O
vento tem força para balançar a solidão
Gosto de ouvir o vento – ele tem o inconfundível som da
quietude e nos conforta, quando nos encontra em Paz. Gosto tanto de ouvir o vento – ainda que ele
faça o barulho catastrófico da destruição, mostrando o seu poder de fogo (ops!
– de força) – que me ponho a respeita-lo para melhor perceber suas graves notas
musicais.
O fá, o ré, o mi e até o sol, na construção da
partitura do vento – que nos embevece e chega e sai, tão suavemente, que nos
transporta em voos sem asas de um êxtase para outro. O som do vento é belo. Tem
cores tão fortes quanto o arco-íris que a Natureza Divina nos mostra no seu
mural celeste.
Ouço o vento tanto quanto vejo o mar composto por águas
invisíveis, que evaporam até com o mais tênue açoite – do vento!
Dias desses fui ao campo e, chegando lá, sentei.
Sentei, fechei os olhos e comecei a ouvir a Orquestra Sinfônica da Ventania
Celestial, nota por nota, acorde por acorde, passagem por passagem que
transformaram o momento numa verdadeira ópera – Divina, no Teatro Espetacular
da Vida.
E, veja, escutei a bela ópera, gra-tu-i-ta-men-te!
Pagando apenas com as moedas do meu tempo e da minha
Paz.
Eu escuto o vento, em todos os seus mais de 50 tons!
***
Tem posição “top” – para usar o americanismo da
linguagem brasileira – no meu “ranking” de preferências, a noite. A noite é o
único momento das 24 horas que me permite ver a nitidez das estrelas. É na
noite que vejo a beleza que não consegui ver durante o dia – porque a beleza
noturna é invisível durante a claridade do dia.
É só durante a noite, que a claridade do dia vai
embora, ainda que pretenda se preparar para voltar no amanhecer seguinte.
Certa noite contemplei o céu. O céu da noite – e achei
que, de noite, podia olhar melhor para Deus – tem um “que” de nobreza poética;
permite o aconchego ao vento ou debaixo de lençóis. A noite é abusivamente
permissível, ainda que redundante.
Boa noite!
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