domingo, 21 de junho de 2015

Uma gota d´água!





Água – líquido precioso e finito desdenhado pelo homem

O planeta Terra começa a ter que se preocupar – mais ainda – com a água. Em alguns países, o problema é grave. O Brasil é um desses países, mas nosso caso, em que pese a continentalidade e as diferenças climáticas, o agravamento faz parte de má gestão.

Países asiáticos onde o crescimento populacional também é vigiado há anos, a alternativa do reuso é antiga. No início da década de 80, mais precisamente 1980, Henrique de Souza Filho, cartunista conhecido entre nós por “Henfil”, nos presenteou com a primeira edição do livro “Henfil na China”, onde narrava suas experiências na terra de Mao Tsé-Tung.

E, numa muito feliz passagem, Henfil citava uma experiência nova e desconhecida para ele: o reuso da água. A água utilizada na descarga das instalações sanitárias era tratada e usada na agricultura. Mais estranho ainda, citava Henfil, era o encaminhamento da urina humana para um moderno sistema de captação. Da urina, naqueles tempos, os chineses aproveitavam o líquido e a amônia.

Grandes regiões metropolitanas do mundo podem enfrentar problemas graves de falta de água. O Brasil não está livre desse risco. Para o economista Gesner Oliveira, Ph.D. pela Universidade da Califórnia em Berkeley e presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, há duas medidas urgentes a serem tomadas para evitar que a situação atinja o nível de calamidade. A primeira é combater o desperdício. No Brasil, 37% da água tratada são desperdiçados e sequer chegam às torneiras. A segunda é ampliar a reutilização da água, prática comum nos países que são modelo em abastecimento.  (Veja – 6 de agosto 2014).

O Brasil enfrenta o problema da água há muitos anos. A região Nordeste, encravada entre as regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste convive com a “seca” há muito mais que um século. O semiárido nordestino há muito é o responsável pelo êxodo que acaba por sobrecarregar o sudeste, levando para ali problemas urbanos indesejados – densidade populacional e violência urbana.

São Paulo, o Estado de maior densidade populacional do Brasil, ainda sofre com a estiagem que acabou por delimitar o uso da água, impondo regras, fazendo reviver a ideia do reúso – mas antevendo que vem aumento de tarifa por aí. Na culminância, escreve-se e registra-se a existência do mau gestor.

A reciclagem da água será uma realidade. Há no mundo um nível de tratamento tal que, ao fim dele, é possível beber a água que saiu da estação de tratamento de esgoto. Parece repugnante, mas é usual em Israel, por exemplo.” (Veja – 6 de agosto de 2014)

A excepcionalidade de ser um país continental dá ao Brasil um cabedal de situações diferenciadas. A região Norte, ao contrário da região Nordeste, enfrenta problemas de “excesso” d´água. A perenidade de rios importantes, como Negro e Amazonas, e a exuberância dos lençóis freáticos (fala-se, inclusive, na existência de rios subterrâneos na região amazônica) se espraia por estados da pré-Amazônia e até lhe impõe catástrofes nos períodos chuvosos.

O Maranhão é um desses estados que enfrentam situações vexatórias. Com população que ultrapassa a 1 milhão de habitantes, ainda convive com a excepcionalidade da captação e tratamento d´água e a exigência da perfuração de poços artesianos.

E tudo vai embora pelo ralo do desperdício, haja vista a inexistência de campanhas voltadas para o consumo ordenado e responsável por parte da população – principalmente pelo baixo nível educacional e de compreensão de que a água é algo finito. Algo que acaba se não for bem usado.

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