Voltamos ao tema Educação. Ele só nos ensina, de uma
forma ou de outra. Aprendendo a fazer ou nos ensinando como não fazer. E, pelo
que estamos vendo, tem pouca gente fazendo, educando. Muitos preferem tirar
proveito.
Meu falecido pai, todos os anos, lutava como se fosse
um Caryl Chessman no Corredor da Morte e estivesse cumprindo suas últimas
tarefas na vida. Lutava para comprar
“fardas”, livros e sapatos. Aos poucos ia descobrindo coisas – outras,
descobria, mas não podia evita-las.
Papai levou anos para encontrar a marca de sapatos
Vulcabras 752. Aquela que dura uma eternidade e a cada dia que se calça os
sapatos, eles ficam mais gostosos, mais macios. Insubstituíveis. A calça da
farda precisava ser comprada todos os anos, pois, muitas vezes, era a única que
se tinha e se vestia para quase tudo. Livros e cadernos, todo ano mudavam.
Mas... as aulas começavam todo ano naquele dia marcado.
Estudamos por 7 anos seguidos no Liceu do Ceará – que tinha grade curricular de
excelência, equiparada à do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Nesses 7 anos
(4 do Ginasial e 3 do Científico) nunca as aulas começaram em dias diferentes
por conta de “reformas” do prédio.
E é esse o tema central de hoje. Reforma das escolas.
Reforma física, pois a curricular muda a cada entrada de Secretário ou de
Ministro.
Por que se “reforma” tanto as escolas brasileiras nos
dias atuais?
Qual é a “sacanagem” que existe envolvendo essas
reformas?
Quem ganha dinheiro com isso?
Então, aproveitem e respondam: por que um Colégio
Militar não sofre as mesmas reformas?
Também não imaginem que sou militar da ativa,
aposentado ou coisa que o valha. Não torcemos por militares – onde estivemos
por longos 18 meses, servindo ao glorioso Exército Brasileiro – pois éramos
estudante no período da Ditadura Militar. Mas, cabe a pergunta: por que existe
essa distância enorme na gestão de uma escola militar para uma escola civil?
E, pasmem, os militares gestores de escolas militares,
sequer tem formação exclusiva direcionada para isso.
No quadro pedagógico, o que é que tanto se muda e se
reforma no ensino brasileiro?
Será que “tudo” está sempre errado, precisando mudar
todo ano?
E, se muda tanto, por que diabos, a cada ano os alunos
aprendem cada vez menos?
Relembro minha falecida Avó que, se viva fosse, diria
que a escola pública virou restaurante. E por que só o aluno da escola pública
“precisa se alimentar” de forma diferente? Por que não tem “merenda escolar” na
escola particular?
Por que são tão assimétricas as grades curriculares de
uma escola particular com a de uma escola pública, se os professores são quase
sempre os mesmos?
E, acreditem, não se trata de regionalismo. Nem pode
haver regionalismo. Nos dias atuais o tal ENEM é algo nacional e, se houvesse
regionalismo, muitos estariam prejudicados. O que se pretende ensinar em
Curitiba, é o mesmo que se pretende ensinar em Teresina ou em Rio Branco. A
única semelhança é que em nenhum desses lugares, ninguém ensina nem ninguém
aprende nada. E isso não depende de “merenda escolar” – às vezes, infelizmente,
depende das “reformas físicas”.
No final do mês passado fizemos um rápido passeio pelo
Rio de Janeiro. Havia 28 anos, depois de morarmos mais de 25, não íamos à
Cidade Maravilhosa. Apesar da violência urbana, com o coração saltitando,
andamos pelo Centro. Saímos da Central do Brasil e fomos até a Rua Acre, a pé.
Mais uma vez passamos defronte ao Pedro II e lá está ele, majestoso, bonito e
conservado como se estivesse sendo inaugurado naquele momento.
Por que, com tantos recursos financeiros, não se
constrói mais escolas como o Pedro II, como o Liceu do Ceará e como tantos
outros que, FELIZMENTE, ainda existem por aí?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.