Gangorra
- antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings
O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal,
elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana
praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é
apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando
poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem
suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem
garantia de diminuição.
Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o
Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos,
ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas
municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que
se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.
Eis que, assim como que num passe de mágica, os pais
esqueceram o caminho das lojas que vendiam serras tico-tico que nos davam de
presente nos aniversários, para que fabricássemos nossos próprios brinquedos, e
“encontraram” o caminho que leva aos “xópis” da vida, onde compram brinquedos
de plástico e, todos feitos. A criança não “gosta” daquele brinquedo, pois não
sabe o quanto custou – e, assim, não sente apego por ele. Quebrou, compra
outro.
As meninas pararam de brincar com bonecas e casinhas, e
passaram a fazer meninos que, cinco anos depois, serão confundidos com seus
próprios irmãos. E foi assim que o Brasil começou a mudar.
Piões, carrinhos, petecas e brincadeiras de “passar o
anel”, “amarelinha”, “bambolê” viraram coisas do passado e meninos e meninas
passaram a conviver com outras realidades e outros valores.
Acordar, levantar e desejar bom dia ou pedir a bênção?
Pra quê? Por quê?
E aí o nosso mundo, ainda encantado, descobria as
várias formas de brincar e de aliviar as muitas horas de estudos. Bola de meia
para jogar gol a gol; pião para “quilar” e aparar no ar e passar para a unha;
pipa, que em alguns lugares é conhecida com papagaio ou arraia.
No sertão e nas férias, a ausência de alguns itens não
inibia nem diminuía as brincadeiras – quase sempre noturnas – e jogávamos
“castelo”, um amontoado de castanhas de caju. As meninas brincavam com “Melão
São Caetano” e até “fabricavam” corrupios com chapinha de garrafa de
refrigerante ou, na falta dessa, com limões. Brincávamos e éramos felizes – não
conhecíamos drogas ilícitas. Só passamos a ter esse desencontro, a partir do
instante que nossos pais “nos abandonaram” e passaram a não ter mais tempo para
nós.
Brincar faz parte do gene de qualquer criança –
violência, não. A violência não é componente infantil. Uma criança, diziam
nossos despretensiosos pais, é como um papagaio: repete o que vê fazer. Se os
pais ensinam o bem, qualquer criança vai repetir isso “papagaiamente”!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.