segunda-feira, 21 de março de 2016

Carneiro – melhor, só Nilton Santos

 

Estamos de volta, aquecendo as turbinas. Pesquisando para melhor preparar o material, pretendemos republicar algumas matérias, acrescentando e corrigindo alguns equívocos cometidos na primeira publicação. Este é o caso desta matéria produzida com Carneiro, maranhense de São José de Ribamar, que, infelizmente, nunca jogou profissionalmente no futebol do Estado.

A conquista do título do campeonato estadual de 1951 foi um marco no glorioso rosário de títulos do Ceará Sporting Club que, naquela época, tinha como principais adversários o Maguary, o Ferroviário e principalmente o Fortaleza. Mas não se podia esquecer o Usina Ceará, do Calouros do Ar e até mesmo o Gentilândia.

Presidia o Ceará, o comerciante libanês José Elias Bachá, então dono de uma das maiores fortunas na capital cearense. Depois de conquistar o título estadual de 1951, o “Vovô” passou em branco nos anos de 52 (Ferroviário), 53 e 54 (Fortaleza), 55 (Calouros do Ar) e 56 (Gentilândia).

Os anos de 1955 e 56 foram de crise para o Ceará. Elias Bachá saiu e voltou. Saiu e voltou de novo em 1957 para reestruturar o time que tinha uma defesa formada por Ivan; William, Alexandre, Damasceno e Pelado. Dico, aqui apelidado de “Dico Camaroeiro” era um dos antigos volantes do time alvinegro e resolveu ajudar na formação do time, indicando à Bachá um substituto para Pelado, veterano que estava abandonando o futebol profissional.

Manoel Conrado, aqui e em Fortaleza conhecido pelo apelido de Dengoso, então técnico do Ceará, depois de ter deixado o Usina Ceará, autorizou Dico Camaroeiro a levar para Fortaleza um jovem lateral-esquerdo, de quem apenas o próprio Dico falava maravilhas, mas sempre reforçadas por Ananias e Guilherme, os outros dois maranhenses que defendiam as cores do Ceará.

E eis que, em fins de 1956, Hudson Carneiro chegou ao Ceará. Levado por Dico Camaroeiro ou por Manuel Conrado, o Dengoso, Carneiro chegou ao Ceará para substituir Pelado. Nascido em São José de Ribamar, no Maranhão, Carneiro foi um daqueles jogadores que se consagraram no futebol brasileiro sem nunca ter defendido um clube do estado onde nasceu.

O ribamarense formou ainda numa das melhores linhas médias do futebol nordestino, ao lado de Dico e Damasceno, ou ao lado de Cláudio e Claudinho, a partir da época em que Damasceno foi negociado ao Náutico Capibaribe de Recife.

Logo quando chegou ao Ceará, 1957, Carneiro sagrou-se campeão estadual. Consagrou-se bicampeão em 1958, quando também foi convocado para defender o selecionado cearense no Campeonato Brasileiro de Seleções, ao lado dos também maranhenses Ananias e Guilherme, sob o comando de Elba de Pádua Lima, o TIM.

Em 1959 e 1960 o Fortaleza foi campeão estadual. Mas, novamente inspirado, Elias Bachá formou um time tão poderoso que sagrou-se tricampeão (61, 62 e 63) cearense. Carneiro ali já formava ao lado de Benício, outro maranhense, irmão de Guilherme. Aloísio Linhares (George); William, Alexandre, Mauro Calixto (Benício) e Carneiro; Cláudio, Lucena (Claudinho) e Charuto (Ivan Carioca); Carlito (Dedé), Gildo e Marco Aurélio formaram a equipe por três vezes campeã.

A partir de 1964 Carneiro transferiu-se para o Fortaleza, numa das mais altas transações ocorridas no futebol cearense, inferior apenas á negociação envolvendo Gildo para o América de São José do Rio Preto.

E, logo em 1964, Carneiro foi campeão estadual pelo Fortaleza, foi bicampeão em 65 e novamente em 1967 pelo mesmo Fortaleza. Em 1969 foi negociado ao Esporte Clube Bahia, onde se sagraria campeão estadual nos anos de 70, 71 e tricampeão em 72. Em 1973 retornou ao futebol cearense, quando resolveu parar de jogar. Atualmente, pelas informações que se tem, Carneiro, melhor lateral-esquerdo do futebol cearense em todos os tempos e reconhecidamente considerado pelos nordestinos como o segundo melhor do Brasil, sendo superado apenas por Nilton Santos, o maior jogador do mundo na posição em todos os tempos.

Carneiro seria reconhecido nacionalmente – o que teria motivado sua contratação pelo Bahia – quando o Fortaleza enfrentou, venceu e eliminou o Náutico de Recife em confronto válido pela Taça Brasil. O Fortaleza venceu o Náutico em Fortaleza, por 2 a 1, com excelente atuação de Carneiro, anulando o então emergente Nado. O tricolor cearense foi derrotado em Recife, por 2 a 1 mas, no terceiro jogo, novamente em Recife, voltou a vencer por 2 a 1.

Na fase seguinte o Fortaleza enfrentou o Botafogo do Rio de Janeiro, com Jairzinho, Rogério, Paulo César Lima e tantos outros e empatou em 2 a 2 no Estádio Presidente Vargas, com Carneiro mais uma vez chamando a atenção, agora dos dirigentes botafoguenses. No jogo do Rio de Janeiro o Botafogo goleou por 4 a 0. Uma semana depois Carneiro foi negociado ao Bahia.

Carneiro era uma dessas pérolas raras do futebol. Estilo clássico marcava e apoiava com alta categoria. Incapaz de parar o adversário com qualquer jogada faltosa. Chamava a atenção pela simplicidade do futebol que praticava, fazendo isso desde os primeiros anos defendendo as cores do Ceará, depois do Fortaleza e da seleção cearense e em seguida no Esporte Clube Bahia.

Quem por muitos anos viu Júnior jogar pelo Flamengo e pela seleção brasileira, passou a sentir saudades do futebol praticado por Carneiro, tecnicamente superior a Júnior, Marco Antônio e Waltencir, os mais famosos da época.






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