Ó
forasteiro, quem quer que sejas de onde quer que venhas, porque sei que virás,
sou Ciro, que fundou o Império dos Persas.
Não
tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo.
Está difícil viver no
Brasil. Pessoas que imaginávamos esclarecidas por terem uma relativa
escolaridade e por terem currículo de vida, se perderam. Trocaram o certo pelo
errado e sequer enxergaram o duvidoso.
Aqui não há mais lugar
para mim. Vou-me embora para a Pasárgada, pois, pelo menos, lá serei amigo do
Rei e terei a oportunidade de não ser o bobo da corte. Lá não terei benesses –
terei Justiça e a vida que sempre lutei para merecer.
Pago todos os impostos
determinados pela Lei do meu país. Cumpro todos os deveres cívicos e sempre
procurei caminhar na estrada da retidão. Sou um cidadão. Vou-me embora para a
Pasárgada.
Preciso encontrar o
caminho para a Pasárgada.
Onde
fica Pasárgada?
“Pasárgada ou Pasárgadas (em persa: پاسارگاد, transl. Pāsārgād; em grego:
Πασαργάδες; em latim: Pasargadae) era uma cidade
da antiga Pérsia,
atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã, situado 87 quilómetros a nordeste
de Persépolis.
Foi a primeira capital da Pérsia Aqueménida,
no tempo de Ciro II,
e coexistiu com as demais, dado que era costume persa manter várias capitais em
simultâneo, em função da vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. É hoje um Patrimônio Mundial da Unesco.
A construção de Pasárgada foi iniciada por Ciro II,
e foi mantida inacabada devido à morte de Ciro em batalha. Pasárgada manteve-se
como capital até que Dario III iniciou a mudança para Persépolis. O nome moderno
vem do grego, mas pode ter derivado de outro usado no período aquemênida,
Pasragada.” (Transcrito do Wikipédia).
Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Vou para Pasárgada e espero nunca mais voltar. Construí
uma vida e não querem me deixar vive-la. Plantei uma árvore que cresceu e
querem corta-la. Por isso, vou-me embora para Pasárgada, pois lá não tem
machado, serrote nem madeireiro. E lá ainda terei a vantagem de ser amigo do
Rei.
Em Pasárgada terei liberdade e não precisarei pagar
impostos para usa-la. Poderei escutar o canto dos pássaros sem ter que pagar
para isso. Comerei. Beberei. Viverei e ainda terei a vantagem de ser amigo do
Rei.
Vou correndo para Pasárgada. Lá, as pessoas, ainda que
não sejam Mestres e Doutores, não falarão tantas mentiras nem serão eternamente
idiotas. Em Pasárgada não tem idiota. Tem apenas o Rei.
Em Pasárgada não tem ladrão.
Em Pasárgada não tem partido político.
Em Pasárgada não tem o que roubar.
Em Pasárgada tem o Rei. Só o Rei, e agora, EU.
Vou-me embora pra Pasárgada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.