Domingo passado, 13, foi um dia que marcou o Brasil e o povo brasileiro –
uma grande maioria. Sabemos! – embora muitos tenham preferido permanecer em
casa. Um protesto gigante que exigiu mudança radical e definitiva na postura condenável
dos principais gestores brasileiros.
Mas, domingo próximo, 20, as águas de março fecharão o verão. Levarão pau,
pedra, tudo que estiver impedindo, para anunciar o fim do caminho. E,
analisando friamente, percebe-se que o povo não tem partido político – tem
apenas as cores: verde e amarelo.
E, contraste da vida (da nossa vida), domingo 13, um fato serviu para demonstrar
que nem tudo está perdido. Ainda existe sim, esperança, ainda que tênue. Mas
existe.
Sabemos - todos nós -, que uma grande parcela de crianças brasileiras ou
não, foi levada – por algum motivo – a andar por um caminho sem volta e quase
que sem saída. O caminho das drogas.
Duas personalidades brasileiras, em tempos distintos chamaram a atenção e
pediram para que olhassem com bons e decisivos olhos para as crianças de todos
os estados brasileiros.
Pelé, na verdade, Edson Arantes do Nascimento, ao marcar o seu milésimo gol
no dia 19 de novembro de 1969, quando jogava no Maracanã vestindo a camisa do
Santos Futebol Clube, num momento que o ligava apenas ao futebol, teve a
preocupação de lembrar e pedir:
- “Cuidem das nossas crianças”!
Com a mais absoluta certeza, a grande maioria não deu a mínima atenção, por
conta de um simples, mas preocupante detalhe: Pelé é um negro e ainda temos
entre nós, pessoas que acham que negro não é gente!
O outro fato está ligado à educação. No Brasil, foi Leonel de Moura
Brizola, gaúcho nascido em Carazinho que governou o Rio Grande do Sul e o Rio
de Janeiro, quem “inventou” e tentou massificar a escola em tempo integral,
cujo objetivo principal era garantir a minimização do ócio na vida daas
crianças e adolescentes, evitando, também, que viessem se tornar presas fáceis
dos traficantes.
Quem lhe deu atenção e seguiu?
Quase ninguém e, com certeza, são poucas as escolas públicas que adotaram a
novidade. E quem adotou certamente poderá dar conhecimento do resultado.
É preciso acabar urgentemente com a mentalidade de que, pessoas de Deus,
pessoas do bem, são apenas aquelas que estão próximas de você – a quem você
acorre nas horas difíceis.
O programa é apenas um canal aberto que está conseguindo formar um leito de
lágrimas de emoção. É o global The Voice Kids – Brasil. Apresentado aos
domingos na emissora dos Marinho, o programa imaginado para crianças está
“bombando” no Brasil inteiro. E cada domingo, com a final se afunilando, as
emoções são mais fortes.
Duas meninas – podem até não ser uma delas a campeã! – estão comandando as
lágrimas não apenas dos “professores” que ao mesmo tempo são também
“julgadores”: Rafa Gomes, representando Curitiba; e Ana Beatriz Torres,
representando Goiânia. Todos estão chorando, Brasil à fora.
Em nós, a certeza: nem tudo está perdido!
Esta foi a primeira edição brasileira
desse programa voltado exclusivamente para crianças – faixa etária de 9 a 15
anos. Houve uma pré-seleção e, acredita-se, sem qualquer tipo de preconceito.
Ficou a certeza de que, nas fases mostradas pela televisão, todos, sem exceção,
são de excelente nível. Melhor: percebe-se também que, ao falar alguma coisa,
todos sabem falar, e bem. Essa particularidade provoca e produz um alívio
enorme: todos estão no bom caminho e, para fazer o que gostam, recebem o
carinho e o acompanhamento dos pais.
E, por outras vias nos chegam
informações que dão conta da existência de outras atividades ligadas à prática
musical que, no somatório aumentam as perspectivas de novas gerações, em que
pese algum gosto duvidoso pelas bandas que realizam shows megalomaníacos. Ainda
bem que não é maioria.
A criançada caminha sim para as
drogas – muito mais pela ausência dos pais que pela fragilidade da legislação.
Tanto isso é verdade que, também existe uma parcela que, exatamente pela
presença e pelo apoio dos pais, começa a se envolver de forma mais qualitativa
com a música.
O governo amazonense, por exemplo,
desenvolve um projeto maravilhoso e os resultados já são ricos: a criação da
Orquestra Infantil Encontro das Águas, com todas as despesas da prática e da teoria
custeadas pelo Governo doAmazonas.
É, verdade!
Nem tudo está perdido.
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