terça-feira, 22 de março de 2016

Onde fica a Pasárgada?



Ó forasteiro, quem quer que sejas de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas.

Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo.



Está difícil viver no Brasil. Pessoas que imaginávamos esclarecidas por terem uma relativa escolaridade e por terem currículo de vida, se perderam. Trocaram o certo pelo errado e sequer enxergaram o duvidoso.

Aqui não há mais lugar para mim. Vou-me embora para a Pasárgada, pois, pelo menos, lá serei amigo do Rei e terei a oportunidade de não ser o bobo da corte. Lá não terei benesses – terei Justiça e a vida que sempre lutei para merecer.

Pago todos os impostos determinados pela Lei do meu país. Cumpro todos os deveres cívicos e sempre procurei caminhar na estrada da retidão. Sou um cidadão. Vou-me embora para a Pasárgada.

Preciso encontrar o caminho para a Pasárgada.



Onde fica Pasárgada?

“Pasárgada ou Pasárgadas (em persa: پاسارگاد‎, transl. Pāsārgād; em grego: Πασαργάδες; em latim: Pasargadae) era uma cidade da antiga Pérsia, atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã, situado 87 quilómetros a nordeste de Persépolis. Foi a primeira capital da Pérsia Aqueménida, no tempo de Ciro II, e coexistiu com as demais, dado que era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. É hoje um Patrimônio Mundial da Unesco.

A construção de Pasárgada foi iniciada por Ciro II, e foi mantida inacabada devido à morte de Ciro em batalha. Pasárgada manteve-se como capital até que Dario III iniciou a mudança para Persépolis. O nome moderno vem do grego, mas pode ter derivado de outro usado no período aquemênida, Pasragada.” (Transcrito do Wikipédia).



Vou-me Embora pra Pasárgada

(Manuel Bandeira)


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei




Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive




E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada




Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar




E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.




Vou para Pasárgada e espero nunca mais voltar. Construí uma vida e não querem me deixar vive-la. Plantei uma árvore que cresceu e querem corta-la. Por isso, vou-me embora para Pasárgada, pois lá não tem machado, serrote nem madeireiro. E lá ainda terei a vantagem de ser amigo do Rei.

Em Pasárgada terei liberdade e não precisarei pagar impostos para usa-la. Poderei escutar o canto dos pássaros sem ter que pagar para isso. Comerei. Beberei. Viverei e ainda terei a vantagem de ser amigo do Rei.

Vou correndo para Pasárgada. Lá, as pessoas, ainda que não sejam Mestres e Doutores, não falarão tantas mentiras nem serão eternamente idiotas. Em Pasárgada não tem idiota. Tem apenas o Rei.

Em Pasárgada não tem ladrão.

Em Pasárgada não tem partido político.

Em Pasárgada não tem o que roubar.

Em Pasárgada tem o Rei. Só o Rei, e agora, EU.

Vou-me embora pra Pasárgada.

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