo dele, as circunstâncias nas quais foi anunciado, objetivamente,
provocaram o choque do governo com duas pilastras sociais de sua sustentação:
os trabalhadores, as trabalhadoras e os empresários do setor produtivo.
4
– PCdoB reafirma confiança política na presidenta e luta pelo programa aprovado
nas urnas
O
PCdoB tem a posição de que nesta hora de perigo e gravidade o governo merece
respaldo e apoio às suas iniciativas para a retomada do crescimento. Mesmo
crítico ao dito ajuste – posto que se conflita com propostas e ideias que o
PCdoB apresentou ao programa de governo da campanha da reeleição de Dilma –, o
Partido, baseado numa relação de confiança mútua que tem com a presidenta, com
convicção disse SIM ao voto de confiança que a chefe da Nação solicitou do povo
e das forças políticas que a apoiam.
Tendo
em vista a necessária repactuação que precisa ser feita – com a base social de
apoio do governo constituída principalmente pelos trabalhadores e
trabalhadoras, por amplas camadas do povo, e também pelos empresários do setor
produtivo –, impõe-se o diálogo, a ser liderado pela presidenta Dilma,
buscando-se uma solução negociada aos conteúdos e termos do dito ajuste.
Em
relação às Medidas Provisórias (MPs) 665 e 664, a bancada comunista na Câmara
dos Deputados articulou e apresentou emendas para que as negociações
resultassem em mudanças para melhorar a proposta original, procurando
resguardar os direitos trabalhistas e previdenciários em foco. Considerando-se
que houve avanços em relação às duas matérias mencionadas, sobretudo no caso
mais emblemático da MP do seguro desemprego, a liderança do PCdoB na Câmara dos
Deputados – de comum acordo com a indicação da direção do Partido – proclamou
um voto político de confiança na presidenta Dilma, levando em conta que a
derrota do governo fortaleceria a investida golpista da oposição neoliberal. No
Senado Federal, o PCdoB adotou a mesma diretriz.
Ao
mesmo tempo, o Partido e sua bancada federal sugerem e cobram medidas que
resultem receitas para o Estado, opostas à renitente e antiga diretriz fiscal e
tributária que lança sempre sobre os ombros dos trabalhadores e trabalhadoras
as perdas decorrentes de ciclos recessivos. Neste sentido, o PCdoB propõe que
sejam tributadas as grandes rendas e grandes heranças, e sejam taxados os
detentores de fortunas e o rentismo. Considera assim, positiva a decisão do
governo de elevar de 15% para 20% a
alíquota da Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido (CSLL) de instituições financeiras. E que se busque reunir as
condições para a realização de uma reforma tributária progressiva que altere a
lógica de priorizar os tributos sobre o consumo, que resulta em penalizar os
trabalhadores e trabalhadoras e poupar o topo da pirâmide social.
Na
votação dessas Medidas Provisórias do ajuste houve dois votos dissidentes da
bancada federal e um outro na deliberação do Projeto de Lei da terceirização. A
direção do PCdoB advertiu publicamente os parlamentares que votaram contra a
política e a orientação do Partido. Simultaneamente, expressou sua confiança –
e seu apoio – na coerência e na coragem da sua bancada na atuação que empreende
para a superação da crise política em curso no país. E reiterou seus princípios
segundo os quais é inadmissível o voto dissidente, à margem das decisões e
orientações democraticamente firmadas.
Em
relação à crescente alta de juros (à qual o PCdoB sempre se opôs e se opõe)
atrelada às metas de inflação, herdadas do Plano Real – ao lado de reiterar a
importância de mantê-la sob controle –, o Partido mantém a proposta de que se
dilate o tempo para que sejam cumpridas as metas para ela fixadas. E apoia os
esforços do governo para elevar a taxa de investimentos, mantendo aportes do
setor público e persistindo em atrair o investimento privado sobretudo, nos
setores de infraestrutura e energia.
O
PCdoB reafirma sua proposta de se buscar de modo progressivo e ordenado uma
taxa de câmbio competitiva. Uma das grandes questões estratégicas do
desenvolvimento brasileiro é enfrentar as pressões objetivas dos grandes polos
da economia mundial que empurram o Brasil para a reprimarização e o
definhamento do parque industrial nacional. Uma política de juros condizente,
associada a uma taxa de câmbio competitiva e somada a uma forte política de
inovação, constitui um eixo de medidas para se enfrentar essa nociva tendência.
Neste
momento em que as forças conservadoras, além de tentar golpear a democracia,
empreendem uma ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, o PCdoB reafirma
sua concepção de que o trabalho é um fator decisivo para o desenvolvimento e
sublinha a importância de se ampliar e intensificar a luta política pela
valorização do trabalho e contra a regressão de direitos. Neste sentido, o
combate ao Projeto de Lei da terceirização, capitaneado por centrais sindicais,
deve ser reforçado para barrar esta tentativa de impor uma pauta regressiva
contra direitos históricos dos trabalhadores.
Enfim,
se impõe ao governo desencadear um novo ciclo de desenvolvimento com a retomada
do crescimento econômico como norte e perspectiva para o país, superando o
esgotamento do atual ciclo. Tarefa cujo êxito exige a redução da taxa de juros,
o aumento dos investimentos e o desencadeamento de uma agenda positiva que
demonstre a execução do programa vitorioso nas urnas.
5
– Constituir uma frente ampla, democrática e patriótica e recompor a base
social
Partindo de uma realidade na qual a
direita neoliberal e seu consórcio assumiram o domínio do fluxo da luta
política, impõe-se como tarefa maior, estruturante das demais, construir, agora
e já, uma frente ampla com todas as forças possíveis do campo democrático e
patriótico, interessadas na defesa da democracia, da economia nacional e da
retomada do crescimento. Somente uma frente dessa natureza que una as forças
patrióticas, progressistas e democráticas da Nação será capaz de enfrentar,
isolar e derrotar o consórcio da oposição que na ofensiva trama o retrocesso.
Essa
frente ampla, nas atuais circunstâncias, irá se constituir a partir de
bandeiras que respondam aos anseios mais vivos e sentidos por todos aqueles que
têm compromisso com o Brasil e lutam por avanços. Essas bandeiras, já
detalhadas por este documento, sinteticamente são: Defesa da democracia, da
legalidade, do mandato legítimo e constitucional da presidenta Dilma; defesa da
Petrobras, da economia e da engenharia nacional; combate à corrupção, fim do
financiamento empresarial das campanhas; e pela retomada do crescimento
econômico do país e garantia dos direitos sociais e trabalhistas.
A
construção dessa frente é uma tarefa das lideranças do conjunto dos partidos da
base aliada, e mesmo de personalidades da sociedade civil que apoiem ou não o
governo, mas que tenham afinidade com as bandeiras acima assinaladas, dentre
outras. A esquerda, sem abdicar de sua pauta, deve se empenhar ao máximo por
esse empreendimento mais candente.
Essa
ampla aliança, também, se formará com o protagonismo da presidenta Dilma, de
uma ação constante – apoiada em núcleo político plural consoante ao perfil
heterogêneo da coalizão – para pactuar uma recomposição da base política que
assegure ao governo maioria no Congresso Nacional. Demanda que implica esforços
para agregar os partidos de centro enquanto parte importante da base aliada. De
igual modo, cabe à presidenta liderar a reaglutinação da base social que apoiou
sua reeleição — os trabalhadores e trabalhadoras, as massas populares e os
empresários do setor produtivo —, buscando, inclusive, expandi-la.
Nas
condições atuais, é muito relevante, também, o papel de Luiz Inácio Lula da
Silva, hoje o maior líder político do povo brasileiro. O seu contínuo apoio à
presidenta Dilma, desde a apresentação como sua sucessora até hoje, em última
instância é uma retaguarda significativa para sustentação do atual governo.
Lula encarna, dentro e fora do país, a esperança pela perspectiva de um Brasil
democrático, soberano e desenvolvido, de justiça social, solidário com nossos
vizinhos e os povos do mundo.
É
igualmente necessário, para se reverter a presente situação política adversa,
fortalecer o papel destacado da esquerda no âmbito da frente ampla. Com base nas
bandeiras convergentes e de apelo social relevante – algumas aqui assinaladas
–, impõe-se constituir, como o PCdoB tem sublinhado, um bloco de esquerda e
progressista, político e social, que reúna partidos, organizações, entidades,
lideranças de amplos setores do povo, da cultura e da intelectualidade,
sociedade em geral, capaz de fazer vicejar uma
ação comum que possa fazer acontecer uma ampla mobilização social e popular – sem o que não se derrota o golpismo da direita, nem se impulsiona a realização das reformas estruturais democráticas.
***
É
tempo de luta!
Hora
de esclarecer a militância, o povo, os trabalhadores e trabalhadoras, de travar
a luta de ideias nas redes sociais e em todos os espaços possíveis. É hora de
articular, no plano nacional e nos estados e municípios, a mais ampla frente
democrática e patriótica, e no seu âmbito fortalecer o bloco social e político
de esquerda e progressista. É hora de mobilizar o povo, travar a batalha das
ruas.
O
que está em jogo é o ciclo progressista, um projeto de Nação, a possibilidade
real de o país avançar no caminho de um desenvolvimento soberano, de mais
democracia, mais crescimento econômico, mais progresso e inclusão social, com o
protagonismo do país no processo de integração continental.
Parte
II
Atualizar
e efetivar as linhas de construção partidária
1
– O lugar político
Mudou
a conjuntura política, econômica e social do país. Mudaram, assim, as condições
para a acumulação de forças do PCdoB. Os desafios táticos de 2015 se somam às
lições críticas a se extrair do revés eleitoral de 2014*, onde o Partido
reduziu em um terço sua votação e sua bancada federal, num clima de intenso
ataque contra a esquerda, sob a bandeira do antipetismo. Eles reclamam um exame
acurado das transformações em curso na sociedade brasileira, onde a esquerda
política e social sofre uma dispersão, com dificuldades de sintonia com vastas
camadas sociais nos grandes centros urbanos, o que agrava a crise de
representação política como um todo.
A
questão central para renovar o enfrentamento dos obstáculos e deficiências na
ação e construção partidária é afirmar a identidade partidária. É preciso
ajustar o lugar político a ser disputado pelos comunistas no cenário nacional e
na esquerda brasileira. Trata-se de questão estrutural para firmar o caráter e
papel do PCdoB, absorvendo os bônus e ônus contraditórios de integrar o governo
federal, em aliança estratégica com uma força de esquerda hegemônica como o PT,
hoje submetido a pesadas pressões e agressões, perdendo importantes dirigentes
e na defensiva política.
O
fundamento dessa identidade está no Programa Socialista do PCdoB, que expressa
seu ideal comunista e caráter de classe para a atual etapa histórica. Em
síntese, é a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento para atender
às demandas sociais,
progressistas e democráticas do povo
brasileiro e da nação, caminho estratégico do projeto programático de transição
ao socialismo. O lugar dos comunistas será definido pela sua capacidade de
pensar o país estrategicamente, de estabelecer amplas relações políticas e
sociais à luz disso, de alcançar novas escalas na luta de ideias, políticas e
sociais, de consolidar a marca de organização vocacionada para a hegemonia e o
governo do país, um partido bom de lutas e também bom de governo. Mais do que
nunca se deve pôr em foco os problemas-chave para desenvolver essa marca
distintiva e alinhar a ação dos comunistas em todas as frentes. Nada de
concessões a certa visão, de extração ideológica duvidosa, fragmentadora da
unidade e dos interesses do povo e da nação. É hora de enraizar a atuação dos
comunistas nas forças motrizes fundamentais da sociedade, aquelas capazes de
concretizar nosso projeto transformador.
Daí
deriva o firme posicionamento do Partido nos embates destes 12 anos e a que
tenha se comprometido, sem ambiguidades e com independência, com suas
responsabilidades de integrante dos governos Lula e Dilma. O PCdoB tem campo
político definido. Não tergiversa. Está no seu elemento quando se trata de
confrontar a poderosa corrente conservadora reacionária, antinacional e
antipopular, e de unir largas forças políticas e sociais, mesmo heterogêneas,
como é da tradição política do Brasil. Coloca no posto de comando as insígnias
programáticas, os interesses maiores dos trabalhadores e trabalhadoras e do
povo, da soberania e afirmação nacional, de cada vez mais democracia para o
povo brasileiro, da integração regional com nossos vizinhos latino-americanos,
da defesa e promoção do meio ambiente.
Com
esta perspectiva estratégica o PCdoB integra e apoia o governo. Mas o Partido
deve desenvolver, ao mesmo tempo, uma agenda política que dê identidade mais
definida à sua ação política e social. Deve desenvolver tanto a unidade como a
luta, indispensável frente às contradições que marcam a esquerda brasileira, e
disputar com suas próprias opiniões os estratos sociais e forças progressistas
da sociedade. Hoje, concretamente, essa agenda gira em torno das reformas
democráticas. Elas vão ao encontro de profundos anseios da maioria do povo,
propiciam aos comunistas uma autêntica linha de massas, ligam-se em
profundidade com o programa de governo de Dilma Rousseff, além de permitir a
ação comum enlaçando a luta social, política, de ideias e a participação em governos.
Na
mesma perspectiva, a palavra de ordem mais relevante da atualidade é constituir
uma frente ampla democrática, progressista e patriótica, nucleada pela esquerda
e pelas forças progressistas. Urge mais ação frentista, unitária, em lugar de
hegemonismos polares de uma força única. Esse também é o modo de combater as
ameaças regressivas da reforma política – potencialmente capazes de impedir a
representação parlamentar do PCdoB. Há harmonia entre essa visão frentista e a
necessidade, que se acentua, de seguir com a tática de o Partido ter candidatos
majoritários, chapas e coeficiente eleitoral próprio, em especial nas capitais
dos estados e grandes cidades.
2
– Ligação de massa e senso de representação
A ligação de massas e aprofundar o
senso de representação também são pilares da ação política e identitária do
Partido. Desenvolvê-los envolve um exame atualizado das relações de classe,
camadas e estratos sociais do Brasil atual – tradição cara aos marxistas, sem a
qual nenhuma política é bem formulada. Requer-se hoje uma decidida priorização
da construção partidária junto aos trabalhadores e trabalhadoras e aos
segmentos da sociedade mais diretamente envolvidos na luta de ideias.
É
certo e imprescindível que o PCdoB tenha inserção entre os trabalhadores e
trabalhadoras, organizados sindical e politicamente, alvos de forte disputa por
parte das centrais sindicais e das forças de esquerda. Entretanto, outra vasta
camada de novos(as) trabalhadores(as) assalariados(as) – indevidamente chamada
“nova classe média” – foi promovida pelos governos Lula e Dilma, e faz sua
estreia participativa em um tempo de crise e retrocessos da “civilização do
trabalho”. Combinando sua atuação sindical, juvenil, comunitária, feminina,
cultural, anti-homofóbica e antirracista, o PCdoB tem diferenciais positivos
para se vincular também com esses novos estratos da classe trabalhadora. Ao
lado disso, o Partido precisa combater um desvio de perspectiva inaceitável,
que é o fenômeno espontâneo de desresponsabilizar as instâncias partidárias
pela formação, atuação e organização dos trabalhadores e trabalhadoras
comunistas, deixando-as crescentemente a cargo da frente sindical.
Para
o diálogo e a interação dos comunistas com as forças do pensamento avançado em
geral, os intelectuais progressistas da academia, os estratos médios atuantes
na sociedade civil e nas profissões liberais, é preciso dar ênfase à
comunicação, à formação e à luta de ideias e inserir o Partido nas instituições
próprias desses segmentos. Em particular deve-se hoje reexaminar e revigorar as
experiências de inserção e atuação partidária nas universidades e na frente
cultural.
3
– Linhas de acumulação de forças
A
construção partidária, derivada da linha política, exige sinergia e caráter
sistêmico na relação entre as frentes de ação político-eleitoral e de
participação em governos, da luta social e da luta de ideias. Precisa estar
gravado a fogo que só é madura a organização partidária que se empenha com
equilíbrio nas três frentes e que a partir delas se edifica o Partido, em uma
acumulação sustentada. Ou seja: a organização serve à política, mas, em
contrapartida, uma política justa é também aquela que rende frutos na
construção ideológica e organizativa do Partido, ambas se apoiam na luta de
ideias, para a qual deve-se aplicar maiores energias. Isso se correlaciona com
a exigência de que todos os quadros e militantes, onde quer que atuem,
construam de fato o Partido e se empenhem na aplicação dessa linha. Hoje, esse
conjunto de equações ainda está pouco presente no nosso trabalho e em todas as
três linhas de acumulação de forças.
Em
especial na atuação na frente institucional, parlamentar e de governos, mas
também na frente sindical, essa falta de convergência motiva reclamos sentidos
da base partidária. Claro que a frente institucional não é a panaceia para
acumular forças se não se articula com os projetos partidários, com a pauta e
agenda políticas das direções
partidárias. Sem isso, autonomizam-se
interesses, formam-se no Partido núcleos de poder paralelos, estimula-se o
anseio indevido por ocupar cargos, e interesses particulares sobrepujam os
interesses gerais do Partido. Por sua vez, as direções partidárias devem
formular projetos políticos que potenciem o trabalho dos detentores de cargos
indicados pelo Partido, numa ação de responsabilidade recíproca.
Quanto
à intervenção dos comunistas na luta social, é necessário superar
insuficiências na articulação política e os limites das pautas meramente
corporativas. Para isso – e também para ligar a ação nos movimentos sociais
organizados aos numerosos movimentos de massas e âmbitos de atuação na
sociedade civil –, se indicou a instituição de Fóruns de Movimentos Sociais
como instâncias de direção do PCdoB.
4
– Persistir na linha básica, partir do patrimônio acumulado
A
atual conjuntura requer consciência das restrições a um crescimento extensivo e
espontâneo das fileiras do PCdoB. É preciso redirecioná-lo nos rumos indicados,
partindo-se de um duplo patrimônio acumulado. O primeiro são as orientações
fundamentais e linhas básicas para a ação e construção partidária, elaboradas
pela inteligência coletiva e consagradas nos cinco Congressos do Partido desde
1992, em plena crise do socialismo; elas ganharam um impulso decisivo a partir
da 9ª Conferência, em 2003, com a histórica vitória de Lula, propiciando a
construção de um partido comunista de quadros e de massas de militantes e
filiados.
Segundo,
o patrimônio da influência e estrutura alcançado nestes anos – nas frentes
institucionais, nos movimentos sociais, na luta de ideias e na estruturação
partidária em dois mil comitês municipais, em 27 Comitês Estaduais e no
Distrito Federal. Este acervo (vide anexo ao final desta parte do documento)
precisa ser firmemente preservado e posto em ação para se enfrentar os novos
desafios. Neles residem alavancas para se promover os reposicionamentos
apontados e reforçam a sua identidade política.
Nesse
sentido, entre as conquistas mais recentes, a gestão do Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação e do governo do Maranhão, em particular, tem papel
saliente. Na esfera da ciência, a atuação dos comunistas tem passado e tem
presente. Tecnologia e inovação estão no âmago do projeto nacional de
desenvolvimento – que compreende produtividade e competitividade na economia, com
destaque para os setores nevrálgicos, fortalecimento do Estado, da defesa, da
empresa nacional e dos centros de produção científica. Por sua vez, a conquista
do governo do Maranhão, expressiva vitória dos comunistas liderando uma ampla
aliança política, abre uma experiência inédita para o PCdoB. As forças
progressistas e democráticas e a opinião pública em geral, em todo o país,
acompanham com interesse nosso desempenho no cumprimento do projeto Maranhão
com Desenvolvimento e Justiça social, como parte integrante do novo projeto
nacional de desenvolvimento.
Persistir nas orientações e linhas é
necessário porque elas são duradouras, correspondem às condições do presente e
se referenciam na experiência passada do PCdoB; e igualmente porque elas são
uma obra em aberto, comportando e exigindo novos desenvolvimentos que as
consolidem com convicção e confiança. Persistir em amadurecê-las, pois que são
recentes, demanda tempo prolongado até que se consolidem em todo o coletivo
partidário. Persistir porque elas fornecem as bases e armas no combate às
tendências que rebaixam o papel estratégico do Partido. Persistir, enfim,
porque fornecem eixo para sua própria crítica visando a promover as correções,
ajustes e atualizações que a experiência aconselhe.
5
– Superar a crise de realização das linhas
A
vida partidária cotidiana mostra que os fundamentos estabelecidos no Estatuto
de 2005 e na Política de Quadros de 2009, assim como nas linhas de construção
organizativa, não se efetivam integralmente. Há aí uma espécie de crise de
realização. Isso se deve principalmente a fatores subjetivos – convicções,
assimilações e dedicações dos quadros – e à condução partidária por meio da
Política de Quadros. A saúde do Partido demanda rigor e denodo na aplicação do
Estatuto e das linhas traçadas, desprendimento e disciplina dos quadros na
condução da vida partidária. Mas isto ainda não basta. O Partido precisa de
mais quadros com dedicação intensiva ao longo dos seus mandatos nas diversas
frentes de atuação e organização partidária. Há pressões permanentes pelo
desequilíbrio dessa equação, o que enfraquece núcleos dirigentes, e desmotiva
os quadros intermediários e de base, bem como a militância. Consequentemente, é
necessário maior trabalho ideológico cotidiano e maior esforço de propaganda
nas fileiras partidárias.
Mas
não se pode ignorar também pesados contingenciamentos objetivos que refreiam a
realização das linhas partidárias. Pesam aí a montanha das tarefas a cumprir, a
escassez de recursos humanos e materiais, as dimensões continentais do país, os
vícios do sistema eleitoral. As diferentes estratégias testadas nos últimos
anos não lograram realizar plenamente os objetivos essenciais fixados no 7º e
8º Encontros Sobre Questões de Partido: fortalecer os comitês municipais dos
300 maiores municípios do país, priorizando as capitais, e dotar o Partido de
vida militante através dos quadros de base; consequentemente, eles continuam na
ordem do dia.
A
efetivação das prioridades intensivas da construção partidária atual requer uma
estratégia hierarquizada, focada, planejada e controlada. A esfera do trabalho
organizativo tem papel central nisso. Ela é o vértice do esforço coletivo
visando a dar plenitude à Política de Quadros como modo de induzir o rumo da
construção; ao mesmo tempo, carece de ter uma atenção mais concentrada no labor
propriamente organizativo. Esse setor em geral precisa de mais quadros
capacitados e experientes, fortes Comissões de Organização e, eventualmente, de
outros perfis e métodos de trabalho de seus titulares, para que haja efetivo
controle da aplicação da linha e rigor no cumprimento dos planos. É preciso um
choque de energias dedicadas à qualidade da vida partidária –
política e de ação de massas,
ideológica e organizativa –, a ser obtido por um esforço sinérgico entre a
frente de Organização e as de Formação e Propaganda, de Comunicação e de
Finanças. Nesta última, são graves as condições do financiamento da atividade partidária,
o que traz urgentemente para a pauta o aumento das receitas militantes, com
disciplina e sem tolerâncias com o liberalismo, fazendo cumprir os deveres de
todo e qualquer membro do Partido.
O
foco para essa estratégia segue sendo priorizar o trabalho nas capitais,
fortalecer suas direções e forjar os fóruns de quadros de base como alavancas
para a atividade militante de base. O Partido deve definir, dirigir e apoiar os
quadros de base enquanto um elo determinante da vida militante organizada. O outro
elo é priorizar os Comitês Municipais das demais grandes cidades do país,
constituir neles um núcleo básico de direção, com disposição e disponibilidade
para se dedicar à condução partidária, com forte trabalho organizativo. Quadros
experientes devem ser reposicionados para induzir essas mudanças e para
impulsionar, com um olhar novo, a construção partidária nos citados setores
vitais da luta de classes. A condução desse movimento estratégico cabe aos
Comitês Estaduais. Uma medida concentrada nacionalmente, em exame, é instituir
encontros anuais visando a estimular, apoiar e controlar sistematicamente o
trabalho dos 200 maiores Comitês Municipais, especialmente os das 27 capitais.
Debater
e tornar realidade estas diretrizes da 10ª Conferência, acerca da construção
partidária, são iniciativas que devem estar no foco das conferências ordinárias
do PCdoB a serem realizadas no segundo semestre deste ano em todo o país.
Parte
III
A
Sucessão da Presidência Nacional do PCdoB
A
sucessão da presidência nacional do PCdoB é um tema e propósito introduzidos
por seu presidente, Renato Rabelo, mais especificamente desde o 12º Congresso
do PCdoB, realizado em novembro de 2009, fundamentado nos preceitos da Política
de Quadros Contemporânea aprovada na mesma ocasião. Nas últimas décadas, a
partir das experiências do movimento comunista e revolucionário, vários
partidos comunistas têm colocado em prática novas formas de sucessão, levando
em conta as características peculiares a cada situação. O PCdoB também tem construído
seu caminho próprio, considerando a nossa própria experiência e as condições
contemporâneas. Assim, definiu a metodologia e o caminho da sucessão da
presidência nacional do PCdoB, que resultou no processo que culminou na 10ª
Conferência Nacional.
1
– Trinta anos de legalidade, tempo inédito na história do Partido
O
Partido Comunista do Brasil percorreu a maior parte do tempo de sua existência
na clandestinidade. Estruturou-se em função desta condicionante histórica como
um Partido de quadros, e as mudanças e promoções na direção partidária ocorriam
geralmente, na prática, pela via da cooptação. Nesse curso, forjou
quadros notáveis na renhida luta de classes, que lhe garantiram vida
ininterrupta, sustentando sua
organização, da qual somos continuadores.
Apenas em curtos períodos de legalidade o Partido pôde ampliar rapidamente sua
militância, como a partir de 1945, com a derrota do nazi-fascismo no mundo e o
avanço democrático no Brasil. Mas, essa situação durou somente até o começo de
1947, o que não permitiu a continuidade do desenvolvimento orgânico de um
partido moldado com a experiência de ser estruturado na relação entre quadros e
ampla massa de militantes.
O
Partido Comunista do Brasil completa, em 2015, 30 anos de vida na legalidade. É
o maior tempo contínuo de toda a sua história em que o Partido deixa de ser
proscrito. Novas condições e exigências que resultaram na experiência
percorrida nesses anos de legalidade forjaram o PCdoB com base nas profundas
opções ideológicas feitas desde sua reorganização em 1962, ratificadas,
renovadas e atualizadas no seu 8º Congresso, em 1992. O seu fortalecimento
nestes anos recentes foi fruto dessas opções. Firmou-se como a legenda
comunista do país.
O
PCdoB persistiu na defesa da identidade comunista, do seu caráter
revolucionário e anti-imperialista, no esforço da assimilação da concepção
dialética marxista, refletindo as exigências e os desafios da luta de classes
na contemporaneidade no Brasil e no mundo. O PCdoB é, assim, concebido como
vanguarda desse movimento histórico e ao mesmo tempo como parte do bloco de
forças políticas avançadas do país.
Construir
um partido comunista, revolucionário, para a nossa época histórica, depois dos
reveses estratégicos das primeiras experiências de construção da nova sociedade
socialista no século XX, tem sido um grande desafio. Os comunistas são
herdeiros de toda a história do magno empreendimento revolucionário iniciado
pela Grande Revolução de Outubro na Rússia, em 1917. O marxismo-leninismo, base
teórica para a revolução dos trabalhadores e trabalhadoras, se tornou
universal, não o específico modelo de socialismo que prevaleceu para
determinado período histórico na União Soviética e no mundo no início do século
XX. Os ensinamentos do século passado demonstram que não existe um modelo
único, universal de socialismo.
2
– Programa Socialista atualizado e Estatuto renovado
A
conformação atual do Partido Comunista do Brasil se dá em resposta ao seu
pensamento programático e estratégico para o nosso tempo – caracterizado pela nova
luta pelo socialismo –, expresso no período recente pelo Programa do PCdoB
de 1995, e culminado com o Programa Socialista atualizado de 2009. Este
documento indica o rumo estratégico e a tática geral para o caminho político
dos acontecimentos recentes no Brasil, relacionado ao período aberto pelo
governo de Luiz Inácio Lula da Silva – fase definida e orientada originalmente
na 9ª Conferência Nacional, em 2003.
Em
contraste com os períodos de clandestinidade, dando conta de uma atuação legal
que hoje já completa três décadas e em resposta ao projeto estratégico do
Partido, passamos a contar com um Estatuto renovado aprovado no 11º Congresso
de 2005. E, com base nele, diante das exigências orgânicas para a nova
situação, alcançamos formular
diretrizes para uma política de
quadros atualizada, aprovada no 12º Congresso, em 2009.
Na
luta pela construção do PCdoB, temos nos empenhado na edificação do partido
comunista de princípios, com larga estrutura de quadros de feições modernas,
fortalecido em sua vida orgânica à escala de centenas de milhares de membros,
voltado para as múltiplas demandas da ação política crescente e de sua grande
complexidade na atualidade.
O
novo Estatuto já aprimora a inter-relação inseparável do sentido da permanência
– identidade e caráter do Partido – e, ao mesmo tempo, manifesta o sentido
da renovação – o partido comunista contemporâneo que segue caminhos
originais para responder aos reclamos da classe trabalhadora do nosso tempo e
fortalecer a luta de sentido revolucionário.
3
– Quadros dirigentes – renovação e alternância
A
política geral de quadros traçada ordena duas categorias que exprimem a busca
do aperfeiçoamento dos papéis e funções dos quadros dirigentes do PCdoB: a renovação
para dar suporte ao projeto político e fazer brotar gerações de dirigentes
capazes de tornar a vida partidária viva e atuante; a alternância tendo
em conta o grau de maturação do Partido em cada situação, com afirmação da
nossa ideologia e a política no comando.
Nesse
esforço de revolvimento e atualização temos vivido novas etapas para
fundamentar a construção da unidade e do incremento das ideias e políticas
justas no seio do Partido. Coloca-se em evidência o esforço metodológico que a
direção tem realizado para que se institucionalize na prática o primado da
inteligência coletiva, primordial para a predominância da unidade partidária e
para a elaboração de uma política exitosa; para favorecer um ambiente de
liberdade de opinião individual e discussão, tendo sempre uma atitude franca e
persuasiva com as discrepâncias e divergências; para promover o respeito de
todo o Partido ao centro único de direção e à orientação aprovada e
estabelecida pela maioria, na justa aplicação do princípio diretor do
centralismo democrático.
4
– Quadros dirigentes preparados para os grandes embates
Hoje
compomos a quarta geração de comunistas, em linha com os 93 anos de existência
do Partido Comunista do Brasil (alguns da geração atual, fazendo parte da
direção desde a recomposição do coletivo dirigente da terceira geração). Temos
procurado estar à altura das responsabilidades, apesar dos nossos limites,
nesta etapa histórica. Temos a convicção – indicada nos documentos e Resoluções
aprovadas no 13º Congresso, em novembro de 2013, e nas recentes Resoluções da
Direção Nacional – do papel fundamental da luta política e ideológica. E que o
mundo e o Brasil caminham para grandes desenlaces de embates políticos e de
classes no curso incessante do limiar do século XXI. Nesse sentido, muito temos
realizado, mas, em comparação com as
necessidades e a dimensão da tarefa
histórica que se coloca diante de nós, ainda é modesto o resultado que temos
alcançado.
O
contexto histórico é de um tempo de aprofundamento das contradições da crise
global do sistema capitalista e da transição conflituosa da ordem mundial, de
novos e ingentes desafios, na busca de alternativa que supere o regime
capitalista e seu domínio planetário, numa luta permanente de um período
histórico de duração imprevisível. Diante desta realidade contemporânea com
novas e maiores exigências, tem sido desprendido um grande esforço pelo PCdoB
na busca da relação dialética entre a permanência e a renovação na construção e
edificação partidária e na formação geral e especializada dos seus quadros.
5
– O contexto da sucessão presidencial no PCdoB
É
nesse itinerário que a sucessão da presidência nacional do PCdoB adquire suma
importância, como consequência do caráter do partido que lutamos por construir,
inscrito por compromissos de legados históricos e por perspectivas que orientam
e anseiam por crescente avanço civilizacional. O PCdoB compreende plena
liberdade de opinião, mas não tem correntes organizadas no seu seio. Todas as
decisões, sobretudo as mais importantes e significativas, são construídas no
sentido de maior unidade e aplicação por todo o Partido.
A
nossa causa vai além da de um convencional partido de esquerda. Nossa causa tem
sua essência em manter a identidade comunista e revolucionária, vincada na
consciência histórica da construção de uma nova sociedade que suplante o
capitalismo; e que persista na busca da alternativa socialista para o século
XXI, baseada na universalidade do marxismo-leninismo e nas experiências
socialistas do século passado, com uma assimilação crescente das novas
exigências do nosso tempo. E desde agora nos propomos a confrontar o
conservadorismo dominante, o hegemonismo ideológico e político do imperialismo
e do sistema capitalista neoliberal; e a continuar ousando construir – no curso
político presente – um partido comunista, de classe, patriótico,
internacionalista, que luta pelo caminho brasileiro para o socialismo,
respeitado e influente. O mais recente 13º Congresso do PCdoB, as decisões
atuais do seu Comitê Central demonstram seu empenho nesse sentido.
O
Partido Comunista do Brasil, por sua trajetória e circunstâncias históricas,
não chegou a formatar um modelo, ou contar com uma jurisprudência que definisse
o modo e a metodologia do processo sucessório da presidência nacional do
Partido. O grande dirigente de nosso Partido, João Amazonas, afirmava: “Não
existe cargo vitalício no Partido”.
Hoje,
a partir da experiência percorrida e por uma compreensão maior do lugar do
Partido nas condições atuais, demos passos para delinear o processo sucessório
da presidência nacional do PCdoB. Conseguimos estabelecer que o procedimento de
construção unitária dos órgãos de direção fosse aprimorado, escrito em norma
estatutária. Trata-se de um processo
consciente e dirigido, de consultas multilaterais, com debates abertos em
plenárias e no Partido, assegurando a frontalidade e a franqueza no tratamento
da questão.
No
âmbito da direção nacional avançamos persistentemente para edificar um novo
sistema de direção, a fim de que a Comissão Política Nacional (seguindo
preceito estatutário) ocupe seu papel de direção política geral e centro
gravitacional na elaboração da orientação do Partido, para aprovação em última
instância do Comitê Central. Estamos construindo, apesar dos limites, um corpo
de secretarias, comissões, coordenações, assessores e especialistas em temas
essenciais para realizar as tarefas fundamentais do Partido.
Com
base nesse arcabouço de categorias, normas e estruturas tem-se procurado já
conformar procedimentos de sucessões de presidências no nível dos Comitês
Estaduais. Em geral se procura estabelecer uma forma de transição, já indicando
para isso o/a sucessor/a, conduzida de acordo com o amadurecimento, pelo
Partido, da solução sucessória em cada situação. Na realização das Conferências
Estaduais, nos estados de maior dimensão do Partido, e outras já compreendidas
nessa nova fase, alcançamos em grande medida êxitos na renovação e alternância
dessas direções.
O
curso da sucessão da presidência nacional do PCdoB, aprovada pelo Comitê
Central eleito no 13º Congresso, depois de várias etapas sucessivas
percorridas, foi um grande acontecimento de aprendizado político, ideológico e
organizativo.
Este
processo transcorreu assim que – apreciando como justa a indicação proposta
pelo Comitê Central cessante – o Comitê Central eleito no 13º Congresso,
realizado em 16 de novembro de 2013, aprovou a Resolução: “Reeleição de Renato
Rabelo presidente nacional, para um período de transição até o primeiro
trimestre de 2015, com a indicação do nome da deputada Luciana Santos para a
vice-presidência para sucedê-lo na presidência nacional na ocasião em que o
novo Comitê Central convocará o debate em todo o Partido, por meio de Conferência
Nacional, para efetivar a substituição”.
6
– Confiança no descortino das novas gerações de comunistas
Esse
é um fato marcante na extensa história do Partido Comunista do Brasil. É a
primeira vez que o PCdoB vai ter na sua presidência uma mulher, demonstrando a
sua coerência no que indicam o seu Programa, o seu Estatuto e suas inúmeras
Resoluções acerca da luta consequente pela emancipação da mulher.
Luciana
Santos preenche os critérios básicos estabelecidos e reconhecidos: compromisso
com a causa comunista e revolucionária, identificação com o pensamento
programático e estratégico e com a natureza do Partido; dedicação ao
fortalecimento da unidade do Partido. Luciana é respeitada e estimada perante o
coletivo partidário; e tem dedicação pelo conhecimento e assimilação da nossa
teoria básica. E apresenta os critérios candentes para a presidência: esforço
pela aplicação e elaboração política e
pelo protagonismo político; liderança
respeitada dentro e fora do Partido, complementada com uma fisionomia de
expressão pública em crescimento.
Luciana
Santos, engenheira eletricista, vice-presidente nacional do PCdoB desde
novembro de 2009, eleita no 12º Congresso, membro do Comitê Central desde 2001,
no 10º Congresso. É originária de família progressista, na qual seu pai se
destacou com larga militância comunista. Tem uma trajetória de dedicação ao
PCdoB, e de contribuição e encargos crescentes no nosso Partido no âmbito
estadual e nacional. Tem 49 anos de idade, 30 de militância política, e 27 anos
de militância no PCdoB, oriunda da escola da nossa militância juvenil, onde
exerceu vários cargos representativos dos estudantes universitários, desde a
presidência de Diretório Acadêmico, dirigente de DCE, vice-presidente regional
da União Nacional dos Estudantes (UNE). Formada inteiramente no PCdoB, quando
se filiou em 1987, concorreu pela primeira vez a um cargo público, em 1992,
como candidata a vereadora em Olinda. Assumiu dois mandatos de deputada
estadual em Pernambuco. Em 2000 foi eleita prefeita de Olinda, e reeleita em
2004 no primeiro turno. Assumiu a secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio
Ambiente de Pernambuco, em 2009. Eleita deputada federal em 2010 e reeleita em
2014, assumiu a liderança da bancada comunista já no segundo ano de seu primeiro
mandato. Na Câmara dos Deputados atua em várias comissões, como a de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática, a de Cultura, a de Desenvolvimento
Urbano, e agora a de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e a de Educação.
Foi presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. Tem como sua
característica de militância – observada por todos que a acompanham – o
espírito de luta, o foco no trabalho, na relação de amizade, a simplicidade,
dedicação, serenidade e persistência na realização de seus compromissos
partidários.
O
partido comunista deve ser um organismo vivo, de vida contínua e permanente,
constituído de dirigentes e militantes, consentâneos com as exigências de cada
tempo histórico. Os quadros de maior compromisso ideológico crescem e se
revelam quando vão assumindo maiores responsabilidades, tornando-se à altura
das grandes tarefas. Vão se formando no PCdoB na confiança no papel e no
descortino das novas gerações dos quadros partidários, em conjunção com a
valiosa experiência dos veteranos, e no desempenho e elevado compromisso de
Luciana em conduzir o PCdoB, juntamente e apoiada pelo bloco de quadros mais
preparados e compromissados e de todo o Partido. Apoio este que se explicitou
em todos os espaços de debates desta 10ª Conferência. Somente assim é possível
continuar sempre a luta incessante para a vitória da grande causa da
emancipação nacional e social do nosso povo, do avanço civilizacional indicado
no nosso Programa – alcançar o socialismo em nossa terra brasileira.
São
Paulo, 31 de maio de 2015
10ª
Conferência Nacional do Partido Comunista do Brasil
(Ratificado
pelo Comitê Central do Partido Comunista do Brasil em 31-05-15)
Anexo: Uma súmula da realidade
partidária
O
PCdoB em atividade permanente envolve 356 mil filiados, mais de 100 mil
militantes em 27 comitês estaduais e do Distrito Federal, atuando em cerca de
dois mil comitês municipais.
Dos
27 Comitês Estaduais e do Distrito Federal, tem estrutura mais avançada e
madura em dez deles, e com avanços significativos em outros doze.
Quanto
aos Comitês Municipais, está presente em todos os 300 maiores municípios do
país, com estrutura básica ou avançada. Interiorizou-se fortemente nos últimos
anos, com uma estrutura e atuação predominantemente ativista a partir de núcleos
dirigentes nos pequenos e médios municípios – em geral, com atividade sindical
e juvenil presente –, até a de comitês mais maduros, mas às voltas com
carências de direção, sem estrutura organizativa à altura de suas tarefas
políticas e sociais.
Tendo
em conta as três frentes essenciais de acumulação de forças e os esforços de
estruturação partidária, tem uma realidade multifacetada em termos de graus de
maturação.
Observa-se
uma atuação mais uniforme no conjunto das três frentes em oito estados, são
eles: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará,
Pernambuco e Pará. No Amazonas e no Acre, no que pese destacada participação na
luta social e presença na frente parlamentar institucional, observa-se um
déficit no trabalho com os instrumentos para a luta de ideias. No Maranhão tudo
está envolto em dinamismo próprio da vitória recente. Nos demais estados há
oscilações e pesos diferentes para cada frente ou uniforme debilidade.
Tem
Secretarias Sindicais nos 27 estados. A CTB está presente em todos os estados e
em 25 desses as seções são presididas por um membro do PCdoB, além da CTB
nacional. Também participamos das direções da CONTEE, da CNTE e da CONTAG. A
influência no movimento sindical é mais forte no meio dos professores, dos
metalúrgicos, da construção civil, dos bancários e dos trabalhadores e
trabalhadoras rurais.
Tem
Secretarias de Juventude em 17 estados. A UJS está presente em todos os estados
e em 19 tem direção consolidada, tem ainda hegemonia na UNE, UBES, ANPG além de
importantes entidades estaduais, tais como a UEE-SP.
Tem
Secretarias de Movimentos Sociais em 16 estados e logrou constituir as
instâncias de Fórum dos Movimentos Sociais em 13 deles. A UNEGRO tem
representação em 24 estados e em 15 tem direção consolidada. Em nove estados, o
Partido participa do movimento LGBT, exercendo razoável protagonismo em pelo
menos cinco desses, inclusive são filiadas ao PCdoB as maiores lideranças do
movimento nacional LGBT. Os comunistas atuam no Movimento Comunitário em 23
estados, em sete desses exerce maior protagonismo, além da CONAM. O Fórum de
Movimentos Sociais foi instituído
em 20 estados e tem funcionamento
regular em 13 desses. Os comunistas estão presentes no Movimento de Luta pela
Terra (MLT), que atua em 14 estados. O Partido tem Secretarias de Mulheres em
26 estados, em 13 deles, consolidadas. A UBM tem seção em 26 estados e está
consolidada em 17, em vários estados tem assento nos Conselhos dos Direitos da
Mulher. O Fórum Nacional Permanente do PCdoB sobre a Emancipação da Mulher –
conquista das mais avançadas da luta partidária – tem funcionamento regular e
está organizado também em outros 7 estados. Em vários desses estados tem
atuação organizada na frente cultural, no Hip Hop etc. Tem uma Secretaria de
Cultura com um nível de estruturação e coletivos de cultura em vários desses
estados, atuando, em alguns casos, junto à frente pela democratização da
comunicação.
Em
termos de estrutura de direção, com vistas à efetivação das linhas de
construção partidária, tem Secretarias de Formação e Propaganda em todos os 27
estados. Quanto aos instrumentos para enfrentar a luta de ideias, a Escola do
PCdoB funciona com atividades regulares em oito estados, em outros sete tem
atividades esporádicas. A Fundação Maurício Grabois tem seções organizadas em
seis estados. Nenhum estado tem cota definida para o trabalho com a Revista Princípios
assim como para com os livros publicados pelo esforço partidário, que tem
tiragem média de 1000 exemplares.
Tem
Secretarias de Comunicação em 21 estados. O Portal Vermelho tem 11
seções com trabalho mais permanente e outras quatro com trabalho esporádico.
Na
luta institucional, governa o Maranhão, tem representação no Senado pelo
Amazonas, 13 deputados e deputadas federais em exercício por nove estados, 25
deputados e deputadas estaduais em 16 estados, 57 prefeitos, centenas de
vereadores incluindo 19 capitais. Integra primeiro escalão de governos estaduais
em 11 estados, e em 11 capitais de estado.
Na
sua atividade internacionalista, o Partido tem intensificado suas relações de
amizade, intercâmbio e cooperação com partidos com os quais se relaciona e tem
realizado variadas ações de solidariedade internacional e de luta pela paz com
atividades próprias e apoiando o Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade e
Luta pela Paz).
Em
termos de estruturação, à luz do 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido
– organização militante pela base –, constata-se que não há rede orgânica
suficientemente ativa para sustentar mais profunda ligação com as massas como
redutos eleitorais capazes de garantir a eleição de seus representantes.
À
luz do 8º Encontro, confirma-se o alerta, com declínio eleitoral nas capitais
desde 2010, não obstante ter melhorado o desempenho geral partidário no
restante dos demais 300 municípios.
Pano
de fundo dessa realidade é a generalizada carência de recursos materiais, para
a qual não se alcança solução.
Nota do § 1:
* Tais orientações se encontram em inúmeros documentos
partidários, em especial o da 9ª Conferência Nacional, o Estatuto aprovado no
11º Congresso, a Política de Quadros Contemporânea aprovada no 12º Congresso,
juntamente com o Programa Socialista, o dos 1º, 2º, 7º e 8º Encontros Nacionais
sobre Questões de Partido.
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