Cupim
não conhece o pau que rói
Duvidar que o que existe no planeta Terra é obra de
alguém, não há como. Duvidar, também, que quem pôs tudo o que existe na Terra
não “comanda” as ações desses entes, também não é algo que se discuta ou
duvide.
Entendemos que, do calango ao avião ou ao submarino –
esses dois últimos, quando fabricados, foi por obra e inspiração de alguém que
“vive” em nós e entre nós. Não há como duvidar de nada disso.
Assim, se uma simples (???) lagarta destrói um milharal
de centenas de hectares, não é inteligente duvidar que um cupim destrua árvores
inteiras ou que, os quase imperceptíveis ácaros infestem e contaminem um
guarda-roupas inteiro. E, que “bichos” são esses que, se desejarem – e sempre
estão desejando - provocam tamanha destruição?
Vejamos:
Isoptera -
Os isópteros (Isoptera) são uma ordem de insetos eusociais conhecida popularmente como cupim ou itapicuim (no Brasil), térmite ou térmita (em Portugal), salalé (em Angola) e muchém (em Moçambique). Com cerca de 2 800 espécies catalogadas no mundo, esses insetos são notórios pelos prejuízos
econômicos que causam como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos, ou ainda como pragas agrícolas, apesar de apenas cerca de 10% das
espécies conhecidas de cupim possuir estas características.
Em número de espécies, a ordem Isoptera deve ser
considerada intermediária entre os insetos; já em termos de biomassa e abundância, os cupins apresentam enorme significância e podem ser
comparados às formigas, minhocas, mamíferos herbívoros das savanas africanas ou seres humanos, por exemplo, e estão entre os mais
abundantes invertebrados de solo de ecossistemas tropicais. Esta grande abundância dos cupins nos ecossistemas, aliada à
existência de diferentes simbiontes, confere, a estes insetos, a possibilidade de desempenhar papéis como o
de "super
decompositores" e auxiliares no balanço carbono-nitrogênio (Higashi & Abe, 1997). – Transcrito do Wikipédia
Ácaro - Ácaro é a designação comum dada aos animais pertencentes à subclasse Acari da classe Arachnida (os aracnídeos). A palavra acari deriva do grego akares, 'pequeno'. A maioria dos adultos mede entre 0,25 e 0,75 mm de comprimento, embora existam espécies ainda menores. Os carrapatos são os que alcançam maior tamanho, chegando a até 3cm, após ingerirem sangue, como por exemplo, o carrapato-estrela, vetor da bactéria causadora da febre maculosa. O grupo apresenta aproximadamente 55 mil espécies descritas, compondo aproximadamente 5.500 gêneros e 1.200 subgêneros, representados em 540 famílias. Entretanto, estimativas do real número de espécies de ácaros vão de 500 mil a 1 milhão, pois novas espécies são encontradas rotineiramente, até mesmo em substratos que já foram bem estudados.
Ambientes de ocorrência - A grande capacidade de adaptação, relacionada com a plasticidade evolutiva e o pequeno tamanho relativo, possibilitou a conquista de diversos ambientes aquáticos e terrestres, de forma que os ácaros ocupam uma variedade maior de habitats do que qualquer outro grupo de artrópodes. São componentes significantes do zooplâcton e associados a algas, bem como da fauna arbórea. Também ocorrem em grande número nas camadas de húmus que cobrem florestas, gramas e solos agrícolas. Além disso, por causa do tamanho, são facilmente levados pelo vento, compondo o “plâncton aéreo”. Os ácaros do pó domiciliar, por exemplo, são visíveis apenas ao microscópico e medem entre 200 e 500 micrômetros. (Transcrito do Wikipédia).
Pois bem. Feitas essas
apresentações, dou uma bulida no meu baú e encontro algumas anotações feitas
provavelmente no começo do século passado, pela minha falecida Avó – aquela
que, enquanto areava os pratos de barros no girau, costumava “conversar” com um
beija-flor que vivia tentando beber a água que caía no lavatório. E que ela o
chamava de meu filhinho. E ainda não caducava.
Quase apagadas, as
anotações feitas a lápis – que tinha a ponta cavucada com o facão de cortar
cana – pareciam hilárias. Mas, com certeza, representavam a mais pura verdade,
diga-se de passagem. E o que “diziam” aquelas anotações, aparentemente
bizarras?
Estavam, na realidade,
marcadas em traços não tão retos, as vezes em que Vovó escutara com as oiças
afinadas, o que ela distinguia ser uma prosa entre um cupim e um ácaro, nos
seguintes termos:
- Você não para nunca
de comer! Dizia o ácaro para o cupim.
- Se eu parar de
comer, vou parecer morto. Aí vem a barata e me come! Respondia o cupim.
- Tá certo. Concordava
o ácaro, insistindo no diálogo:
- Você prefere comer
pau duro, tipo ipê; ou prefere comer pau mole, tipo cedro?
- Deus me livre de
cedro. Amarga muito. Também não quero ipê. A gente tem que gastar muita matéria
prima para fazer com que ele fique mais mole. É um investimento muito alto e
estou sem crédito no BNDES, respondeu o cupim.
- Você tem certeza
que, pelo regime de horas trabalhadas, não seria beneficiado pelo projeto
“Brasil Pátria Educadora”, financiado pelo pré-sal?
- Iiiihhh! Benefício
do pré-sal é para quem nunca sabe de nada. E eu sei de tudo! Sei até que não
devo atravessar galinheiro, quando o dia estiver claro.
- Ah, quer dizer que
você, que vive aí enfiado nessa madeira, sabe de tudo, é?
- Então, por que a
cabra come mato e caga aquelas bolinhas simétricas?
- Num sei, não!
- Então, por que o
jumento só come capim e caga tão fedorento?
- Também num sei, não!
- E por que o pato
come tudo duro e só caga mole e aquela plastada?
- Iiihhh, isso também
num sei, pois num estudei no Pronatec!
- E se você num sabe
de merda nenhuma, como diz que sabe de tudo?
RESUMO: Nas anotações
da Vovó, constavam que o nome do cupim era “Alul” e o do ácaro era Uecrid. E
diziam mais ainda, que eles eram os reis da cocada preta.
Acontece que Vovó
fazia as anotações quando fumava seu cachimbo na latada da casa, depois do café
e da madorna da tarde. Um dia, o vento bateu forte e tangeu o papel para o
lugar onde Vovó cuspia enquanto fumava. Uma plastada de gosma de fumo do
cachimbo acabou caindo sobre um trecho das anotações, mas dava para destrinchar
“dereitim”: o cupim não sabe o pau que rói; e o ácaro veve com poeira no rabo!
Coisas (e anotações!)
da Vovó. Que Deus a tenha plantando milho e preparando a roça para quando nos
encontrarmos de novo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.