quarta-feira, 23 de março de 2016

Setenta deputados trocaram de partido em 30 dias



Após 30 dias de janela partidária, pelo menos 70 deputados federais mudaram de legenda, demonstra levantamento feito pelo Congresso em Foco. Além de causar dúvidas quanto ao apego ideológico de muitos parlamentares em relação a partidos, o rearranjo alterou o peso das bancadas na Câmara. Exemplo disso é o Partido Republicano, principal favorecido pelo troca-troca partidário. Eleito com 34 parlamentares, o PR hoje soma 40 representantes e se estabelece como a quarta maior bancada da Casa, lugar que era ocupado pelo PSD logo após as últimas eleições.

O PR conquistou dez novos integrantes durante o período da janela partidária, criada pela Emenda Constitucional 91. Por outro lado, perdeu três deputados: Marcos Soares (RJ) e Francisco Floriano (RJ) foram para o DEM e Lincoln Portela (MG) migrou para o PRB.

Presidido pelo deputado Alfredo Nascimento (AM), em outubro o partido completará dez anos. Em 2011, a sigla ganhou visibilidade com as atividades de seu então secretário-geral, Valdemar Costa Neto (SP), condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção do mensalão. Além de Valdemar Costa Neto, que hoje cumpre a pena em prisão domiciliar, outros colegas de partido também foram condenados por envolvimento no escândalo: Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL (partido que se uniu ao Prona e deu origem ao PR),  e o ex-deputado Carlos Alberto Rodrigues (RJ).

Quantitativamente, a janela partidária não provocou grandes mudanças no quadro do partido da presidente Dilma. No entanto, a única perda registrada foi significativa. Odorico Monteiro (CE) deixou o PT e migrou para o Pros. O deputado ficou conhecido por seu envolvimento com a implantação do programa Mais Médicos, quando foi secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2014.

Mas a legenda vinha perdendo deputados aos poucos. Logo após as eleições de 2014, o PT tinha a maior bancada na Câmara, com 68 deputados. Hoje, são 59. O maior partido passou a ser o PMDB, que em 2014 elegeu 66 deputados e agora conta com 65.

O terceiro lugar no ranking das maiores bancadas da Câmara é dividido pelo PP e PSDB, ambos com 48 deputados. No início da atual legislatura, em fevereiro de 2015, o PP tinha 38 representantes no Congresso, enquanto o PSDB possuía 54, demonstrando que a principal agremiação oposicionista também encolheu.

Após o troca-troca partidário, o PSD figura como a quinta maior bancada de deputados. Em decorrência de questões regionais, o partido perdeu quatro e ganhou seis membros no Congresso. A bancada contava com 36 parlamentares eleitos em 2914 e, hoje, soma 34.

PMB, o “partido-trampolim”

O período da janela partidária mostrou a vocação de “partido-trampolim” do Partido da Mulher Brasileira, que teve o registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro de 2015. Com oferta de acesso a recursos do fundo partidário, espaço no horário partidário e comando de diretórios locais, o PMB chegou a ter 21 representantes na Câmara, quatro vezes mais parlamentares do que a Rede Sustentabilidade, criada por Marina Silva.

No período de migração de partidos estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares de 12 legendas – das mais diferentes correntes ideológicas – ajudaram a compor a bancada do novo partido. Deputados de partidos da base governista, como PT e PMDB, e oposicionistas, como SD e PV, deixaram de lado as diferenças em nome da “valorização social, moral, profissional e política da mulher”, segundo a propaganda da legenda.

A identificação com as bandeiras da legenda não durou muito. Hoje, apenas dois deputados permanecem no PMB: o líder, Welinton Prado (MG) e Fábio Ramalho (MG). O PMB foi o mais afetado pela última onda de troca-troca partidário. Perdeu 15 representantes – incluindo as únicas duas mulheres, Brunny (MG) e Dâmina Pereira (MG), que migraram para o PR e o PSL, respectivamente.

Também deixou de ter assento no Senado. O único senador do partido, Hélio José (DF), anunciou na última semana sua filiação ao PMDB. Hélio José, que era suplente do atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB), ficou conhecido ao anunciar a filiação ao PMB com um discurso nada feminista. No Senado, porém, não cabe falar em janela partidária, já que ocupantes de cargos majoritários – como senador, governador ou prefeito – podem, de acordo com a estranha jurisprudência brasileira, mudar de partido a hora que quiserem, sob o pressuposto de que o partido só é “dono” do mandato de políticos eleitos pelo critério proporcional, no qual prevalece a soma dos votos de cada agremiação ou coligação de agremiações (vereador e deputado).

Pros, o “partido-ônibus”

Criado em setembro de 2013, o Partido Republicano da Ordem Social (Pros) passou por um momento de euforia, quando inchou sob a influência dos irmãos Ciro e Cid Gomes. Os ventos mudaram após a saída do ex-ministro e do ex-governador do Ceará para o PDT. Seis deputados deixaram a sigla durante a janela partidária. Entre eles, o próprio líder, Givaldo Carimbão (AL), que decidiu migrar para o PHS. Outros três parlamentares passaram a integrar os quadros do Pros.

Carimbão, que foi o primeiro congressista a assinar a ficha do Pros em 2014 e logo se tornou o líder de uma bancada de 21 deputados, concluiu que não havia mais condições políticas de continuar na sigla por incompatibilidade política com o presidente da legenda, Eurípedes Júnior. O Pros, que nas eleições de 2014 elegeu 12 deputados federais, viu sua bancada minguar para nove congressistas no ano passado e hoje conta apenas com cinco.

Veja a tabela com o resultado do troca-troca partidário:

DEPUTADO
UF
ORIGEM
DESTINO
Abel Mesquita Jr.
RR
PMB
DEM
Adalberto Cavalcanti
PE
PTdoB
PTB
Adelson Barreto
SE
PTB
PR
Ademir Camilo
MG
PROS
PTN
Alberto Fraga
DF
DEM
PP
Alexandre Baldy
GO
PSDB
PTN
Alexandre Valle
RJ
PMB
PR
Alfredo Kaefer
PR
PSDB
PSL
Altineu Côrtes
RJ
s/partido
PMDB
André Abdon
AP
PRB
PP
André Fufuca
MA
PEN
PP
Antônio Brito
BA
PTB
PSD
Antonio Carlos Mendes Thame
SP
PSDB
PV
Antônio Jácome
RN
PMN
PTN
Ariosto Holanda
CE
PROS
PDT
Arthur Maia
BA
SD
PPS
Assis Couto
PR
PMB
PDT
Beto Salame
PA
s/partido
PP
Brunny
MG
PMB
PR
Carlos Henrique Gaguim
TO
PMB
PTN
Christiane de Souza Yared
PR
PTN
PR
Dâmina Pereira
MG
PMB
PSL
Delegado Edson Moreira
MG
PTN
PR
Delegado Waldir
GO
PSDB
PR
Domingos Neto
CE
PMB
PSD
Dr. Jorge Silva
ES
PROS
PHS
Dr. Sinval Malheiros
SP
PMB
PTN
Edio Lopes
RR
PMDB
PR
Eliziane Gama
MA
Rede
PSB
Eros Biondini
MG
PTB
Pros
Expedito Netto
RO
SD
PSD
Ezequiel Teixeira
RJ
PMB
PTN
Fausto Pinato
SP
PRB
PP
Francisco Chapadinha
PA
PSD
PTN
Francisco Floriano
RJ
PR
DEM
Givaldo Carimbão
AL
PROS
PHS
Hiran Gonçalves
RR
s/partido
PP
Jair Bolsonaro
RJ
PP
PSC
José Augusto Curvo
MT
PDT
PSD
José Carlos Araújo
BA
PSD
PR
Jozi Araújo
AP
PTB
PTN
Juscelino Filho
MA
PMB
DEM
Kaio Maniçoba
PE
PHS
PMDB
Laudívio Carvalho
MG
PMDB
SD
Leonidas Cristino
CE
PROS
PDT
Lincoln Portela
MG
PR
PRB
Lindomar Garçon
RO
PMDB
PRB
Luiza Erundina
SP
PSB
Psol
Macedo
CE
PSL
PP
Mainha
PI
SD
PP
Major Olímpio
SP
s/ partido
SD
Marcelo Álvaro Antônio
MG
PMB
PR
Marcelo Matos
RJ
PDT
PHS
Marcos Rogério
RO
PDT
DEM
Marcos Soares
RJ
PR
DEM
Missionário José Olímpio
SP
PP
DEM
Odorico Monteiro
CE
PT
Pros
Pastor Eurico
PE
PSB
PHS
Ricardo Teobaldo
PE
PMB
PTN
Ricardo Izar
SP
PSD
PP
Rôney Nemer
DF
PMDB
PP
Silas Câmara
AM
PSD
PRB
Stefano Aguiar
MG
PSB
PSD
Valtenir Pereira
MT
PMB
PMDB
Vicente Arruda
CE
PROS
PDT
Vicentinho Junior
TO
PSB
PR
Victor Mendes
MA
PMB
PSD
Uldurico Junior
BA
PTC
PV
Toninho Wandscheer
PR
PMB
Pros
William Woo
SP
PV
PP




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