O Brasil entrou em “parafuso” na noite do dia 31 de
março de 1964. Depois de enfrentar dias turbulentos de 25 de agosto de 1961,
com a renúncia do presidente eleito Jânio da Silva Quadros, a assunção
intempestiva, mas providencial de Ranieri Mazilli, então presidente da Câmara
Federal e a posterior assunção de João Belchior Goulart entre 7 de abril de
1961 e 1 de abril de 1974 – com o golpe militar perpetrado no dia 31 do mês
anterior, mas com o General Humberto de Alencar Castello Branco assumindo posteriormente.
Antes, o que se
noticiou foi que, “no dia 24 de
agosto de 1961, Carlos Lacerda foi à televisão denunciar um possível golpe que
estaria sendo articulado pelo Presidente Jânio Quadros. No outro dia, o Brasil
se surpreendeu com o pedido de renúncia de Jânio. Ele afirmava em carta ao
Congresso que “forças terríveis” o haviam levado a tomar aquele gesto.
Porém, acredita-se que Jânio imaginou um “espetáculo de renúncia”, o
qual mobilizaria a população em seu favor e ele voltaria ao poder muito mais fortalecido.
Mas isto não aconteceu. O Congresso de pronto aceitou sua saída do cargo.
Assumiu interinamente a direção do país o Presidente da Câmara, Ranieri
Mazilli, até a volta do vice João Goulart, que fazia uma visita oficial à
China.”
E o que aconteceu com os domínios do Brasil até
1987, muitos já sabem, e, fica cansativo repetir.
O que se viveu foi que, em meio à ânsia de
liberdade, iniciou-se de forma velada uma série de movimentos para a volta das
eleições para Presidente da República. Alguns partidos políticos sobreviventes,
porque aliados de qualquer hora do poder dominante, ao que parece não mereciam
respeito nem atendiam às ideias do povo brasileiro. Nem mesmo o PDT, comandado
pelo caudilho Leonel de Mora Brizola e Darcy Ribeiro era suficientemente forte
para ganhar uma eleição majoritária.
Eis que, no dia 10 de fevereiro de 1980, na cidade
de São Paulo e na sombra das organizações sindicais, foi criado o PT – Partido
do Trabalhador. A partir daí, o “povão”, na ânsia de uma libertação, acorreu
com cuias, baldes e gamelas para somar nas fileiras “trabalhistas”.
Um nicho considerável de intelectuais formou fila e
ganhou registro como fundador. Nos dias atuais, o PT – Partido dos
Trabalhadores, está à beira da falência e muito próximo da extinção, enquanto
caminho para o que se propunha inicialmente.
Tem como presidente atual, Rui Falcão – mas quem manda
é Lula. Tem hoje, registrados, 1.588.058 filiados. Tem 5 governadores nos 27
estados da Federação; 640 prefeitos nos 5.568 municípios brasileiros; 15 dos 81
senadores; e 69 dos 513 deputados federais, além de 149 deputados estaduais e
nada menos que 5.181 vereadores dos 56.810 existentes no país.
“Fundação - Composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion em São Paulo. O partido é fruto da aproximação dos movimentos sindicais, a exemplo da Conferência das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) que veio a ser o embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT), grupo ao qual pertenceu o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, com antigos setores da esquerda brasileira.
O PT foi fundado com um viés socialista. Com o golpe de 1964, a espinha dorsal do sindicalismo brasileiro, que era o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), reunia lideranças sindicais tuteladas pelo Ministério do Trabalho- um ministério geralmente ocupado por lideranças do Partido Trabalhista Brasileiro varguista - foi dissolvida, enquanto os sindicatos oficiais sofriam intervenção governamental. A ressurgência de um movimento trabalhista organizado, expressa nas greves do ABC paulista da década de 1970, colocava a possibilidade de uma reorganização do movimento trabalhista de forma livre da tutela do Estado, projeto este expresso na criação da CONCLAT, que viria a ser o embrião da CUT, fundada três anos após o surgimento do PT. Originalmente, este novo movimento trabalhista buscava fazer política exclusivamente na esfera sindical. No entanto, a sobrevivência de um sindicalismo tutelado - expressa na reconstrução, na mesma época do antigo CGT, agora com o nome de Confederação Geral dos Trabalhadores, congregando lideranças sindicais mais conservadoras, como as de Joaquinzão e de Luís Antônio de Medeiros - mais a influência ainda exercida sobre o movimento sindical por lideranças de partidos de Esquerda tradicionais, como o Partido Comunista Brasileiro, forçaram o movimento sindical do ABC, estimulado por lideranças antistalinistas da Esquerda, como a de diversos grupamentos trotskistas, a adquirir identidade própria pela constituição em partido político - uma estratégia similar à realizada pelo movimento sindical Solidarność na Polônia comunista de então.
O PT surgiu, assim, rejeitando tanto as tradicionais lideranças do sindicalismo oficial, como também procurando colocar em prática uma nova forma de socialismo democrático, tentando recusar modelos já então em decadência, como o soviético ou o chinês. Significou a confluência do sindicalismo basista da época com a intelectualidade de Esquerda antistalinista.
Foi oficialmente reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de 1982. A ficha de filiação número um foi assinada por Apolonio de Carvalho, seguido pelo crítico de arte Mário Pedrosa, pelo crítico literário Antonio Candido e pelo historiador e jornalista Sérgio Buarque de Hollanda.” (Transcrito do Wikipédia)
Nenhum brasileiro da faixa etária superior a 50 anos desconhece a importância do PT, ainda que não seja filiado ou aprove integralmente os métodos assumidos depois de chegar ao Poder. Há conquistas. Conquistas verdadeiras e valiosas.
E por que se defende, hoje, o fim do PT?
Pela quantidade absurdamente grande de ilicitudes praticadas pelos gestores alinhados com o partido. Corrupção não é nenhum privilégio do PT, sabe-se, aceita-se. Mas não dá mais para esconder que o PT está com a data vencida.
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