Mhário, criança não lê mais!
Criança não ganha mais livros de presente dos pais (ou
dos avós – como acontecia antes). Criança, agora, ganha “tablets” e, em vez de
ler, joga. É melhor jogar, que ler, acreditam os descobridores dessas
novidades.
Mas, os jovens também não estão lendo mais, Mhário. É
uma pena, mas é a mais pura verdade. E, acredite Mhário, algumas editoras que,
antes, faziam do papel impresso a sua razão de ser, estão começando a levar
para as “Feiras dos Livros”, edições impressas em CDs e até em “pen-drives”!
O mundo mudou, Mhário!
Recentemente estive no Rio de Janeiro, depois de
ausente por 28 longos anos, e tentei voltar no tempo sem qualquer túnel. Fui de
cara limpa mesmo. Revisitei alguns lugares onde aprendi muito.
Existia uma banca de jornais e revistas na frente do
Hotel Serrador (na verdade, ainda existe), onde, todos os dias se quisesse,
comprava o Clarin, Corriere dello Sport, Gramma e outros jornais de outros países
para ler assuntos que me interessavam naquele momento. Não encontrei nenhum. Procurei (em vão) em
outras bancas e, finalmente, fui informado que aqueles jornais não chegam mais
ao Brasil.
Não se lê mais, Mhário – não se lê mais qualquer coisa
impressa que não seja livro. E, alguns, nem livros leem mais.
E... finalmente você sugere a leitura do best-seller “O
Pequeno Príncipe” que, inicialmente alguns asseguravam ser o livro de cabeceira
de meninas apaixonadas, enamoradas, inocentes. Mais tarde, alguém adjetivou
como livro da Literatura Infantil – esse privilégio, acredite, não é seu.
E, Mhário, sabe por que isso?
Porque, “o essencial continua invisível para os
olhos”!
E porque o mundo virtual travestido de dinâmica vai
continuar nos impondo a ferro e fogo que, “Aqueles
que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.”
Sinceramente Mhário, “O
Pequeno Príncipe” não é um livro da literatura infantil, tampouco um livro de
cabeceira das meninas enamoradas de antigamente. É, no mundo desigual e
violento de hoje, apesar de lançado em 1943 – um contraponto de aconselhamento
e de reflexão.
Mas, o desaparecido (há quem
acredite que, sem qualquer trocadilho, ele esteja morando num planeta
desconhecido – ao lado do Pequeno Príncipe, da raposa, da rosa e do por do sol
que tanto ele gostava de apreciar) Antoine de Saint-Exupèry, antes, havia
escrito aquela que é considerada a sua obra-prima: “Terra dos Homens”.
Terra dos Homens é um romance do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, cujo título original é Terre des Hommes. Foi publicado em 1939. A tradução brasileira é de Rubem Braga. Editado no Brasil pela Editora Nova Fronteira.
Terra dos Homens - "Saint-Exupéry tornou-se
piloto civil aos 21 anos. Aos 26 integrou a equipe que foi sobrevoar o Saara e
os Andes levando o correio aéreo da Europa para a África e a América do Sul.
(...) Como devia ser a emoção de voar em aparelhos tão pequenos, contando
apenas com a hélice e sem nenhuma pressurização? É dessa emoção a matéria deste
livro". - Armando Nogueira
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