domingo, 29 de maio de 2016

Botafogo bate Furacão e conquista primeira vitória no Brasileirão

 

Gazeta Press - Rio de Janeiro, RJ

O Botafogo conseguiu a primeira vitória no Campeonato Brasileiro. Em partida disputada na noite desta quarta-feira, no estádio Mário Helênio, em Juiz de Fora, o Alvinegro de General Severiano derrotou o Atlético-PR por 2 a 1, gols marcados por Ribamar e Neilton. Vinicius anotou para a equipe visitante, que foi dirigida pelo auxiliar Bruno Pivetti, uma vez que Paulo Autuori estava cumprindo suspensão.

O resultado fez a equipe carioca chegar aos quatro pontos ganhos e subir para a nona posição. O Furacão segue sem vitórias e, com apenas um ponto ganho, ocupa a última colocação.

O Botafogo não foi brilhante, mas mostrou objetividade e soube aproveitar as poucas oportunidades que construiu durante o jogo. O Atlético teve mais posse de bola, criou algumas boas chances, mas esbarrou no goleiro Helton Leite.

Na próxima rodada, o Glorioso enfrentará o Fluminense, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda; O Furacão recebe o Figueirense na Arena da Baixada.

O jogo – Empurrado por uma pequena e animada torcida, o Botafogo tentou pressionar desde os primeiros minutos. Aos três, Gegê arriscou de fora da área, mas Weverton defendeu sem dificuldades. O Atlético priorizava o sistema defensivo e mantinha apenas André Lima na frente. E foi o atacante que apareceu com perigo aos sete minutos. Ele dominou na área, se livrou da marcação e bateu sem qualquer direção.

O Furacão foi se soltando para o ataque e, aos 11 minutos, criou outra jogada de perigo quando Sidcley levantou pela esquerda e Pablo se antecipou aos zagueiros para cabecear. A bola passou perto da trave.

No time carioca, Juan Salgueiro era o responsável por organizar as jogadas de ataque, mas a defesa atleticana não encontrava muita dificuldade para deter as investidas da equipe carioca.

Aos 17 minutos, mesmo sem ser superior ao adversário, o Botafogo marcou o primeiro gol. Victor Luís fez ótimo lançamento para Ribamar que arrancou em velocidade, evitou o goleiro Weverton e tocou para as redes.

Sem outra alternativa, o Atlético Paranaense partiu para buscar o gol do empate, mas encontrava dificuldades para superar a defesa carioca. Aos 27 minutos, Nikão lançou para André Lima, mas o atacante não conseguiu dominar a bola e desperdiçou uma boa oportunidade para concluir.

O Furacão continuava com mais posse de bola e, aos 35 minutos, Fernandes falhou ao dominar a bola na entrada da área e Nikão enfiou para André Lima na pequena área, mas a zaga alvinegra aliviou o perigo.

Logo depois, o volante Rodrigo Lindoso caiu em campo com um problema muscular e foi substituído por Marquinho.

Aos 38 minutos, o Atlético voltou a desperdiçar outra boa oportunidade. Depois de tentativa de Pablo, a bola sobrou para Ewandro, inteiramente livre, mas o atacante mandou para fora.

O time dirigido por Ricardo Gomes não conseguia sair da defesa e se limitava a tentar bloquear as investidas da equipe paranaense. Aos 42 minutos, Ewandro mandou a bomba, à meia altura, e a bola se chocou com a trave esquerda de Helton Leite.

Só aos 45 minutos é que o time de General Severiano apareceu na área paranaense. Salgueiro tentou lançar Ribamar na área, mas a bola não foi alcançada pelo atacante.

O Atlético voltou modificado para o segundo tempo e seguiu procurando o gol do empate. Aos cinco minutos, após cruzamento na área carioca, a bola acabou sobrando para Vinicius, que bateu para fora, levando muito perigo para Helton Leite. Quatro minutos depois, o time visitante chegou novamente com perigo. Ewandro recebeu na esquerda e bateu cruzado, obrigando o arqueiro a espalmar para escanteio.

De tanto pressionar, o time paranaense chegou ao empate aos 13 minutos. Após lançamento na área, Tiago Heleno dividiu com a zaga e a bola sobrou para Vinicius que chutou forte no canto direito de Helton Leite.

O Furacão seguiu pressionando e quase desempatou aos 16 minutos, quando foi lançado por Sidcley, mas Helton Leite dividiu com o atacante e evitou a conclusão.

O Botafogo melhorou de produção e o jogo ficou mais equilibrado. E aos 27 minutos, o time carioca marcou o segundo gol. Após troca de passes na área, a bola ficou com Salgueiro, que lançou Neilton, o qual encheu o pé e colocou nas redes de Weverton.

O Atlético Paranaense partiu para o ataque, mas apenas Walter dava sinais de lucidez, proporcionando boas jogadas para seus companheiros que não mostravam grande inspiração. Mesmo assim, o time visitante quase chegou ao empate aos 46 minutos, quando Walter, dentro da grande área, bateu rasteiro para grande defesa de Helton Leite. O Botafogo soube se defender e garantir o importante resultado.

FICHA TÉCNICA

BOTAFOGO-RJ 2 x 1 ATLÉTICO-PR

Local: Estádio Municipal Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG)

Data: 25 de maio de 2016 - Horário: 19h30 (de Brasília)

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (Fifa-PA)

Assistentes: Márcio Gleidson Correia Dias (PA) e Hélcio Araújo Neves (PA)

Público: 4384 pagantes

Cartão Amarelo: Salgueiro, Ribamar (Bota); Eduardo, Hernani(AP)

Gols: BOTAFOGO: Ribamar, aos 17 minutos do primeiro tempo; Neilton aos 27 minutos do segundo tempo; ATLÉTICO PR: Vinicius, aos 13 minutos do segundo tempo.



BOTAFOGO: Helton Leite; Luís Ricardo, Emerson Silva, Emerson Santos e Victor Luís; Rodrigo Lindoso (Marquinho), Bruno Silva, Fernandes e Gegê (Neilton); Salgueiro (Gervazio Nuñez) e Ribamar. Técnico: Ricardo Gomes

ATLÉTICO-PR: Weverton; Eduardo, Cleberson, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio, Hernani, Ewandro, Pablo (Vinicius) e Nikão (Anderson Lopes); André Lima (Walter). Técnico: Bruno Pivetti.

Ferreira Gullar e seu verso de pé quebrado sobre a Dilma



Celso Lungaretti *

O poeta, crítico de arte e cronista Ferreira Gullar, um dos papas do neoconcretismo, fez uma análise polêmica da personalidade de Dilma Rousseff, no seu artigo dominical intitulado “Hora da Verdade”:

“Atrevo-me a pensar que ela tem dificuldade em se ligar objetivamente com o mundo real. A sua participação num grupo guerrilheiro, que assaltava bancos para, com o dinheiro roubado, financiar a guerrilha, não é propriamente sinal de bom senso. Não pretendo, ao dizer isso, desconhecer a generosidade e a coragem dos que se atreveram a tal proeza, mas, a meu juízo – e como os fatos mesmos comprovaram –, tal opção estava longe da sensatez e da objetividade.

Pois bem, minha tese é que a Dilma que optou pela guerrilha ainda está presente na Dilma de agora. Certamente não pretende desencadear um movimento armado contra o governo de Michel Temer, embora o tom de seus discursos, ao deixar o palácio do Planalto, desse a entender que sairá às ruas com seus seguidores para defender a democracia.

E isso é que é preocupante, uma vez que a nossa democracia não está ameaçada e, sim, longe disso, funcionando plenamente, a ponto de pôr na cadeia altas figuras do mundo empresarial, acusadas de corrupção. Como a guerrilheira do passado, Dilma prefere a bravata a encarar a realidade”.

Os defensores de Dilma certamente optarão pelo caminho fácil de desqualificá-lo, disparando-lhe insultos e até falsidades. É o que faz a parcela intolerante e preguiçosa da esquerda, infelizmente majoritária. Eu prefiro aprofundar a questão.

Primeiramente, lembrarei que Gullar não é nenhum reacionário empedernido ou escriba vendido à burguesia. Foi mais longe e sofreu maiores contratempos pelos ideais de esquerda do que a grande maioria dos que hoje o desprezam.

Em 1963, já intelectual eminente, presidiu o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC), um marco do engajamento artístico às lutas políticas e sociais no Brasil. Depois, indignado com o golpe de 1964, filiou-se imediatamente ao Partido Comunista. E fundou o lendário Grupo Opinião, juntamente com Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e outros.

Em 1965, começou a sofrer prisões intimidatórias. Em 13 de dezembro de 1968 – ou seja, no próprio dia da assinatura do AI-5 –, foi um dos escolhidos para servir como exemplo do tratamento que aguardava aqueles que não se conformassem com a nova ordem. Ele, Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil [os dois últimos me antecederam na PE da Vila Militar e, mesmo não sofrendo torturas propriamente ditas, foram submetidos a grotescas humilhações, que os carcereiros faziam questão de relembrar amiúde].

Libertado, quando lhe chegaram informações dos bastidores militares, no sentido de que nova prisão era iminente, preferiu esconder-se na casa de parentes e amigos. Depois de quase um ano na clandestinidade, rumou em 1971 para a União Soviética.

O exílio durou até 1979. Ele esteve também em Santiago, em Lima e em Buenos Aires. Foi demais. Desencantou-se com a revolução traída na URSS, com a revolução massacrada no Chile de Allende, com o projeto nacionalista que não vingou no Peru e com o peronismo agonizante na Argentina.

Mas, o desengajamento da esquerda não o atirou nos braços do inimigo. Permaneceu um observador lúcido das mazelas brasileiras, criticando os que considera merecedores dos disparos quase sempre certeiros do seu teclado.

Parafraseando-o, atrevo-me a pensar que a derrocada do peronismo sob Isabelita Perón o preparou para antecipar e entender como poucos a derrocada do petismo sob Dilma. Os dois movimentos dependiam demais dos seus homens providenciais, Perón (que morreu) e Lula (cujo “poste” ganhou vida própria depois de eleita e passou a desconstruir o edifício que ele, o criador, tinha em mente).

No entanto, mesmo tendo feito, o tempo todo, enormes restrições a Dilma (as mesmas que agora os principais dirigentes do PT lhe fazem para consumo interno), vou discordar desses três parágrafos melindrosos do Gullar.

O PCB combateu virulentamente a opção pela luta armada, pois significou, na prática, a pá de cal na sua condição de força hegemônica da esquerda. Proibiu seus quadros de prestarem auxílio solidário a guerrilheiros em dificuldade e chegou até a publicar no seu principal jornal calúnias contra Carlos Lamarca, acusando-o de provocador a serviço da CIA.

Acredito que Gullar não tenha se deixado envolver por essa corrente de intolerância oportunística, a ponto de nos ver como inimigos objetivos da revolução. Só os fanáticos e os primários chegaram a tal extremo. Mas, como ninguém é totalmente imune a tais rolos compressores, então são ecos da postura do “Partidão” que se percebem em sua caracterização de guerrilheira como uma pessoa carente de bom senso, com dificuldade em se ligar objetivamente com o mundo real e dada a bravatas.

Ora, percebe-se na sua biografia que ele não conheceu verdadeiramente o objeto de sua avaliação negativa: a partir do AI-5, quando a guerrilha se tornou a frente principal de luta contra a ditadura, ele andou preso, depois escondendo-se, depois exilado.

Então, salta aos olhos que o perfil por ele composto não passa de uma visão de quem estava fora do universo da guerrilha e, como o PCB, via na luta armada apenas um estorvo (estaria servindo para radicalizar a ditadura, como se a direita mais brucutu não estivesse disposta a tudo para atingir tal objetivo – o pretexto para o AI-5, vale lembrar, não foi nenhuma expropriação ou atentado, mas sim um discurso proferido por Márcio Moreira Alves apenas para constar na ata, durante uma sessão esvaziada da Câmara dos Deputados).

Gullar, que atuava apenas no front cultural, aderiu ao Partidão por causa da ira sagrada que a quartelada lhe causou. Outros, igualmente pouco politizados, tiveram a mesma atitude. Mas, o movimento predominante foi no sentido contrário, de militantes que abandonavam o PCB porque este capitulara sem resistência significativa a uma quartelada anunciada (todo mundo sabia o que estava prestes a ocorrer).

Entre 1964 e 1968, a esquerda fervilhou: críticas e autocríticas, lutas internas, ruptura de dirigentes, debandada de quadros, criação de novas forças, desmembramentos e reagrupamentos, redefinições estratégicas e táticas etc.

Até então, havia uma força principal (o PCB, de linha soviética), uma secundária (o PCdoB, de linha chinesa) e grupúsculos como a Polop, a Ala Vermelha do PCdoB,  etc. Depois, o estilhaçamento do Partidão deu origem a dezenas de siglas que tinham algum peso (regional, principalmente); a maioria delas propondo-se a enfrentar a ditadura com mais contundência do que os ditos burocratas do PCB o faziam.

Em 1968, isto se corporificou num movimento de massas capaz de grandes mobilizações como a passeata dos 100 mil e de ações mais radicais como a tomada de fábricas em Osasco, SP. E algumas ações guerrilheiras já eram desenvolvidas pela VPR e ALN, mas sem grande vulto nem real importância; os combatentes e aliados de ambas totalizariam algumas centenas e a inexperiência levou a alguns desatinos que foram depois fartamente explorados pelos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas.

O quadro mudou quando a truculência da ditadura contra o movimento de massa e seus líderes foi sendo levado ao paroxismo, com a tortura se generalizando e bestializando, assassinatos pipocando, ações de paramilitares fascistas grassando soltas. A escalada de radicalização foi claramente favorecida e impulsionada pela chamada linha dura da caserna, que apostava no fechamento total, enquanto parte dos golpistas civis (incluindo alguns governadores) defendiam a volta à democracia com algumas salvaguardas.

Então, quando o AI-5 tornou a resistência pacífica extremamente arriscada (se tentada a sério) ou simplesmente inócua (quando os militantes se limitavam a ações tímidas como a de deixarem em banheiros públicos panfletos que os cidadãos comuns tinham medo de apanhar), os militantes que não se resignaram a abdicar da luta foram engrossar as fileiras da luta armada. Não por falta de bom senso, aturdimento ou voluntarismo desmedido, mas sim por ser a alternativa que restava para os que não se conformavam em viver debaixo das botas, à espera de dias melhores que ninguém sabia se e quando chegariam.

sensatez e a objetividade levaram Gullar ao exílio. Como não tinha perfil de combatente, é quase certo que sua permanência por aqui de pouco nos serviria, sendo mais uma preocupação do que uma ajuda. Deveria, contudo, demonstrar mais respeito por aqueles que ficaram, lutaram, sofreram e morreram.

Quando penso nos muitos companheiros valorosos que entregaram a vida pela causa e em outros tantos que até hoje carregam graves sequelas físicas e emocionais, é revoltante ler suas elucubrações a respeito de um ambiente que jamais conheceu.

Mesmo porque, se assim não fosse, saberia que Dilma não era a personificação da guerrilheira e sim uma militante mais afeita às lutas pacíficas, tanto que, no racha da VAR-Palmares, posicionou-se frontalmente contra a tendência que, com Lamarca à frente, conferia máxima prioridade à guerrilha.

E, no poder, deu para percebermos claramente que ela agiu muito mais em consonância com as teses do nacional-desenvolvimentismo da década de 1950 (que privilegiava o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, cumprindo o papel que antes competia à chamada burguesia nacional) do que com a luta de classes marxista. Daí ter sido tão refratária à organização autônoma do povo e favorecer tanto a cooptação de líderes e a satelitização dos movimentos por parte do Executivo.

Para quem participou intensamente da efervescência de 1968 e estava no turbilhão dos anos de chumbo, o que ocorreu com a Dilma não constituiu novidade nenhuma: foram muitos os idealistas nos quais o espírito da época baixou e que fizeram então o que nunca mais fariam.

Assumiram posições e ingressaram em organizações radicais demais para seu temperamento; depois, com a volta à calmaria, foram encontrando seus verdadeiros nichos.

A vocação de Dilma era ser uma tecno-burocrata, tanto que aí acabou chegando; melhor Lula faria se a tivesse deixado permanecer na sua praia.

Ele cometeu um crasso erro de avaliação, que foi catastrófico para si próprio, para o PT, para a esquerda brasileira e para o nosso povo sofrido.



* Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político. Edita o blogue Náufrago da Utopia.



Ferreira Gullar: Hora da verdade

22 de maio de 2016



Naquela quinta-feira, dia 12 de maio, quando a presidente Dilma Rousseff recebeu a intimação para deixar o governo por até 180 dias, chamou a atenção o contraste entre a atitude dela e a do Lula, em face da indisfarçável derrota que eles dois e o populismo petista acabavam de sofrer: enquanto ela discursava interminavelmente, ameaçando o seu sucessor, Lula se mantinha calado e visivelmente abatido.

Ao contrário dela, para quem o mundo real não deve ser levado em conta, ele, sempre ligado à realidade, mostrava-se profundamente atingido pelos fatos, pois sabe muito bem o que significa o impeachment da presidente que ele inventou. Ao vê-lo com aquele olhar vazio, como se desligado do momento, enquanto Dilma gritava bravatas, refleti sobre a relação que os uniu durante todos estes anos: ele a tornou, sucessivamente, ministra das Minas e Energia,presidente do Conselho de Administração da Petrobras, chefe da Casa Civil e finalmente presidente da república.

Sem pretender decifrar a razão dessas nomeações, não resta dúvida de que ele a elegeu presidente da república para que, ao fim dos quatro anos do mandato, pudesse voltar à chefia do governo. todo mundo sabia disso, mas, para surpresa geral, não foi o que ocorreu: Dilma candidatou-se à reeleição. Houve quem acreditasse que ela teria dado um golpe em seu criador, o que me parece uma hipótese inviável. No meu entender, foi o próprio Lula que, ao ver o estado crítico a que Dilma levara o país, tirou o corpo fora e a convenceu (o que não terá sido difícil) a se candidatar à reeleição.

Essa me parece uma versão bem mais plausível, uma vez que, se ele tivesse insistido em candidatar-se, ela jamais se atreveria a contrariá-lo, mesmo porque, sem o apoio dele, não seria reeleita. A sua re-candidatura, a meu ver, foi obra do próprio lula que, esperto como é, não se disporia a herdar tamanho abacaxi. Se o tivesse feito, quem teria sido impedido, agora, seria ele, e não ela, conforme ocorreu. Como se sabe, macaco velho não mete a mão em cumbuca.

Já Dilma pode ser tudo, mas esperta não é. Nesse particular, ela é melhor que Lula, o qual, como dizia Leonel Brizola, “seria capaz de pisar no pescoço da mãe”. Dilma não seria capaz disso, mesmo porque, comparada com lula, parece até ingênua.

Atrevo-me a pensar que ela tem dificuldade em se ligar objetivamente com o mundo real. a sua participação num grupo guerrilheiro, que assaltava bancos para, com o dinheiro roubado,financiar a guerrilha, não é propriamente sinal de bom senso. Não pretendo, ao dizer isso, desconhecer a generosidade e a coragem dos que se atreveram a tal proeza, mas, a meu juízo — e como os fatos mesmos comprovaram —, tal opção estava longe da sensatez e da objetividade.

Pois bem, minha tese é que a Dilma que optou pela guerrilha ainda está presente na Dilma de agora. Certamente não pretende desencadear um movimento armado contra ogo-verno de Michel Temer, embora o tom de seus discursos, ao deixar o palácio do Planalto, desse a entender que sairá às ruas com seus seguidores para defender a democracia.

E isso é que é preocupante, uma vez que a nossa democracia não está ameaçada e, sim, longe disso, funcionando plenamente, a ponto de pôr na cadeia altas figuras do mundo empresarial, acusadas de corrupção. Como a guerrilheira do passado, Dilma prefere a bravata a encarar a realidade.

Já Lula, não. Ele sabe muito bem que a aventura populista do petismo chega ao fim. Dilma fez guerrilha, não fez política, nunca se candidatou sequer a vereadora. Lula, pelo contrário, fez política sindical, tornou-se líder operário e fundou um partido que faria história na vida política brasileira, chegando mesmo a ocupar a Presidência da República durante mais de 13 anos.

No curso desse tempo, Lula afirmou-se como um defensor dos trabalhadores e dos pobres até que se revelassem os desatinos do mensalão e da lava Jato. Agora, com o impeachment de Dilma, a era Lula chega ao fim, e ele sabe disso. Daí a expressão de desânimo estampada em seu rosto naquela quinta-feira, dia 12 de maio. (Folha de S. Paulo – 22/05/2016)


Botafogo fecha com meia Camilo por duas temporadas



Felippe Rocha e Vinícius Britto

Rio de Janeiro (RJ)

Um desejo antigo do Botafogo será concretizado. O meia Camilo, de 30 anos, acertou contrato válido por duas temporadas com o Alvinegro. O jogador rescindiu recentemente o contrato que tinha com o Al-Shabab, e chega para reforçar a criação da equipe de Ricardo Gomes.

- Está tudo certo, sim, e agora só falta decidir a data de apresentação. O contrato é de dois anos - afirmou Francis Leonardo, empresário do meia.

O Glorioso já havia tentado a contratação de Camilo para o início desta temporada, mas perdeu a negociação para a equipe saudita. Agora, a própria Chapecoense, onde ele atuou em 2014 e 2015, tentou repatriar o jogador, mas não teve êxito.

O técnico Ricardo Gomes já havia dito ao LANCE!, em entrevista exclusiva recente, que não havia no mercado um camisa 10. A chegada de Camilo, desta forma, pode ser vista como um negócio de ocasião, até porque, na Arábia Saudita, o meia estava sem receber salários há cinco meses.

Este será o sétimo reforço do Botafogo para o Campeonato Brasileiro. O clube já havia acertado com Anderson Aquino, Marquinho, Geovane Maranhão, Victor Luis, Sidão e Rodrigo Pimpão - este último ainda não pode estrear. Há forte expectativa pelo acerto com o chileno Gustavo Canales.


Joselito Veiga – o poeta pensador



“Escrever” nunca foi algo difícil. E, se torna mais fácil, quando a ação está no mesmo patamar do “ler”. Quem lê, sabe escrever.  Entretanto, escrever fácil, bem, conseguindo atingir os objetivos, e proporcionando entendimento ao leitor, é algo divino. “Escrever” assim é dom dado por Deus.

É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada” (Patativa do Assaré).

E é por escrever bem, certo e conseguindo atingir o objetivo, que queremos apresentar Joselito Conceição Veiga dos Santos, ou simplesmente Joselito Veiga, Engenheiro Agrônomo por formação acadêmica na UEMA, que andou passeando nos cursos de Odontologia e Direito da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

Vejamos o que diz Joselito Veiga: “... a leitura acompanhou-me sempre. Pioneiramente a didática. O mergulho na literatura imaginativa afastou-me da Física e da Matemática. A voracidade pelos livros aflorou e arraigou-se exacerbadamente. Transformou-se num sestro incontrolável, mas saudável e pertinente. Essa praxe aguçou-me a aptidão de transcrever os pensamentos. A relutância foi imensa, o temor mais intenso, mas não resisti aos deslumbramentos.

A iniciação foi claudicante e a eleição do tema hesitante. Enfim, a inspiração emergiu e saltou para o papel de forma emocionante. A erupção das lavas literárias não permitiu mais a inércia do vulcão criativo. Mulher, amor, paixão: ingredientes imprescindíveis à inspiração. Política e sociedade: favoritos para uma sarcástica alusão.”

Pois, com o apoio da família e muito esforço pessoal, Joselito Veiga nos brinda com o lançamento do seu primogênito literário – “Pensamentos... poesias e reflexões fugazes”, impresso em boa qualidade pela Renovação Gráfica, a quem se juntou para a produção da capa.

De tão boa, a obra inicial de Joselito Veiga “exigiu” prefácio de dois gigantes da cultura maranhense, Miguel Veiga e Domingos Tourinho:

Fui buscar emprestado na memória, o balcão da quitanda do meu pai, acompanhado pela atmosfera surreal do cenário inusitado composto por gamelas de madeira, cofos de palha, sacos de estopa, rolos de fumo, copos na bacia de estanho, cheiro de “Loção Zezé”, para poder falar do surgimento de mais um anilense talentoso, mais um fio importante na teia histórica deste “celeiro de talentos” que é o Joselito Veiga ou “Bolão”, como é chamado popularmente no bairro.

Conhecido pela sua atuação frente ao Botafogo do Anil e sua luta pela manutenção dessa agremiação futebolística, além da sua carreira profissional como servidor público federal, Joselito me surpreendeu pela produção literária que conheci através das redes sociais pela Internet. Pela sua grande labuta e dedicação ao clube esportivo e ao futebol, não esperava uma produção tão significativa na expressão literária, acreditando, portanto, que a história alvinegra serviu como pano de fundo e inspiração para esta apaixonada e eloquente expressividade, constituindo-se uma grande referência viva e presente no orgulho desta comunidade onde o passado ainda é promissor.

Neto de um empresário do ramo de transporte, que se tornou mais conhecido pela cultura, através de um dos bailes populares mais importantes de São Luís, o “Baile do Pedro Veiga”, não deve ter vivenciado aqueles momentos marcantes na vida do avô que era também um dos melhores montadores dos tradicionais “Corsos” que animavam os carnavais  de ruas da cidade, mas através  dos seus textos revela-se como um apaixonado por estas culturas que caracterizam a história do Anil e de São Luís, escrevendo como se tivesse vivenciado todos os aspectos descritos ou citados.

Os textos que compõem esta admirável obra são produzidos através de poemas rimados que nos fazem viajar em uma leitura dinâmica e prazerosa, remetendo-nos aos brilhantes menestréis que entoavam em júbilo o orgulho de  seus povos. A montagem rebuscada na expressão literária dá um toque de requinte e expansão no entendimento do leitor, ampliando o universo da abstração. Em alguns poemas, a desconstrução da realidade é tão audaciosa que nos sugere uma incursão pela ficção.” (Miguel Veiga).

Ao ser convidado a escrever este pequeno e singelo texto, para servir de prefácio ao livro de Joselito Veiga, senti um indizível prazer, sobretudo por já conhecer e acompanhar sua obra nas redes sociais, ficando extasiado a cada poema publicado.

Partindo do pressuposto de que o espaço do homem é infinito, logo percebi que o mundo do futebol e o mundo poético não são assim tão distantes, podendo, perfeitamente, trabalharem um a favor do outro, mesmo numa marcação cerrada. Como futebolista, Bolão conseguiu criar jogadas mirabolantes e, com a destreza de um goleador, fazer o seu gol de letra na escolha dos temas e na consequente mensagem repassada. Sua abordagem temática transita ora entre o romântico e o ecológico, ora num mergulho histórico narrativo, ora num saudosismo poético, sem pieguices, trazendo à tona sentimentos, aspectos situacionais, lembranças e personagens que despertam o universo onírico do nosso imaginário. O autor nos leva por vezes a encontrar certos obstáculos, ao impor que decifremos algumas construções poéticas, tal a riqueza do vocabulário empregado, resgatando termos, palavras, imagens poéticas, na tessitura constitutiva dos seus poemas. Nada disso, porém, impossibilita nosso entendimento, ao contrário, nos impulsiona na busca do insondável, alarga nossa compreensão de mundo, além de nos proporcionar, por vezes, um arrepiante prazer quase orgásmico. O poeta, como um defensor estrênuo do esporte, particularmente do futebol, escolhe o tema do mesmo modo e com a mesma gana que o jogador marca o seu adversário. E segue avante, levando sua palavra, prenhe de ideias, a percorrer todo campo que se abre à frente, ao encontro do novo, não do novidadeiro.

Por fim, percebemos que o jogo continua empatado porque o esporte ganhou o poeta e a poesia o esportista. Mas na prorrogação da vida, temos que tomar uma decisão, pois o mundo que se apresenta real, é o mundo das ideias, e como tal, com avanços. O objetivo do poeta não é a trave, pois essa é o do jogador. O objetivo do poeta é ir além, semeando mentes, abrindo fronteiras, muito além do Anil, sem apito final.” (Domingos Tourinho).



Repleto de bons poemas numa linguagem técnica que visa em primeiro lugar a emoção e a compreensão do leitor, Pensamentos... poesias e reflexões fugazes, tem muita força e vai enriquecer ainda mais a verve poética ludovicense. Veja um dos poemas:



Transmutação



Perlustro laboriosamente tudo ao meu redor,

Perlongo incessantemente as calçadas da rua,

Divago entre estrelas pela abóbada celeste,

Navego intrepidamente pelas águas revoltas.



E não consigo reencontrar aquela mulher que amei,

Ainda que a olhe de frente não a reconheço.

As vicissitudes da vida transmutaram-lhe exacerbadamente,

Não o viso, mas o âmago, o epicentro do pundonor.



Persevero, porém, obstinadamente à sua procura,

Vejo-a novamente diante de mim, toco-a, tateio-a,

Sinto-a inexorável, como uma empedernida escultura.



Torna-se uma obsessão, mas a metamorfose foi nefasta.

Não encontrarei senão a mesma fisionomia, o mesmo corpo,

Pois tudo que lhe era abstrato e sublime, evaporou-se-lhe!



O lançamento da obra acontece nesse sábado (21), a partir das 20 horas, na sede social do Botafogo do Anil, situada à Avenida São Sebastião, 5, no bairro do Anil.

O evento literário contará com performances de Domingos Tourinho, Daniel Almeida e Cássia Cabral – nessa ordem. As performances abrangerão cinco poemas inseridos na obra inicial de Joselito Veiga. Paralelamente à assinatura dos autógrafos será servido um coquetel aos presentes.

No Orlando Scarpelli, Sub-20 empata em 0 a 0 com Figueira e lidera Grupo A do Brasileiro



Pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Sub-20, o Botafogo arrancou um empate por 0 a 0 fora de casa contra o Figueirense, na noite desta terça-feira (24/05). Com o resultado, o Glorioso segue na liderança do Grupo A da competição com 4 pontos.

O próximo compromisso alvinegro dentro do torneio será contra o Corinthians, quarta-feira (01/06), às 15h, no Estádio de Caio Martins, com entrada fraca para a torcida.   

O JOGO - Visitando o rival catarinense, o Botafogo buscava trazer um resultado positivo do Orlando Scarpelli e para isso o time comandado por Eduardo Barroca manteve seu padrão de jogo de posse de bola característico.

Em um embate bastante equilibrado, poucas chances de gol foram vistas durante o primeiro tempo para ambas as equipes. A melhor oportunidade da etapa inicial ficou por conta do lateral Marcinho (atleta do elenco profissional que desceu para reforçar o Sub-20 alvinegro) que arriscou um chute forte de longe que levou muito perigo ao gol do Figueira.

A segunda etapa começou um pouco mais movimentada do que a primeira, apresentando boas oportunidades de gol para os dois lados. Tanto Botafogo quanto o Figueirense tiveram duas chances perigosas cada, mas ambos não conseguiram transformá-las em bola na rede.

Mais para o fim do duelo, o Figueirense aumentou o ritmo e tentou pressionar a equipe alvinegra. O Alvinegro conseguiu se manter bem postado defensivamente e sustentou bem as investidas do time da casa, contra golpeando com velocidade. Porém, o resultado continuou inalterado até o apito final.

Botafogo: Victor Hugo; Marcinho, Marcelo, Helerson e Victor Lindenberg; Buchecha, Jordan, Alison (Mateus Jorge) e Luca Motta; Lucas Campos (Amilcar) e Pachu. Técnico: Eduardo Barroca.

Assessoria de Imprensa


Áudio: “Temer negociou condições com a oposição”, diz Sarney



Em conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente da República José Sarney revelou que a oposição ao governo Dilma Rousseff no Congresso apresentou resistência para apoiar o governo interino de Michel Temer. Na transcrição dos áudios divulgados ao longo da semana, Sarney enfatiza que membros só aceitaram colaborar depois que “certas condições” foram negociadas pelos oposicionistas junto a Temer.

Informações publicadas pela Folha de S.Paulo destacam que a resistência dos parlamentares de partidos da oposição ao governo petista foi vencida depois de uma intervenção do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com aquiescência de Temer. Nos áudios recuperados os acordos não foram detalhados.

Sarney se manifestou depois de Sérgio Machado mencionar, fazendo referência à Operação Lava Jato, que “eles [PSDB] sabem que são a próxima bola da vez”. “Eles sabem que não vão se safar”, enfatizou José Sarney.

“E não tinham essa consciência. Eles [PSDB] achavam que iam botar todo mundo de bandeja”, destacou Machado.

“Nem Michel eles [da oposição] queriam. Aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições”, continuou Sarney.

“Página negra” - O senador cassado Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, também foi lembrado durante as conversas. Para Sarney, a Casa errou ao concordar com a prisão do senador cassado, e não deveria se “acovardar”.

“Não podia, a partir dali ele [Senado] acabou. Aquilo é uma página negra do Senado”, lamentou o ex-presidente. “Porque não foi flagrante delito. Você tem que obedecer à lei”, afirmou Machado. “Não tinha nem inquérito!”, explicitou Sarney.

Mais cedo, em outro trecho da conversa divulgado pela Folha, Sarney promete que ajudará Machado a não cair nas mãos do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na primeira instância da Justiça, em Curitiba. Segundo o cacique peemedebista, no entanto, a operação teria de ser executada “sem advogado no meio”.

Leia trechos da conversa entre Sarney e Machado sobre Temer:

* Primeira conversa

Sarney – Olha, o homem está no exterior. Então a família dele ficou de me dizer quando é que ele voltava. E não falei ontem porque não me falou de novo. Não voltou. Tá com dona Magda. E eu falei com o secretário.
Machado – Eu vou tentar falar, que o meu irmão é muito amigo da Magda, para saber se ele sabe quando é que ela volta. Se ele me dá uma saída.
Machado – Presidente, então tem três saídas para a presidente Dilma, a mais inteligente…
Sarney – Não tem nenhuma saída para ela.
Machado -…ela pedir licença.
Sarney – Nenhuma saída para ela. Eles não aceitam nem parlamentarismo com ela.
Machado – Tem que ser muito rápido.
Sarney – E vai, está marchando para ser muito rápido.
Machado – Que as delações são as que vem, vem às pencas, não é?
Sarney – Odebrecht vem com uma metralhadora de ponto 100.
Machado – Olha, acabei de sair da casa do nosso amigo. Expliquei tudo a ele [Renan Calheiros], em todos os detalhes, ele acha que é urgente, tem que marcar uma conversa entre o senhor, o Romero e ele. E pode ser aqui… Só não pode ser na casa dele, porque entra muita gente. Onde o senhor acha melhor?
Sarney – Aqui.
Machado – É. O senhor diz a hora, que qualquer hora ele está disponível, quando puder avisar o Romero, eu venho também. Ele [Renan] ficou muito preocupado. O sr. viu o que o [blog do] Camarotti botou ontem?
Sarney – Não.
Machado – Alguém que vazou, provavelmente grande aliado dele, diz que na reunião com o PSDB ele teria dito que está com medo de ser preso, podia ser preso a qualquer momento.
Sarney – Ele?
Machado – Ele, Renan. E o Camarotti botou. Na semana passada, não sei se o senhor viu, numa quinta ou sexta, um jornalista aí, que tem certa repercussão na área política, colocou que o Renan tinha saído às pressas daqui com medo dessa condição, delações, e que estavam sendo montadas quatro operações da Polícia Federal, duas no Nordeste e duas aqui. E que o Teori estava de plantão… Desculpe, presidente, não foi quinta não. Foi sábado ou domingo. E que o Teori estava de plantão com toda sua equipe lá no Ministério e que isso significaria uma operação… Isso foi uma… operação que iria acontecer em dois Estados do Nordeste e dois no sul. Presidente, ou bota um basta nisso… O Moro falando besteira, o outro falando isso. [inaudível] ‘Renan, tu tem trinta dias que a bola está perto de você, está quase no seu colo’. Vamos fazer uma estratégia de aproveitar porque acabou. A gente pode tentar, como o Brasil sempre conseguiu, uma solução não sangrenta. Mas se passar do tempo ela vai ser sangrenta. Porque o Lula, por mais fraco que esteja, ele ainda tem… E um longo processo de impeachment é uma loucura. E ela perdeu toda… [...] Como é que a presidente, numa crise desse tamanho, a presidente está sem um ministro da Justiça? E não tem um plano B, uma alternativa. Esse governo acabou, acabou, acabou. Agora, se a gente não agir… Outra coisa que é importante para a gente, e eu tenho a informação, é que para o PSDB a água bateu aqui também. Eles sabem que são a próxima bola da vez.
Sarney – Eles sabem que eles não vão se safar.
Machado – E não tinham essa consciência. Eles achavam que iam botar tudo mundo de bandeja… Então é o momento dela para se tentar conseguir uma solução a la Brasil, como a gente sempre conseguiu, das crises. E o senhor é um mestre pra isso. Desses aí o senhor é o que tem a melhor cabeça. Tem que construir uma solução. Michel tem que ir para um governo grande, de salvação nacional, de integração e etc. etc. etc.
Sarney – Nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições.
Machado – Não tem outa alternativa. Eles vão ser os próximos. Presidente: não há quem resista a Odebrecht.
Sarney – Mas para ver como é que o pessoal..
Machado – Tá todo mundo se cagando, presidente. Todo mundo se cagando. Então ou a gente age rápido. O erro da presidente foi deixar essa coisa andar. Essa coisa andou muito. Aí vai toda a classe política para o saco. Não pode ter eleição agora.
Sarney – Mas não se movimente nada, de fazer, nada, para não se lembrarem…
Machado – É, eu preciso ter uma garantia
Sarney – Não pensar com aquela coisa apress… O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]
Machado – Só isso que eu quero, não quero outra coisa.
Sarney – Agora, não fala isso.
Machado – Vou dizer pro senhor uma coisa. Esse cara, esse Janot que é mau caráter, ele disse, está tentando seduzir meus advogados, de eu falar. Ou se não falar, vai botar para baixo. Essa é a ameaça, presidente. Então tem que encontrar uma… Esse cara é muito mau caráter. E a crise, o tempo é a nosso favor.
Sarney – O tempo é a nosso favor.
Machado – Por causa da crise, se a gente souber administrar. Nosso amigo, soube ontem, teve reunião com 50 pessoas, não é assim que vai resolver crise política. Hoje, presidente, se estivéssemos só nos três com ele, dizia as coisas a ele. Porque não é se reunindo 50 pessoas, chamar ministros.. Porque a saída que tem, presidente, é essa que o senhor falou é isso, só tem essa, parlamentarismo. Assegurando a ela e o Lula que não vão ser… Ninguém vai fazer caça a nada. Fazer um grande acordo com o Supremo, etc., e fazer, a bala de Caxias, para o país não explodir. E todo mundo fazer acordo porque está todo mundo se fodendo, não sobra ninguém. Agora, isso tem que ser feito rápido. Porque senão esse pessoal toma o poder… Essa cagada do Ministério Público de São Paulo nos ajudou muito.
Sarney – Muito.
Machado – Muito, muito, muito. Porque bota mais gente, que começa a entender… O [colunista da Folha] Jânio de Freitas já está na oposição, radicalmente, já está falando até em Operação Bandeirante. A coisa começou… O Moro começou a levar umas porradas, não sei o quê. A gente tem que aproveitar ess… Aquele negócio do crime do político [de inação]: nós temos 30 dias, presidente, para nós administrarmos. Depois de 30 dias, alguém vai administrar, mas não será mais nós. O nosso amigo tem 30 dias. Ele tem sorte. Com o medo do PSDB, acabou com ele no colo dele, uma chance de poder ser ator desse processo. E o senhor, presidente, o senhor tem que entrar com a inteligência que não tem. E experiência que não tem. Como é que você faz reunião com o Lula com 50 pessoas, como é que vai querer resolver crise, que vaza tudo…
Sarney – Eu ontem disse a um deles que veio aqui: ‘Eu disse, Olhe, esqueçam qualquer solução convencional. Esqueçam!’.
Machado – Não existe, presidente.
Sarney – ‘Esqueçam, esqueçam!’
Machado – Eu soube que o senhor teve uma conversa com o Michel.
Sarney – Eu tive. Ele está consciente disso. Pelo menos não é ele que…
Machado – Temos que fazer um governo, presidente, de união nacional.
Sarney – Sim, tudo isso está na cabeça dele, tudo isso ele já sabe, tudo isso ele já sabe. Agora, nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada.
Machado – Não estão falando.
Sarney – Até falando isso para saber até onde ele vai, onde é mentira e onde é valorização dele.
Machado – Não é valoriz… Essa história é verdadeira, e não é o advogado querendo, e não é diretamente. É [a PGR] dizendo como uma oportunidade, porque ‘como não encontrou nada…’ É nessa.
Sarney – Sim, mas nós temos é que conseguir isso. Sem meter advogado no meio.
Machado – Não, advogado não pode participar disso, eu nem quero conversa com advogado. Eu não quero advogado nesse momento, não quero advogado nessa conversa.
Sarney – Sem meter advogado, sem meter advogado, sem meter advogado.
Machado – De jeito nenhum. Advogado é perigoso.
Sarney – É, ele quer ganhar…
Machado – Ele quer ganhar e é perigoso. Presidente, não são confiáveis, presidente, você tá doido? Eu acho que o senhor podia convidar, marcar a hora que o senhor quer, e o senhor convidava o Renan e Romero e me diz a hora que eu venho. Qual a hora que o senhor acha melhor para o senhor?
Sarney – Eu vou falar, já liguei para o Renan, ele estava deitado.
Machado – Não, ele estava acordado, acabei de sair de lá agora.
Sarney – Ele ligou para mim de lá, depois que tinha acordado, e disse que ele vinha aqui. Disse que vinha aqui.
Machado – Ele disse para o senhor marcar a hora que quiser. Então como faz, o senhor combina e me avisa?
Sarney – Eu combino e aviso.

[...]

Machado – O Moreira [Franco] está achando o quê?
Sarney – O Moreira também tá achando que está tudo perdido, agora, não tem gente com densidade para… [inaudível]
Machado – Presidente, só tem o senhor, presidente. Que já viveu muito. Que tem inteligência. Não pode ser mais oba-oba, não pode ser mais conversa de bar. Tem que ser conversa de Estado-Maior. Estado-Maior analisando. E não pode ser um [...] que não resolve. Você tem que criar o núcleo duro, resolver no núcleo duro e depois ir espalhando e ter a soluç… Agora, foi nos dada a chave, que é o medo da oposição.
Sarney – É, nós estamos… Duas coisas estão correndo paralelo. Uma é essa que nos interessa. E outra é essa outra que nós não temos a chave de dirigir. Essa outra é muito maior. Então eu quero ver se eu… Se essa chave… A gente tendo…
Machado – Eu vou tentar saber, falar com meu irmão se ele sabe quando é que ela volta.
Sarney – E veja com o advogado a situação. A situação onde é que eles estão mexendo para baixar o processo.
Machado – Baixar o processo, são duas coisas [suspeitas]: como essas duas coisas, Ricardo, que não tem nada a ver com Renan, e os 500, que não tem nada a ver com o Renan, eles querem me apartar do Renan…
Sarney – Eles quem?
Machado – O Janot e a sua turma. E aí me botar pro Moro, que tem pouco sentido ficar aqui. Com outro objetivo.
Sarney – Aí é mais difícil, porque se eles não encontraram nada, nem no Renan nem no negócio, não há motivo para lhe mandar para o Paraná.
Machado – Ele acha que essas duas coisas são motivo para me investigar no Paraná. Esse é io argumento. Na verdade o que eles querem é outra coisa, o pretexto é esse. Você pede ao [inaudível] para me ligar então?
Sarney – Peço. Na hora que o Renan marcar, eu peço… Vai ser de noite.
Machado – Tá. E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente.
Sarney – [sussurrando] Não acho conveniente.
Machado – Não? O senhor que dá o tom.
Sarney – Não acho conveniente. A gente não põe muita gente.
Machado – O senhor é o meu guia.
Sarney – O Amaral Peixoto dizia isso: ‘duas pessoas já é reunião. Três é comício’.
Machado – [rindo]
Sarney – Então três pessoas já é comício.

[...]

* Segunda conversa

Sarney – Agora é coisa séria, acho que o negócio é sério.
Machado – Presidente, o cara [Sérgio Moro] agora seguiu aquela estratégia, de ‘deslegitimisar’ as coisas, agora não tem ninguém mais legítimo para falar mais nada. Pegou Renan, pegou o Eduardo, desmoralizou o Lula. Agora a Dilma. E o Supremo fez essa suprema… rasgou a Constituição.
Sarney – Foi. Fez aquele negócio com o Delcídio. E pior foi o Senado se acovardar de uma maneira… [autorizou prisão do então senador].
Machado – O Senado não podia ter aceito aquilo, não.
Sarney – Não podia, a partir dali ele acabou. Aquilo é uma página negra do Senado.
Machado – Porque não foi flagrante delito. Você tem que obedecer a lei.
Sarney – Não tinha nem inquérito!
Machado – Não tem nada. Ali foi um fígado dos ministros. Lascaram com o André Esteves.. Agora pergunta, quem é que vai reagir?

[...]

Machado – O Senado deixar o Delcídio preso por um artista.
Sarney – Uma cilada.
Machado – Cilada.
Sarney – Que botaram eles. Uma coisa que o Senado se desmoralizou. E agora o Teori acabou de desmoralizar o Senado porque mostrou que tem mais coragem que o Senado, manda soltar.
Machado – Presidente, ficou muito mal. A classe política está acabada. É um salve-se quem puder. Nessa coisa de navio que todo mundo quer fugir, morre todo mundo.

[...]

Sarney – Eu soube que o Lula disse, outro dia, ele tem chorado muito. [...] Ele está com os olhos inchados.

[...]

Sarney – Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela está envolvida diretamente é que ela falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do… E responsabilizar aquele [inaudível]
Machado – Isso é muito estranho [problemas de governo]. Presidente, você pegar um marqueteiro, dos três do Brasil. [...] Deixa aquele ministério da Justiça que é banana, só diz besteira. Nunca vi um governo tão fraco, tão frágil e tão omisso. Tem que alguém dizer assim ‘A presidente é bunda mole’. Não tem um fato positivo.

[...]

Sarney – E o Renan cometeu uma ingenuidade. No dia que ele chegou, quem deu isso pela primeira vez foi a Délis Ortiz. Eu cheguei lá era umas 4 horas, era um sábado, ele disse ‘já entreguei todos os documentos para a Délis Ortiz, provando que eu… que foi dinheiro meu’. Eu disse: ‘Renan, para jornalista você não dá documento nunca. Você fazer um negócio desse. O que isso vai te trazer de dor de cabeça’. Não deu outra.
Machado – Renan erra muito no varejo. Ele é bom. [...] Presidente, não pode ser assim, varejista desse jeito.
[...]

Sarney – Tudo isso é o governo, meu Deus. Esse negócio da Petrobras só os empresários que vão pagar, os políticos? E o governo que fez isso tudo, hein?
Machado – Acabou o Lula, presidente.
Sarney – O Lula acabou, o Lula coitado deve estar numa depressão.
Machado – Não houve nenhuma solidariedade da parte dela.
Sarney – Nenhuma, nenhuma. E com esse Moro perseguindo por besteira.
Machado – Tomou conta do Brasil. O Supremo fez a pedido dele.




Seleção Feminina de Vôlei conhece adversárias da primeira fase das Olimpíadas



Torcedores.com


A Seleção Feminina de Vôlei conheceu nesta segunda-feira, as equipes que estarão o mesmo grupo na primeira fase das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em agosto. Cabeças de chave do grupo A, Sheila e companhia terão uma primeira fase com adversários mais modestos, com exceção da Rússia, em relação aos principais favoritos a medalha de outro. Principal time da atualidade os EUA estão no grupo B com concorrentes mais fortes.

O grupo A, mais tranquilo, em tese, conta com duas representantes da América do Sul e Ásia, com apenas um representante de Europa e África. Já o grupo B já começa os Jogos Olímpicos como o grupo da morte, a divisão coloca frente a frente as seleções que brigaram pela vaga olímpica na Copa do Mundo, em que os dois melhores se classificavam para os jogos, no caso Sérvia e China.

O critério para a montagem dos grupos para as Olimpíadas é de acordo com o ranking da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). A tabela é liderada pelos Estados Unidos (campeão mundial), seguido de China (vice-campeão mundial), em terceiro lugar o Brasil.

Confira os grupos:

Grupo A

Brasil

Rússia

Japão

Coreia do Sul

Argentina

Camarões

Grupo B

EUA

China

Sérvia

Itália

Holanda

Porto Rico




O segredo dos professores de Xangai para colocar seus alunos no topo do ranking mundial da educação



BBC Brasil




A qualidade do ensino é o ingrediente mais importante para o sucesso de Xangai em educação, segundo um estudo do Banco Mundial.

Os estudantes da metrópole chinesa ocupam os postos mais altos em exames escolares internacionais, e o Banco Mundial, que oferece assistência financeira e técnica a países em desenvolvimento, publicou um relatório sobre o êxito acadêmico do município.

A pesquisa descobriu que a qualidade do ensino é a principal vantagem, além do sistema de treinamento e capacitação constante dos professores.

Em média, os professores em Xangai passam apenas um terço do tempo ensinando. A maior parte do dia é dedicada a treinamentos, capacitações e sessões com supervisores.

Há requisitos rigorosos para a docência, que é vista como uma ocupação de prestígio. E ainda que candidatos ao magistério possam ser rechaçados, o estudo identificou que isso é raro.

Em contrapartida, há um sistema com ênfase no treinamento e uma carreira construída a partir de incentivos para os melhores docentes.

Em Xangai, que é a maior cidade do país em população, 30% da renda do professor pode ser formada por pagamentos de bônus adicionais ao salário base, que dependem do nível em que ensinam.

Espera-se ainda que professores que exercem cargos de direção em escolas continuem ensinando, e parte de seus salários se vincula ao desempenho das instituições.

Há incentivos para docentes e diretores que trabalham em escolas de baixo rendimento e escolas rurais, para ajudá-los a avançar mais rápido em suas carreiras.

Também pode haver rotação de professores que trabalham em colégios menos favorecidos.

"Um dos aspectos mais impressionantes do sistema educacional de Xangai é o modo como cuida, apoia e administra os professores, que estão no centro de todo esforço para elevar a qualidade da educação nas escolas", afirma Xiaoyan Liang, autora do relatório.

Segundo Liang, o nível de respeito do público pelos professores em Xangai é outro reflexo do bom trabalho desses profissionais.

O Banco Mundial também descobriu que a cidade se beneficia de um sistema de "colégios encarregados", em que escolas de nível mais alto se associam a instituições mais fracas para que elevem sua performance.

Com população de mais de 23 milhões de pessoas, Xangai tem seu próprio sistema de educação descentralizado, e participa das provas Pisa, uma avaliação internacional de desempenho educacional, como um ente próprio.

Estudantes que estão entre os 10% mais pobres de Xangai são tão bons em matemática como os 20% mais privilegiados do Reino Unido e dos Estados Unidos

Nas avaliações mais recentes, realizadas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Xangai aparece nos primeiros lugares em matemática, leitura e ciência, em uma tabela global de países e sistemas escolares regionais.

Em solução de problemas, por exemplo, Xangai ficou em 6º lugar no Pisa 2012 entre 44 países ou sistemas regionais - o Brasil ficou na 38ª posição.

A população de Xangai tem acesso a uma melhor educação do que a média da China.

Embora tenha um número significativo de alunos pobres, o relatório destaca o bom desempenho desses alunos menos favorecidos.

Segundo o diretor de educação da OCDE, Andreas Schleicher, estudantes que se encontram entre os 10% mais pobres de Xangai são tão bons em matemática como os 20% de adolescentes mais privilegiados do Reino Unido e dos Estados Unidos.

O estudo descreve Xangai como cidade dotada de "um dos sistemas educativos mais igualitários" e com melhores resultados do mundo.

O estudo indica ainda o alto número de estudantes que chegaram a Xangai de outras partes da China.

Quase a metade do 1,2 milhão de alunos do ensino primário e dos primeiros anos do ensino médio foram classificados como migrantes internos.

A maioria frequenta escolas públicas, mas quase um quarto está em colégios privados, com mensalidades pagas por autoridades locais.

Cerca de 10% dos alunos estuda em escolas particulares. Espera-se que os colégios ofereçam um currículo comum, mas cerca de 30% do horário pode ser definido pela escola.

Há, contudo, outros fatores sociais a considerar. O sistema não prevê prestação de contas aos pais ou mecanismos para impugnar decisões das escolas ou de autoridades educativas.

Também há questionamentos sobre a pressão que esse sistema altamente competitivo, focado em provas, exerce sobre os alunos. Assim como os concursos públicos, o sistema escolar tem muitas provas e avaliações internas.

E há advertências sobre a falta de "bem-estar emocional" derivada desse foco no sucesso nas provas.

Xangai, que relaciona a ambição econômica com o investimento em educação, tem servido de exemplo para outros países que desejam elevar os níveis de suas escolas.

Na última semana, representantes de 25 países em desenvolvimento, entre eles Brasil, Afeganistão e Etiópia, visitaram escolas em Xangai para avaliar maneiras de melhorar seus sistemas de educação.

"O ensino de alta qualidade está diretamente relacionado com um forte crescimento econômico e uma rápida redução da pobreza, daí a utilidade das ideias oriundas do êxito de Xangai para um mundo onde 250 milhões de crianças não sabem ler nem escrever, apesar de terem frequentado a escola", diz Harry Patrinos, gerente de educação do Banco Mundial.