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Preso nesta terça-feira (28), o presidente licenciado da Eletronuclear, o
almirante aposentado Othon Luiz Pinheiro da Silva, recebeu R$ 4,5 milhões de
comissão por contratos.
Com a deflagração de uma operação com
foco na corrupção na obra da usina nuclear de Angra 3, 7 das 10 maiores obras
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) são alvos de investigações e
ações penais resultantes da Operação Lava Jato.
Sozinhos, o setor de petróleo e o
sistema elétrico concentram R$ 207 bilhões da vitrine dos governos Luiz Inácio
Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-atualmente) na área de
infraestrutura. Além de cinco obras da Petrobras e Angra 3, a construção da
usina de Belo Monte, no Pará, também é objeto de um inquérito que corre sob
segredo de Justiça no Paraná.
O modus operandi descrito pela
Procuradoria na 16ª fase da Lava Jato indica que Angra 3 mimetizou o padrão do
esquema de corrupção descoberto na Petrobras: licitações viciadas para frustrar
concorrência real, sobrepreço e o uso de empresas de fachada para direcionar o
pagamento de propina a dirigentes de empresas estatais e agentes políticos.
Preso nesta terça-feira (28), o
presidente licenciado da Eletronuclear, o almirante aposentado Othon Luiz
Pinheiro da Silva, recebeu R$ 4,5 milhões de comissão por contratos das
empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, segundo a investigação.
As obras civis da terceira planta
nuclear brasileira foram iniciadas em 1984 e ficaram paradas por 25 anos.
Reiniciada em 2009 com previsão de R$ 7 bilhões, a usina só deverá entrar em
operação em 2018, com três anos de atraso em relação ao cronograma, e deve
custar R$ 15 bilhões, mais que o dobro do orçamento inicial.
Integrante da força-tarefa da
Operação Lava Jato, o procurador Athayde Ribeiro Costa evitou comentários sobre
propina a políticos.
Costa também evitou responder
perguntas sobre Belo Monte, em construção a um custo de R$ 30 bilhões por um
consórcio de nove empreiteiras, entre elas Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS.
O inquérito aponta pagamento de suborno a dirigentes da Eletronorte.
Em depoimento prestado em março, o
ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, disse que um dos
destinatários do suborno é o diretor da Eletronorte Adhemar Palocci, irmão do
ex-ministro Antonio Palocci. Avancini também citou o nome de Flávio David
Barra, executivo da Andrade Gutierrez preso nesta terça. Segundo ele, Barra era
o interlocutor da diretoria de Energia da Camargo Corrêa nas obras de Belo
Monte.
O ex-presidente da Camargo Corrêa
também confessou ter pago R$ 20 milhões em propina nas obras da Usina
Hidrelétrica de Belo Monte.
PETROBRAS - Na última sexta, na denúncia contra o presidente da Odebrecht, Marcelo
Bahia Odebrecht, e cinco executivos do grupo, a acusação apontava corrupção e
pagamento de propina em contratos que somam R$ 12,6 bilhões de parte das obras
do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), refinaria Abreu e Lima (Rnest, PE) e
refinaria Getúlio Vargas (Repar, PR).
Maior obra do PAC, o Comperj é orçado
em R$ 45 bilhões, duas vezes e meia a mais que o custo estimado inicialmente.
Abreu e Lima, que deve sair por R$ 26 bilhões, está atrasada cinco anos.
A Refinaria Premium 1, no Maranhão,
estimada em R$ 40 bilhões, foi cancelada quando os trabalhos de terraplenagem
não haviam sido finalizados. Liderada pela Galvão Engenharia, a Premium foi
citada pelo doleiro Alberto Yousseff como fonte de propina para o ex-diretor de
Abastecimento Paulo Roberto Costa.
A estatal petrolífera também é alvo
de suspeitas no seu programa de exploração do pré-sal, orçado em R$ 9 bilhões,
onde empreiteiras são investigadas por fraude e pagamento de suborno para levar
contratos de fornecimento de navios-sondas.
OUTRO LADO - A Andrade Gutierrez informou, por meio de nota, que só vai se manifestar
sobre o caso de Angra 3 após seus advogados conhecerem o teor das investigações
que motivaram a operação desta terça. A Engevix ainda não se manifestou.
Questionada após a denúncia contra
seus dirigentes, a Construtora Norberto Odebrecht afirmou que "não
participa e nunca participou de nenhum tipo de cartel, reafirma que todos os
contratos que mantém, há décadas, com a Petrobras, foram obtidos por meio de
processos de seleção e concorrência que seguiram a legislação vigente".
Procurada, a Eletronuclear informou
que apenas a Eletrobras falaria sobre o assunto. A estatal, por sua vez, disse
que, por ora, não vai se manifestar. Já a Petrobras tem reiterado que coopera
com as investigações e que tem buscado ressarcimento de prejuízos por meio de
ações judiciais.
Até a publicação deste texto, a Folha não conseguiu ouvir Adhemar
Palocci para comentar o depoimento do delator Dalton Avancini.
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