Estamos de volta, aquecendo as turbinas. Pesquisando
para melhor preparar o material, pretendemos republicar algumas matérias,
acrescentando e corrigindo alguns equívocos cometidos na primeira publicação.
Este é o caso desta matéria produzida com Carneiro, maranhense de São José de
Ribamar, que, infelizmente, nunca jogou profissionalmente no futebol do Estado.
A conquista
do título do campeonato estadual de 1951 foi um marco no glorioso rosário de
títulos do Ceará Sporting Club que, naquela época, tinha como principais
adversários o Maguary, o Ferroviário e principalmente o Fortaleza. Mas não se
podia esquecer o Usina Ceará, do Calouros do Ar e até mesmo o Gentilândia.
Presidia o
Ceará, o comerciante libanês José Elias Bachá, então dono de uma das maiores
fortunas na capital cearense. Depois de conquistar o título estadual de 1951, o
“Vovô” passou em branco nos anos de 52 (Ferroviário), 53 e 54 (Fortaleza), 55
(Calouros do Ar) e 56 (Gentilândia).
Os anos de
1955 e 56 foram de crise para o Ceará. Elias Bachá saiu e voltou. Saiu e voltou
de novo em 1957 para reestruturar o time que tinha uma defesa formada por Ivan;
William, Alexandre, Damasceno e Pelado. Dico, aqui apelidado de “Dico
Camaroeiro” era um dos antigos volantes do time alvinegro e resolveu ajudar na
formação do time, indicando à Bachá um substituto para Pelado, veterano que
estava abandonando o futebol profissional.
Manoel
Conrado, aqui e em Fortaleza conhecido pelo apelido de Dengoso, então técnico
do Ceará, depois de ter deixado o Usina Ceará, autorizou Dico Camaroeiro a
levar para Fortaleza um jovem lateral-esquerdo, de quem apenas o próprio Dico
falava maravilhas, mas sempre reforçadas por Ananias e Guilherme, os outros
dois maranhenses que defendiam as cores do Ceará.
E eis que,
em fins de 1956, Hudson Carneiro chegou ao Ceará. Levado por Dico Camaroeiro ou
por Manuel Conrado, o Dengoso, Carneiro chegou ao Ceará para substituir Pelado.
Nascido em São José de Ribamar, no Maranhão, Carneiro foi um daqueles jogadores
que se consagraram no futebol brasileiro sem nunca ter defendido um clube do
estado onde nasceu.
O
ribamarense formou ainda numa das melhores linhas médias do futebol nordestino,
ao lado de Dico e Damasceno, ou ao lado de Cláudio e Claudinho, a partir da
época em que Damasceno foi negociado ao Náutico Capibaribe de Recife.
Logo quando
chegou ao Ceará, 1957, Carneiro sagrou-se campeão estadual. Consagrou-se
bicampeão em 1958, quando também foi convocado para defender o selecionado
cearense no Campeonato Brasileiro de Seleções, ao lado dos também maranhenses
Ananias e Guilherme, sob o comando de Elba de Pádua Lima, o TIM.
Em 1959 e
1960 o Fortaleza foi campeão estadual. Mas, novamente inspirado, Elias Bachá
formou um time tão poderoso que sagrou-se tricampeão (61, 62 e 63) cearense.
Carneiro ali já formava ao lado de Benício, outro maranhense, irmão de
Guilherme. Aloísio
Linhares (George); William, Alexandre, Mauro Calixto (Benício) e Carneiro; Cláudio,
Lucena (Claudinho) e Charuto (Ivan Carioca); Carlito (Dedé), Gildo e Marco
Aurélio formaram a equipe por três vezes campeã.
A partir de
1964 Carneiro transferiu-se para o Fortaleza, numa das mais altas transações
ocorridas no futebol cearense, inferior apenas á negociação envolvendo Gildo
para o América de São José do Rio Preto.
E, logo em
1964, Carneiro foi campeão estadual pelo Fortaleza, foi bicampeão em 65 e
novamente em 1967 pelo mesmo Fortaleza. Em 1969 foi negociado ao Esporte Clube
Bahia, onde se sagraria campeão estadual nos anos de 70, 71 e tricampeão em 72.
Em 1973 retornou ao futebol cearense, quando resolveu parar de jogar.
Atualmente, pelas informações que se tem, Carneiro, melhor lateral-esquerdo do
futebol cearense em todos os tempos e reconhecidamente considerado pelos
nordestinos como o segundo melhor do Brasil, sendo superado apenas por Nilton
Santos, o maior jogador do mundo na posição em todos os tempos.
Carneiro
seria reconhecido nacionalmente – o que teria motivado sua contratação pelo
Bahia – quando o Fortaleza enfrentou, venceu e eliminou o Náutico de Recife em
confronto válido pela Taça Brasil. O Fortaleza venceu o Náutico em Fortaleza,
por 2 a 1,
com excelente atuação de Carneiro, anulando o então emergente Nado. O tricolor
cearense foi derrotado em Recife, por 2 a 1 mas, no terceiro jogo, novamente em
Recife, voltou a vencer por 2 a
1.
Na fase
seguinte o Fortaleza enfrentou o Botafogo do Rio de Janeiro, com Jairzinho,
Rogério, Paulo César Lima e tantos outros e empatou em 2 a 2 no Estádio Presidente
Vargas, com Carneiro mais uma vez chamando a atenção, agora dos dirigentes
botafoguenses. No jogo do Rio de Janeiro o Botafogo goleou por 4 a 0. Uma semana depois
Carneiro foi negociado ao Bahia.
Carneiro
era uma dessas pérolas raras do futebol. Estilo clássico marcava e apoiava com
alta categoria. Incapaz de parar o adversário com qualquer jogada faltosa.
Chamava a atenção pela simplicidade do futebol que praticava, fazendo isso
desde os primeiros anos defendendo as cores do Ceará, depois do Fortaleza e da
seleção cearense e em seguida no Esporte Clube Bahia.
Quem por
muitos anos viu Júnior jogar pelo Flamengo e pela seleção brasileira, passou a
sentir saudades do futebol praticado por Carneiro, tecnicamente superior a
Júnior, Marco Antônio e Waltencir, os mais famosos da época.
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