“Escrever” nunca foi algo difícil. E, se torna mais
fácil, quando a ação está no mesmo patamar do “ler”. Quem lê, sabe
escrever. Entretanto, escrever fácil,
bem, conseguindo atingir os objetivos, e proporcionando entendimento ao leitor,
é algo divino. “Escrever” assim é dom dado por Deus.
“É melhor escrever errado a coisa certa, do
que escrever certo a coisa errada” (Patativa do Assaré).
E é por escrever bem, certo e conseguindo atingir o
objetivo, que queremos apresentar Joselito Conceição Veiga dos Santos, ou
simplesmente Joselito Veiga, Engenheiro Agrônomo por formação acadêmica na
UEMA, que andou passeando nos cursos de Odontologia e Direito da UFMA
(Universidade Federal do Maranhão).
Vejamos o que diz Joselito Veiga: “... a leitura acompanhou-me sempre. Pioneiramente a didática. O
mergulho na literatura imaginativa afastou-me da Física e da Matemática. A
voracidade pelos livros aflorou e arraigou-se exacerbadamente. Transformou-se
num sestro incontrolável, mas saudável e pertinente. Essa praxe aguçou-me a
aptidão de transcrever os pensamentos. A relutância foi imensa, o temor mais
intenso, mas não resisti aos deslumbramentos.
A
iniciação foi claudicante e a eleição do tema hesitante. Enfim, a inspiração
emergiu e saltou para o papel de forma emocionante. A erupção das lavas
literárias não permitiu mais a inércia do vulcão criativo. Mulher, amor,
paixão: ingredientes imprescindíveis à inspiração. Política e sociedade:
favoritos para uma sarcástica alusão.”
Pois, com o apoio da família e muito esforço pessoal,
Joselito Veiga nos brinda com o lançamento do seu primogênito literário – “Pensamentos... poesias e reflexões fugazes”,
impresso em boa qualidade pela Renovação Gráfica, a quem se juntou para a
produção da capa.
De tão boa, a obra inicial de Joselito Veiga “exigiu”
prefácio de dois gigantes da cultura maranhense, Miguel Veiga e Domingos
Tourinho:
“Fui buscar
emprestado na memória, o balcão da quitanda do meu pai, acompanhado pela
atmosfera surreal do cenário inusitado composto por gamelas de madeira, cofos
de palha, sacos de estopa, rolos de fumo, copos na bacia de estanho, cheiro de
“Loção Zezé”, para poder falar do surgimento de mais um anilense talentoso,
mais um fio importante na teia histórica deste “celeiro de talentos” que é o
Joselito Veiga ou “Bolão”, como é chamado popularmente no bairro.
Conhecido
pela sua atuação frente ao Botafogo do Anil e sua luta pela manutenção dessa
agremiação futebolística, além da sua carreira profissional como servidor
público federal, Joselito me surpreendeu pela produção literária que conheci
através das redes sociais pela Internet. Pela sua grande labuta e dedicação ao
clube esportivo e ao futebol, não esperava uma produção tão significativa na
expressão literária, acreditando, portanto, que a história alvinegra serviu
como pano de fundo e inspiração para esta apaixonada e eloquente
expressividade, constituindo-se uma grande referência viva e presente no
orgulho desta comunidade onde o passado ainda é promissor.
Neto
de um empresário do ramo de transporte, que se tornou mais conhecido pela
cultura, através de um dos bailes populares mais importantes de São Luís, o
“Baile do Pedro Veiga”, não deve ter vivenciado aqueles momentos marcantes na
vida do avô que era também um dos melhores montadores dos tradicionais “Corsos”
que animavam os carnavais de ruas da
cidade, mas através dos seus textos
revela-se como um apaixonado por estas culturas que caracterizam a história do
Anil e de São Luís, escrevendo como se tivesse vivenciado todos os aspectos
descritos ou citados.
Os
textos que compõem esta admirável obra são produzidos através de poemas rimados
que nos fazem viajar em uma leitura dinâmica e prazerosa, remetendo-nos aos
brilhantes menestréis que entoavam em júbilo o orgulho de seus povos. A montagem rebuscada na expressão
literária dá um toque de requinte e expansão no entendimento do leitor,
ampliando o universo da abstração. Em alguns poemas, a desconstrução da realidade
é tão audaciosa que nos sugere uma incursão pela ficção.” (Miguel Veiga).
“Ao ser convidado
a escrever este pequeno e singelo texto, para servir de prefácio ao livro de
Joselito Veiga, senti um indizível prazer, sobretudo por já conhecer e
acompanhar sua obra nas redes sociais, ficando extasiado a cada poema
publicado.
Partindo
do pressuposto de que o espaço do homem é infinito, logo percebi que o mundo do
futebol e o mundo poético não são assim tão distantes, podendo, perfeitamente,
trabalharem um a favor do outro, mesmo numa marcação cerrada. Como futebolista,
Bolão conseguiu criar jogadas mirabolantes e, com a destreza de um goleador,
fazer o seu gol de letra na escolha dos temas e na consequente mensagem
repassada. Sua abordagem temática transita ora entre o romântico e o ecológico,
ora num mergulho histórico narrativo, ora num saudosismo poético, sem
pieguices, trazendo à tona sentimentos, aspectos situacionais, lembranças e
personagens que despertam o universo onírico do nosso imaginário. O autor nos
leva por vezes a encontrar certos obstáculos, ao impor que decifremos algumas
construções poéticas, tal a riqueza do vocabulário empregado, resgatando
termos, palavras, imagens poéticas, na tessitura constitutiva dos seus poemas.
Nada disso, porém, impossibilita nosso entendimento, ao contrário, nos
impulsiona na busca do insondável, alarga nossa compreensão de mundo, além de
nos proporcionar, por vezes, um arrepiante prazer quase orgásmico. O poeta,
como um defensor estrênuo do esporte, particularmente do futebol, escolhe o
tema do mesmo modo e com a mesma gana que o jogador marca o seu adversário. E
segue avante, levando sua palavra, prenhe de ideias, a percorrer todo campo que
se abre à frente, ao encontro do novo, não do novidadeiro.
Por
fim, percebemos que o jogo continua empatado porque o esporte ganhou o poeta e
a poesia o esportista. Mas na prorrogação da vida, temos que tomar uma decisão,
pois o mundo que se apresenta real, é o mundo das ideias, e como tal, com
avanços. O objetivo do poeta não é a trave, pois essa é o do jogador. O objetivo
do poeta é ir além, semeando mentes, abrindo fronteiras, muito além do Anil,
sem apito final.” (Domingos
Tourinho).
Repleto de bons poemas numa linguagem técnica que visa
em primeiro lugar a emoção e a compreensão do leitor, Pensamentos... poesias e reflexões fugazes, tem muita força e vai
enriquecer ainda mais a verve poética ludovicense. Veja um dos poemas:
Transmutação
Perlustro
laboriosamente tudo ao meu redor,
Perlongo
incessantemente as calçadas da rua,
Divago
entre estrelas pela abóbada celeste,
Navego
intrepidamente pelas águas revoltas.
E
não consigo reencontrar aquela mulher que amei,
Ainda
que a olhe de frente não a reconheço.
As
vicissitudes da vida transmutaram-lhe exacerbadamente,
Não
o viso, mas o âmago, o epicentro do pundonor.
Persevero,
porém, obstinadamente à sua procura,
Vejo-a
novamente diante de mim, toco-a, tateio-a,
Sinto-a
inexorável, como uma empedernida escultura.
Torna-se
uma obsessão, mas a metamorfose foi nefasta.
Não
encontrarei senão a mesma fisionomia, o mesmo corpo,
Pois
tudo que lhe era abstrato e sublime, evaporou-se-lhe!
O lançamento da obra acontece nesse sábado (21), a
partir das 20 horas, na sede social do Botafogo do Anil, situada à Avenida São
Sebastião, 5, no bairro do Anil.
O evento literário contará com performances de Domingos
Tourinho, Daniel Almeida e Cássia Cabral – nessa ordem. As performances
abrangerão cinco poemas inseridos na obra inicial de Joselito Veiga.
Paralelamente à assinatura dos autógrafos será servido um coquetel aos
presentes.
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