domingo, 29 de maio de 2016

Joselito Veiga – o poeta pensador



“Escrever” nunca foi algo difícil. E, se torna mais fácil, quando a ação está no mesmo patamar do “ler”. Quem lê, sabe escrever.  Entretanto, escrever fácil, bem, conseguindo atingir os objetivos, e proporcionando entendimento ao leitor, é algo divino. “Escrever” assim é dom dado por Deus.

É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada” (Patativa do Assaré).

E é por escrever bem, certo e conseguindo atingir o objetivo, que queremos apresentar Joselito Conceição Veiga dos Santos, ou simplesmente Joselito Veiga, Engenheiro Agrônomo por formação acadêmica na UEMA, que andou passeando nos cursos de Odontologia e Direito da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

Vejamos o que diz Joselito Veiga: “... a leitura acompanhou-me sempre. Pioneiramente a didática. O mergulho na literatura imaginativa afastou-me da Física e da Matemática. A voracidade pelos livros aflorou e arraigou-se exacerbadamente. Transformou-se num sestro incontrolável, mas saudável e pertinente. Essa praxe aguçou-me a aptidão de transcrever os pensamentos. A relutância foi imensa, o temor mais intenso, mas não resisti aos deslumbramentos.

A iniciação foi claudicante e a eleição do tema hesitante. Enfim, a inspiração emergiu e saltou para o papel de forma emocionante. A erupção das lavas literárias não permitiu mais a inércia do vulcão criativo. Mulher, amor, paixão: ingredientes imprescindíveis à inspiração. Política e sociedade: favoritos para uma sarcástica alusão.”

Pois, com o apoio da família e muito esforço pessoal, Joselito Veiga nos brinda com o lançamento do seu primogênito literário – “Pensamentos... poesias e reflexões fugazes”, impresso em boa qualidade pela Renovação Gráfica, a quem se juntou para a produção da capa.

De tão boa, a obra inicial de Joselito Veiga “exigiu” prefácio de dois gigantes da cultura maranhense, Miguel Veiga e Domingos Tourinho:

Fui buscar emprestado na memória, o balcão da quitanda do meu pai, acompanhado pela atmosfera surreal do cenário inusitado composto por gamelas de madeira, cofos de palha, sacos de estopa, rolos de fumo, copos na bacia de estanho, cheiro de “Loção Zezé”, para poder falar do surgimento de mais um anilense talentoso, mais um fio importante na teia histórica deste “celeiro de talentos” que é o Joselito Veiga ou “Bolão”, como é chamado popularmente no bairro.

Conhecido pela sua atuação frente ao Botafogo do Anil e sua luta pela manutenção dessa agremiação futebolística, além da sua carreira profissional como servidor público federal, Joselito me surpreendeu pela produção literária que conheci através das redes sociais pela Internet. Pela sua grande labuta e dedicação ao clube esportivo e ao futebol, não esperava uma produção tão significativa na expressão literária, acreditando, portanto, que a história alvinegra serviu como pano de fundo e inspiração para esta apaixonada e eloquente expressividade, constituindo-se uma grande referência viva e presente no orgulho desta comunidade onde o passado ainda é promissor.

Neto de um empresário do ramo de transporte, que se tornou mais conhecido pela cultura, através de um dos bailes populares mais importantes de São Luís, o “Baile do Pedro Veiga”, não deve ter vivenciado aqueles momentos marcantes na vida do avô que era também um dos melhores montadores dos tradicionais “Corsos” que animavam os carnavais  de ruas da cidade, mas através  dos seus textos revela-se como um apaixonado por estas culturas que caracterizam a história do Anil e de São Luís, escrevendo como se tivesse vivenciado todos os aspectos descritos ou citados.

Os textos que compõem esta admirável obra são produzidos através de poemas rimados que nos fazem viajar em uma leitura dinâmica e prazerosa, remetendo-nos aos brilhantes menestréis que entoavam em júbilo o orgulho de  seus povos. A montagem rebuscada na expressão literária dá um toque de requinte e expansão no entendimento do leitor, ampliando o universo da abstração. Em alguns poemas, a desconstrução da realidade é tão audaciosa que nos sugere uma incursão pela ficção.” (Miguel Veiga).

Ao ser convidado a escrever este pequeno e singelo texto, para servir de prefácio ao livro de Joselito Veiga, senti um indizível prazer, sobretudo por já conhecer e acompanhar sua obra nas redes sociais, ficando extasiado a cada poema publicado.

Partindo do pressuposto de que o espaço do homem é infinito, logo percebi que o mundo do futebol e o mundo poético não são assim tão distantes, podendo, perfeitamente, trabalharem um a favor do outro, mesmo numa marcação cerrada. Como futebolista, Bolão conseguiu criar jogadas mirabolantes e, com a destreza de um goleador, fazer o seu gol de letra na escolha dos temas e na consequente mensagem repassada. Sua abordagem temática transita ora entre o romântico e o ecológico, ora num mergulho histórico narrativo, ora num saudosismo poético, sem pieguices, trazendo à tona sentimentos, aspectos situacionais, lembranças e personagens que despertam o universo onírico do nosso imaginário. O autor nos leva por vezes a encontrar certos obstáculos, ao impor que decifremos algumas construções poéticas, tal a riqueza do vocabulário empregado, resgatando termos, palavras, imagens poéticas, na tessitura constitutiva dos seus poemas. Nada disso, porém, impossibilita nosso entendimento, ao contrário, nos impulsiona na busca do insondável, alarga nossa compreensão de mundo, além de nos proporcionar, por vezes, um arrepiante prazer quase orgásmico. O poeta, como um defensor estrênuo do esporte, particularmente do futebol, escolhe o tema do mesmo modo e com a mesma gana que o jogador marca o seu adversário. E segue avante, levando sua palavra, prenhe de ideias, a percorrer todo campo que se abre à frente, ao encontro do novo, não do novidadeiro.

Por fim, percebemos que o jogo continua empatado porque o esporte ganhou o poeta e a poesia o esportista. Mas na prorrogação da vida, temos que tomar uma decisão, pois o mundo que se apresenta real, é o mundo das ideias, e como tal, com avanços. O objetivo do poeta não é a trave, pois essa é o do jogador. O objetivo do poeta é ir além, semeando mentes, abrindo fronteiras, muito além do Anil, sem apito final.” (Domingos Tourinho).



Repleto de bons poemas numa linguagem técnica que visa em primeiro lugar a emoção e a compreensão do leitor, Pensamentos... poesias e reflexões fugazes, tem muita força e vai enriquecer ainda mais a verve poética ludovicense. Veja um dos poemas:



Transmutação



Perlustro laboriosamente tudo ao meu redor,

Perlongo incessantemente as calçadas da rua,

Divago entre estrelas pela abóbada celeste,

Navego intrepidamente pelas águas revoltas.



E não consigo reencontrar aquela mulher que amei,

Ainda que a olhe de frente não a reconheço.

As vicissitudes da vida transmutaram-lhe exacerbadamente,

Não o viso, mas o âmago, o epicentro do pundonor.



Persevero, porém, obstinadamente à sua procura,

Vejo-a novamente diante de mim, toco-a, tateio-a,

Sinto-a inexorável, como uma empedernida escultura.



Torna-se uma obsessão, mas a metamorfose foi nefasta.

Não encontrarei senão a mesma fisionomia, o mesmo corpo,

Pois tudo que lhe era abstrato e sublime, evaporou-se-lhe!



O lançamento da obra acontece nesse sábado (21), a partir das 20 horas, na sede social do Botafogo do Anil, situada à Avenida São Sebastião, 5, no bairro do Anil.

O evento literário contará com performances de Domingos Tourinho, Daniel Almeida e Cássia Cabral – nessa ordem. As performances abrangerão cinco poemas inseridos na obra inicial de Joselito Veiga. Paralelamente à assinatura dos autógrafos será servido um coquetel aos presentes.

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