terça-feira, 7 de julho de 2015

A infância e a gangorra da vida





Gangorra - antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings

 

O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal, elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem garantia de diminuição.

Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos, ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.

Eis que, assim como que num passe de mágica, os pais esqueceram o caminho das lojas que vendiam serras tico-tico que nos davam de presente nos aniversários, para que fabricássemos nossos próprios brinquedos, e “encontraram” o caminho que leva aos “xópis” da vida, onde compram brinquedos de plástico e, todos feitos. A criança não “gosta” daquele brinquedo, pois não sabe o quanto custou – e, assim, não sente apego por ele. Quebrou, compra outro.

As meninas pararam de brincar com bonecas e casinhas, e passaram a fazer meninos que, cinco anos depois, serão confundidos com seus próprios irmãos. E foi assim que o Brasil começou a mudar.

Piões, carrinhos, petecas e brincadeiras de “passar o anel”, “amarelinha”, “bambolê” viraram coisas do passado e meninos e meninas passaram a conviver com outras realidades e outros valores.

Acordar, levantar e desejar bom dia ou pedir a bênção?

Pra quê? Por quê?

E aí o nosso mundo, ainda encantado, descobria as várias formas de brincar e de aliviar as muitas horas de estudos. Bola de meia para jogar gol a gol; pião para “quilar” e aparar no ar e passar para a unha; pipa, que em alguns lugares é conhecida com papagaio ou arraia.

No sertão e nas férias, a ausência de alguns itens não inibia nem diminuía as brincadeiras – quase sempre noturnas – e jogávamos “castelo”, um amontoado de castanhas de caju. As meninas brincavam com “Melão São Caetano” e até “fabricavam” corrupios com chapinha de garrafa de refrigerante ou, na falta dessa, com limões. Brincávamos e éramos felizes – não conhecíamos drogas ilícitas. Só passamos a ter esse desencontro, a partir do instante que nossos pais “nos abandonaram” e passaram a não ter mais tempo para nós.

Brincar faz parte do gene de qualquer criança – violência, não. A violência não é componente infantil. Uma criança, diziam nossos despretensiosos pais, é como um papagaio: repete o que vê fazer. Se os pais ensinam o bem, qualquer criança vai repetir isso “papagaiamente”!

 

 

 

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