Por iG São Paulo *
Criação de Comissões Parlamentares de Inquérito que desagradam Dilma
ocorre após Cunha anunciar que virou oposição; delação premiada afirma que ele
recebeu propina.
Horas após romper
oficialmente com o governo Dilma Rousseff, o presidente da Casa,
Eduardo Cunha, anunciou, nesta sexta-feira (17), a criação de
duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) que batem diretamente de
frente com o governo: a do BNDES e a dos fundos de pensão.
A primeira delas já foi criada e
servirá para investigar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), pauta defendida já há algum tempo por grupos
favoráveis à queda da presidente da República.
A segunda, por ora apenas autorizada
devido ao excesso de CPIs ocorrendo ao mesmo tempo, pede a investigação da
suposta manipulação na gestão de quatro fundos de pensão – indícios apontam
para administração fraudulenta de recursos e de ligação com o esquema do
doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Ela só deverá ser
iniciada após o término da CPI do Sistema Carcerário, em agosto.
Cunha ainda criou CPIs para
investigar maus tratos contra animais e crimes cibernéticos no
País. Os líderes partidários terão 48 horas para indicar os membros das
comissões – após esse prazo, o presidente da Câmara poderá indicar os membros
de ofício.
Apenas cinco CPIs podem funcionar ao
mesmo tempo. Além dessas quatro, já estão em funcionamento a CPI da Petrobras e
a do Sistema Carcerário.
BNDES e fundos de pensão - Partiu de Rubens Bueno (PPS-PR) o pedido para a criação das CPIs
mais evitadas pelo governo, do BNDES e dos fundos de pensão.
Na primeira, ele pede a
investigação de empréstimos considerados suspeitos pela Operação Lava Jato, da
Polícia Federal, concedidos tanto a empresas de fachada como a empreiteiras
investigadas. Para as nove empreiteiras citadas na operação, o BNDES concedeu,
entre 2003 e 2014, financiamentos de R$ 2,4 bilhões.
O requerimento também pede a
investigação de empréstimos classificados como secretos, concedidos a
países como Angola e Cuba, e daqueles considerados questionados do ponto de
vista de interesse público, como as operações de crédito e
concessão de garantia em favor de empresas do empresário Eike Batista e do
setor frigorífico.
Já a segunda tem como objetivo
investigar empréstimos suspeitos dos fundos: Fundação dos Economiários
Federais (Funcef); Fundação Petrobras de Seguridade Social
(Petros); Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ);
e Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis).
Propina de US$ 5 milhões - De acordo com depoimento de delação premiada de Júlio Camargo à Justiça
Federal do Paraná, realizado na quinta-feira (16), o consultor afirmou que o atual
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, recebeu US$ 5 milhões
em propina para liberar dois contratos da Petrobras entre os anos de 2006 e
2007.
De acordo com Camargo, consultor
ligado à empresa Toyo Setal, partiu do próprio Cunha a pressão do pagamento da
propina, que o atual presidente da Câmara teria lhe pedido pessoalmente. O
dinheiro é referente a dois contratos de cerca de US$ 1,2 bilhão
relativos a navios-sonda – projetados para perfuração submarina – para a
Petrobras.
Em nota à imprensa, Cunha negou com
veemência o conteúdo das acusações de Camargo, às quais chamou de mentiras, e
desafiou o delator a comprová-las.
"É muito estranho, às vésperas da eleição do Procurador Geral da
República e às vésperas de pronunciamento meu em rede nacional, que as ameaças
ao delator tenham conseguido o efeito desejado pelo Procurador Geral da
República, ou seja, obrigar o delator a mentir", atacou o presidente da
Câmara.
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