Agência O Globo
CURITIBA - A ex-secretária da Câmara dos Deputados
Vera Lúcia Leite Souza disse, durante audiência da Operação Lava-Jato, na
semana passada, que era obrigada a transferir metade do seu salário para o
então deputado Pedro Corrêa (PP-PE). O acordo durou de 2006 a 2011, enquanto
Vera Lúcia trabalhou para a liderança do PP na Câmara. Depois disso, de 2012 a
2015, ela trabalhou para a filha do ex-parlamentar, a também deputada federal
Aline Corrêa. Segundo a secretária, embora fosse funcionária da Câmara, era responsável
até por pagar contas bancárias.
Em depoimento gravado pela Justiça Federal, Vera
Lúcia relata que procurou Pedro Corrêa em 2006, quando estava desempregada. Ele
ofereceu um cargo de secretária para ela, mas pediu para que metade do salário
de R$ 7 mil a R$ 8 mil fosse depositado para Ivan Vernon Gomes Torres Júnior,
ex-assessor de Corrêa, que chegou a ser preso pela Operação Lava-Jato em abril.
Segundo Vera Lúcia, o ex-deputado disse: "você passa para o Ivan uma parte
pra ajudar nas despesas mensais". A funcionária entendeu que o parlamentar
estava se referindo às despesas que teria a partir de 2006, quando deixou a
liderança do partido.
- Quando eu entrei, em 2006, o deputado Pedro
Corrêa fez um acordo comigo. eu precisava do emprego e fiz o acordo com ele.
Ele propôs que eu desse metade pra ele. E essa metade seria dada para o Ivan -
disse a ex-funcionária da Câmara, que continuou:
- O salário vem na conta, e a parte que era do
Pedro Correa eu transferia para a conta do Ivan.
Vera Lúcia não soube responder qual seria o
destinado dado ao dinheiro que tinha que depositar para Pedro Corrêa. A
investigação da Lava-Jato mostra que Ivan Vernon recebeu em suas contas
depósitos de R$ 2,78 milhões entre 2010 e 2014, o que, na avaliação da PF, era
"incompatível" com os rendimentos declarados pelo ex-assessor
parlamentar. Laudo revelou que Vernon transferiu parte desse dinheiro para
Pedro Corrêa.
A ex-secretária disse que ficou desempregada em
2011. De 2012 a 2015, ela foi trabalhar no escritório de Aline Corrêa, onde
recebia salários de R$ 10 mil a R$ 11 mil. No gabinete de Aline, segundo Vera
Lúcia, ela era responsável por cuidar da agenda da deputada e de duas contas
bancárias:
- Eu pagava as contas, tinha procuração, passei a
ser secretária dela.
Enquanto trabalhou para Aline Corrêa, Vera Lucia
disse que não tinha que devolver parte do salário. Aline ficou sem mandato a
partir de fevereiro. De 2003 a 2005, Vera Lúcia havia trabalhado no gabinete do
deputado Ronivon Santiago (PP-AC), que foi cassado.
Aline e Pedro Corrêa foram indiciados pela Polícia
Federal em maio, após investigação mostrar que empresas ligadas ao ex-deputado
André Vargas recebiam repasses de recursos que saíam da Caixa e do Ministério
da Saúde por meio da agência de publicidade de Borghi Lowe. O parlamentar, que
está preso em Curitiba, nega as acusações feitas pela Operação Lava-Jato.
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