sexta-feira, 31 de julho de 2015

Elizeth e a doçura popular

 


Elizeth Cardoso a eternamente “Divina”

 

1

A música, entendo, será sempre o ópio da paz, indicada principalmente para acalmar as pessoas, fazendo-as refletir sobre qualquer situação. Desde as valsas vienenses, passando pelos fados portugueses, os tangos argentinos, os boleros que acalentavam as noites de antigamente para quem gosta de dançar. É sempre a música. A boa música, diga-se.

No Brasil de muitos bons cantores nos séculos que passaram, a música instrumental foi pilar forte na construção do nosso acervo de qualidade. Brasileiros como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Baden Powell, Saraiva, Ivanildo, Tom Jobim, Cipó, Luiz Gonzaga, Dilermando Reis,  Sivuca, Waldir Azevedo, Benedito Lacerda e Paulo Moura para citar apenas esses, sem a necessidade do solo vocal, inebriavam nossos momentos de lazer e de reflexão.

Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Agostinho dos Santos,  Moacir Franco, Orlando Silva, Agnaldo Rayol, Cyro Monteiro, Elis Regina, Maysa Matarazzo, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Dolores Duran e, a Divina Elizeth Cardoso por anos nos encantaram com suas vozes de acalantos, letras inesquecíveis e momentos que acabaram por enamorar a nós mesmos.

Falar nessa gente e confrontar com a qualidade da música atual, é maltratar o corpo e ressuscitar e fortalecer a saudade. Veja e ouça:

Barracão

 

(Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim -  

Compositores: Luiz Antônio e O. Magalhães)

 

Ai, barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
À cidade a seus pés
Ai, barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei
Que tu és
Barracão de zinco
Tradição do meu país
Barracão de zinco
Pobretão infeliz...
Ai, barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
Ai, a cidade
A seus pés
Barracão de zinco
barracão de zinco.

 

2

O “carioca”, entendemos, não é apenas aquele que nasceu no Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro e, ainda para muitos, a verdadeira capital do Brasil. Brasília, consideram alguns, é a apenas o Centro das Decisões Políticas. Carioca é um “estado de espírito”, um dia alguém teve a sorte de definir.

O Rio de Janeiro não é apenas carnaval, futebol e samba. O Rio tem maravilhas de reconhecimento mundial, mas também tem agruras, dificuldades, e aí nem estão incluídas a violência urbana, a engenharia inexplicável das construções nos morros e, não dá para esquecer, o sofrimento que enfrenta o trabalhador no deslocamento precário pela qualidade do transporte urbano diário. Hoje usufrui de uma acentuada melhora, mas, não faz muito tempo, era algo deprimente e revoltante.

E, o autor destas linhas conviveu com tudo isso. Desde o desfile no carnaval, passando pela subida necessária ao morro da Rocinha até chegar ao cansativo translado (via trem azul) para Campo Grande e Santa Cruz.

Viagens que hoje são feitas num tempo de até 60 minutos da gare da Central do Brasil até Santa Cruz, com as composições parando estratégica e obrigatoriamente em Deodoro, Campo Grande e finalmente Santa Cruz levavam até 180 minutos, quando eram concluídas – ou atrapalhadas por problemas técnicos ou de manutenção das linhas e das composições, deixando de lado a estrutura da corrente elétrica. Era um martírio. Hoje isso mudou bastante e, além de um relativo conforto de composições climatizadas, o tempo de percurso gira em torno de 60 minutos do início ao fim do deslocamento.

E, para um considerável número de passageiros, “ler” continua sendo o principal passatempo da longa viagem. Desde jornais diários, livros e até brochuras de bang-bang. Por dificuldades de coberturas de áreas, tablets e celulares não são tão acionados pelos usuários-passageiros.

Apenas uma coisa não mudou nos trens suburbanos do Rio de Janeiro: a personificação dos vendedores ambulantes que ganham a vida, oferecendo amendoim torrado nos fogareiros movidos a carvão; e, a tradicional, inesquecível e gostosa bala “Juquinha”.

“Balas Juquinha - Balas Juquinha foi uma empresa brasileira, fabricante da marca homônima de balas e doces. A empresa foi fundada em 1945 com a razão social de Salvador Pescuma Russo & Cia. Ltda. e iniciou suas atividades na fabricação de refresco em pó. Sua sede era em Santo André.


Somente em 1950 a empresa passaria a produzir balas, o produto que daria à empresa seu grande sucesso, desenvolvida por cozinheiras da empresa, cujo fundador era o português Carlos Maia e seu nome foi uma homenagem ao amigo chamado Juca. A embalagem do produto passou a estar na memória de muita gente: o desenho do rosto de um garoto loiro sorrindo. Posteriormente, a razão social da empresa foi alterada para Balas Juquinha Ind. Com. Ltda. Em 1979, devido ao endividamento de seu proprietário, a empresa foi vendida ao italiano Giulio Luigi Sofio.

Grande parte de sua produção atual passou a ser direcionada à exportação para mais de 46 países. Além das tradicionais balas de vários sabores, a empresa passou a fabricar também pirulitos. O auge de suas vendas ocorreu em meados da década de 1990, quando da implantação do Plano Real e muitas balas eram usadas como troco. 

A fábrica foi fechada em junho de 2015 e sua produção encerrada. A fórmula da bala, ultrassecreta, foi vendida a um empresário do Rio de Janeiro, que não é do setor alimentício. “ (Transcrito do Wikipédia)

3

Qualquer festa infantil sem pipocas e pirulitos, não pode ser considerada uma “festa”. Não considere verdadeira qualquer informação de que o pirulito foi “inventado” por esse ou por aquele. Pirulito, pipoca, picolé, panqueca, quebra-queixo, cocada e tantas outras guloseimas consideradas infantis (mas que alguns adultos adoram) não foram inventadas por ninguém. Tudo é “obra” do por acaso. Tal e qual a batata frita.

Em Fortaleza e provavelmente em muitas outras cidades brasileiras, o pirulito de fabricação artesanal é vendido por pregoeiros, num tabuleiro de madeira cheio de buracos para garantir a sustentação do produto e a vida de muitos.

Muitos certamente já ouviram a expressão “mais furado que tábua de pirulitos”!

Pois é. É assim que ainda hoje se vende essa guloseima considerada preferência nacional. Sabores, os mais diversos mas, limão, laranja, morango, abacaxi, goiaba são os mais fáceis de fabricar e de vender.

 

 

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