Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e
Ricardo Brandt
Laudo de 67 páginas e 92 ilustrações aponta
'demandas específicas' destinadas ao ex-presidente, mas 'opostamente' não
identifica objetos dos empresários que formalmente são os proprietários da área
Os peritos da Polícia Federal que vasculharam o
sítio Santa Bárbara, localizado em Atibaia, encontraram nas dependências da
propriedade o que classificam de ‘demandas específicas’ do ex-presidente Lula e
de sua família – construções, ampliações, adaptações, reformas, instalações de
itens de conforto, bem como uso de objetos decorativos personalizados. Mas,
‘opostamente’, não identificaram ‘quaisquer’ objetos de uso pessoal de Jonas
Leite Suassuna Filho e de Fernando Bittar, empresários que, formalmente,
segundo a defesa de Lula, são os proprietários do sítio.
Em um laudo de 67 páginas, ilustrado com 92
imagens, seis peritos do Setor Técnnico Científico da PF respondem a doze
quesitos da delegada Renata da Silva Rodrigues, que integra a força-tarefa da
Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato que pegou Lula.
Documento
O sítio é o ponto crucial dessa etapa da Lava Jato,
a 24.ª.
Os investigadores suspeitam que Lula é o verdadeiro
dono da área. Seus advogados afirmam que os donos são Bittar e Suassuna e que o
petista apenas frequentava o sítio – o ex-presidente lá esteve pelo menos 111
vezes.
A perícia reforça a linha de investigação da PF,
embora não seja conclusiva. Em resposta ao quesito 11 (‘ indícios de que o ex-
presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria utilizando as dependências do
sítio com animus domini?’), os peritos anotaram. “Entendem que a análise de
questões subjetivas de caráter jurídico, tais como o animus domini, deve ser
realizada em conjunto com demais elementos eventualmente identificados no curso
das investigações.”
A perícia da PF vasculhou o Santa Bárbara no dia 4
de março, quando Aletheia conduziu Lula à força para depor em uma sala no
Aeroporto de Congonhas. Os peritos criminais federais Alessandro Franus, João
José de Castro Baptista Vallim, Ior Canesso Juraszek, José Antonio Schamne,
Fernando Nadal e Luiz Spricigo Junior subscrevem o laudo.
Entre os objetos encontrados pelos peritos há dois
cartões da OAS, empreiteira cujo dono, Léo Pinheiro, é amigo do ex-presidente e
foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão na Lava Jato por corrupção e
lavagem de dinheiro.
“Na varanda externa à porta voltada para a face norte da sala de estar, no interior de um cesto, junto a outros objetos, foram encontrados dois cartões, conforme demonstra a Figura 58. O primeiro corresponde a um cartão de boas festas com logotipo da empresa OAS (Figura 59) e ilustração específica. O cartão estava acondicionado em envelope também com logotipo da empresa OAS e contendo etiquetas onde consta como remetente “José Aldemário Pinheiro Filho” e como destinatário “Excelentíssimo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, conforme ilustra a Figura 60. O segundo cartão, conforme manuscrito, tem como destinatária ‘Dona Marisa’.”
“Na varanda externa à porta voltada para a face norte da sala de estar, no interior de um cesto, junto a outros objetos, foram encontrados dois cartões, conforme demonstra a Figura 58. O primeiro corresponde a um cartão de boas festas com logotipo da empresa OAS (Figura 59) e ilustração específica. O cartão estava acondicionado em envelope também com logotipo da empresa OAS e contendo etiquetas onde consta como remetente “José Aldemário Pinheiro Filho” e como destinatário “Excelentíssimo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, conforme ilustra a Figura 60. O segundo cartão, conforme manuscrito, tem como destinatária ‘Dona Marisa’.”
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