Sionei Ricardo Leão
Especial para o Congresso em Foco
Especial para o Congresso em Foco
Considerada a primeira mulher negra a se tornar
juíza no Brasil, a desembargadora aposentada Luislinda Valois é o nome que está
sendo defendido para chefiar a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (Seppir) por dirigentes nacionais de núcleos de promoção da igualdade
racial de PMDB, PPS, PSB, PSDB e PP – legendas que integram a base aliada do
governo interino do presidente Michel Temer. De acordo com essa articulação,
que se autodenomina Coalização Racial, Luislinda conta com as
credenciais pertinentes para ser a nova secretária. Tem trânsito perante vários
segmentos do Movimento Social Negro e é conhecida nacionalmente.
Com o propósito de respaldar Luislinda para chefiar
a Seppir, o grupo vem se reunindo com quadros influentes no governo interno de
Michel Temer para criar as condições políticas para que o nome da
desembargadora emplaque. “Nosso empenho tem sido de garantir as políticas de
igualdade racial e combate ao racismo no governo Temer, para tanto, um quadro como
Luislinda na secretaria será importante”, argumenta o dirigente do Tucanafro
(PSDB), Juvenal Araújo.
No mesmo tom, Bruno Teté (PP) reforça que a
desejada escolha de Luislinda por ser mulher negra com reconhecida atuação
junto à militância dará um sinal ao país de que o governo Temer não vai
retroceder nas políticas de igualdade racial.
Primeira sentença por racismo - Natural de Salvador (BA), neta de escravo, filha de um motorneiro de
bonde e uma passadeira e lavadeira, Luislinda tem reconhecida atuação junto aos
movimentos negros. A desembargadora graduou-se em direito pela Universidade
Católica de Salvador, em 1978. Além da trajetória jurídica, tem uma atuação na
educação, tanto que foi professora do Colégio Militar de Salvador.
Luislinda foi procuradora-geral do Departamento
Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), hoje DNIT (Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes), antes de passar em primeiro lugar em um concurso
para a Advocacia-Geral da União (AGU).
Tornou-se juíza em 1984, adotando o uso de colares
de candomblé em suas audiências. Foi autora da primeira sentença de condenação
por racismo no país, em 1993. Criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e
Cidadania, para resolução de conflitos em áreas pobres de Salvador.
Em 2011, Luislinda foi promovida a desembargadora
do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), conquista que a fez conhecida
nacionalmente. É autora do livro O negro no século 21.
“Estamos ainda perante a repercussão na imprensa
sobre a ausência de mulheres e de negros na atual Gestão, portanto, opção por
queremos de Luislinda terá um efeito positivo ao governo”, defende Valneide
Nascimento dos Santos, secretária Nacional da Negritude Socialista do PSB.
“Luislinda conta com nosso apoio, por tudo o que
representa na luta da mulher negra”, reforça Raquel Dias, do coletivo Igualdade
Racial 23, do PPS.
De acordo com os membros da coalização, diálogos
estão em curso para que vários programas na área da igualdade racial e combate
ao racismo não retrocedam. Os integrantes do coletivo destacam que há ações nas
pastas da Cultura (Fundação Palmares), Educação (Secadi), Incra (titulação de
terras quilombolas), Turismo (turismo étnico), Relações Exteriores (Bolsa Rio
Branco) e Saúde (programa sobre doenças étnicas).
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