domingo, 14 de junho de 2015

Reforma – mas que reforma?

 

Voltamos ao tema Educação. Ele só nos ensina, de uma forma ou de outra. Aprendendo a fazer ou nos ensinando como não fazer. E, pelo que estamos vendo, tem pouca gente fazendo, educando. Muitos preferem tirar proveito.

Meu falecido pai, todos os anos, lutava como se fosse um Caryl Chessman no Corredor da Morte e estivesse cumprindo suas últimas tarefas na vida. Lutava para comprar  “fardas”, livros e sapatos. Aos poucos ia descobrindo coisas – outras, descobria, mas não podia evita-las.

Papai levou anos para encontrar a marca de sapatos Vulcabras 752. Aquela que dura uma eternidade e a cada dia que se calça os sapatos, eles ficam mais gostosos, mais macios. Insubstituíveis. A calça da farda precisava ser comprada todos os anos, pois, muitas vezes, era a única que se tinha e se vestia para quase tudo. Livros e cadernos, todo ano mudavam.

Mas... as aulas começavam todo ano naquele dia marcado. Estudamos por 7 anos seguidos no Liceu do Ceará – que tinha grade curricular de excelência, equiparada à do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Nesses 7 anos (4 do Ginasial e 3 do Científico) nunca as aulas começaram em dias diferentes por conta de “reformas” do prédio.

E é esse o tema central de hoje. Reforma das escolas. Reforma física, pois a curricular muda a cada entrada de Secretário ou de Ministro.

Por que se “reforma” tanto as escolas brasileiras nos dias atuais?

Qual é a “sacanagem” que existe envolvendo essas reformas?

Quem ganha dinheiro com isso?

Então, aproveitem e respondam: por que um Colégio Militar não sofre as mesmas reformas?

Também não imaginem que sou militar da ativa, aposentado ou coisa que o valha. Não torcemos por militares – onde estivemos por longos 18 meses, servindo ao glorioso Exército Brasileiro – pois éramos estudante no período da Ditadura Militar. Mas, cabe a pergunta: por que existe essa distância enorme na gestão de uma escola militar para uma escola civil?

E, pasmem, os militares gestores de escolas militares, sequer tem formação exclusiva direcionada para isso.

No quadro pedagógico, o que é que tanto se muda e se reforma no ensino brasileiro?

Será que “tudo” está sempre errado, precisando mudar todo ano?

E, se muda tanto, por que diabos, a cada ano os alunos aprendem cada vez menos?

Relembro minha falecida Avó que, se viva fosse, diria que a escola pública virou restaurante. E por que só o aluno da escola pública “precisa se alimentar” de forma diferente? Por que não tem “merenda escolar” na escola particular?

Por que são tão assimétricas as grades curriculares de uma escola particular com a de uma escola pública, se os professores são quase sempre os mesmos?

E, acreditem, não se trata de regionalismo. Nem pode haver regionalismo. Nos dias atuais o tal ENEM é algo nacional e, se houvesse regionalismo, muitos estariam prejudicados. O que se pretende ensinar em Curitiba, é o mesmo que se pretende ensinar em Teresina ou em Rio Branco. A única semelhança é que em nenhum desses lugares, ninguém ensina nem ninguém aprende nada. E isso não depende de “merenda escolar” – às vezes, infelizmente, depende das “reformas físicas”.

No final do mês passado fizemos um rápido passeio pelo Rio de Janeiro. Havia 28 anos, depois de morarmos mais de 25, não íamos à Cidade Maravilhosa. Apesar da violência urbana, com o coração saltitando, andamos pelo Centro. Saímos da Central do Brasil e fomos até a Rua Acre, a pé. Mais uma vez passamos defronte ao Pedro II e lá está ele, majestoso, bonito e conservado como se estivesse sendo inaugurado naquele momento.

Por que, com tantos recursos financeiros, não se constrói mais escolas como o Pedro II, como o Liceu do Ceará e como tantos outros que, FELIZMENTE, ainda existem por aí?

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