Água – líquido precioso e finito desdenhado pelo homem
O planeta Terra começa a ter que se preocupar – mais
ainda – com a água. Em alguns países, o problema é grave. O Brasil é um desses
países, mas nosso caso, em que pese a continentalidade e as diferenças
climáticas, o agravamento faz parte de má gestão.
Países asiáticos onde o crescimento populacional também
é vigiado há anos, a alternativa do reuso é antiga. No início da década de 80,
mais precisamente 1980, Henrique de Souza Filho, cartunista conhecido entre nós
por “Henfil”, nos presenteou com a primeira edição do livro “Henfil na China”,
onde narrava suas experiências na terra de Mao Tsé-Tung.
E, numa muito feliz passagem, Henfil citava uma
experiência nova e desconhecida para ele: o reuso da água. A água utilizada na
descarga das instalações sanitárias era tratada e usada na agricultura. Mais
estranho ainda, citava Henfil, era o encaminhamento da urina humana para um
moderno sistema de captação. Da urina, naqueles tempos, os chineses
aproveitavam o líquido e a amônia.
“Grandes regiões metropolitanas do
mundo podem enfrentar problemas graves de falta de água. O Brasil não está
livre desse risco. Para o economista Gesner Oliveira, Ph.D. pela Universidade
da Califórnia em Berkeley e presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, há duas
medidas urgentes a serem tomadas para evitar que a situação atinja o nível de
calamidade. A primeira é combater o desperdício. No Brasil, 37% da água tratada
são desperdiçados e sequer chegam às torneiras. A segunda é ampliar a
reutilização da água, prática comum nos países que são modelo em abastecimento. (Veja
– 6 de agosto 2014). ”
O Brasil enfrenta o problema da água há muitos anos. A
região Nordeste, encravada entre as regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste
convive com a “seca” há muito mais que um século. O semiárido nordestino há
muito é o responsável pelo êxodo que acaba por sobrecarregar o sudeste, levando
para ali problemas urbanos indesejados – densidade populacional e violência
urbana.
São Paulo, o Estado de maior densidade populacional do
Brasil, ainda sofre com a estiagem que acabou por delimitar o uso da água,
impondo regras, fazendo reviver a ideia do reúso – mas antevendo que vem
aumento de tarifa por aí. Na culminância, escreve-se e registra-se a existência
do mau gestor.
“A reciclagem da água será uma
realidade. Há no mundo um nível de tratamento tal que, ao fim dele, é possível
beber a água que saiu da estação de tratamento de esgoto. Parece repugnante,
mas é usual em Israel, por exemplo.”
(Veja – 6 de agosto de 2014)
A excepcionalidade de ser um país continental dá ao
Brasil um cabedal de situações diferenciadas. A região Norte, ao contrário da
região Nordeste, enfrenta problemas de “excesso” d´água. A perenidade de rios
importantes, como Negro e Amazonas, e a exuberância dos lençóis freáticos
(fala-se, inclusive, na existência de rios subterrâneos na região amazônica) se
espraia por estados da pré-Amazônia e até lhe impõe catástrofes nos períodos
chuvosos.
O Maranhão é um desses estados que enfrentam situações
vexatórias. Com população que ultrapassa a 1 milhão de habitantes, ainda
convive com a excepcionalidade da captação e tratamento d´água e a exigência da
perfuração de poços artesianos.
E tudo vai embora pelo ralo do desperdício, haja vista
a inexistência de campanhas voltadas para o consumo ordenado e responsável por
parte da população – principalmente pelo baixo nível educacional e de
compreensão de que a água é algo finito. Algo que acaba se não for bem usado.
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