Luis Macedo/Agência Câmara
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)
condenou nessa terça-feira (17) o deputado federal Roberto Góes (PDT-AP) a
dois anos, oito meses e 20 dias de reclusão por peculato (apropriação ou desvio
de valores, bens móveis, de que o funcionário tem posse justamente em razão do
cargo público que exerce). Com 13 acusações criminais em andamento na corte, o
pedetista é o campeão em inquéritos e ações penais no Supremo.
Por ser inferior a quatro anos, a punição deve ser
convertida em prestação de serviços comunitário, durante uma hora por dia, pelo
tempo que durar a pena. A condenação ainda inclui o pagamento de multa de 20
salários mínimos em gêneros alimentícios, medicamentos ou material escolar. O
valor corresponde hoje a R$ 17,6 mil – quase metade dos R$ 33,7 mil que um
deputado recebe de salário.
A acusação, acolhida pelo relator, ministro Luis
Roberto Barroso, alega que Roberto Góes participou de um esquema que
redirecionava parcelas do salário dos servidores destinadas a pagar empréstimos
consignados quando era prefeito de Macapá, em 2012. Góes também foi condenado
por assunção de obrigação. Ele não perde o mandato e pode recorrer da decisão.
Deputado mais votado do Amapá em 2014, ele é réu em outras seis ações penais no STF por crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha,
falsificação de documento público e contra a Lei de Licitações. Responde,
ainda, a outros seis inquéritos.
Segundo a acusação, em 2012, o então prefeito não
repassou ao Itaú-Unibanco o valor correspondente a mais de R$ 8 milhões
referentes a empréstimos consignados. No entendimento do ministro Luís Barroso,
ficou configurado o crime de peculato, uma vez que o município era mero
depositário dos recursos, que não eram receita pública, e deu destinação
diversa a essa quantia.
“A partir do momento em que o acusado consciente e
voluntariamente se apropria de verbas que detém em razão do cargo que ocupa e
as desvia para finalidade distinta daquela a que se destina, pagando os
salários dos servidores municipais, não há dúvida de que pratica o crime de
peculato-desvio”, afirmou o relator.
A defesa, por sua vez, alegou que ele utilizou os
valores retidos para pagar serviços essenciais e de natureza alimentar.
O Congresso em Foco entrou em contato com a
assessoria do deputado, mas ainda não obteve retorno.
Mãos Limpas - A maioria
dos processos contra Roberto Góes remonta à Operação Mãos Limpas, da
Polícia Federal, que desarticulou um esquema de desvio de verbas federais
atribuído a servidores públicos e políticos do Amapá, entre eles, o governador
Waldez Góes (PDT), primo do então prefeito da capital. O caso provocou uma
reviravolta nas eleições de 2010, com a vitória de Camilo Capiberibe (PSB-AP)
como governador e de Randolfe Rodrigues (ex-Psol, hoje na Rede) como senador.
Os processos subiram para o Supremo depois que Góes virou parlamentar. Com o
mandato, ele só pode ser investigado com autorização dos ministros, aos quais
também cabe julgá-lo.
Acusado de envolvimento no esquema de corrupção,
Roberto Góes chegou a ser preso preventivamente e levado para o Complexo da
Papuda, em Brasília, no dia 18 de dezembro de 2010. Quando saiu da prisão, dois
meses depois, em 12 de fevereiro de 2011, foi recebido com festa no aeroporto
da cidade. Em seguida, reassumiu o mandato na prefeitura. Tentou se reeleger em
2012, mas perdeu a disputa para o atual prefeito, Clécio Vieira (então no
Psol), por uma apertada diferença de votos. Em 2014, o pedetista se elegeu
deputado federal com a maior votação do estado, 22.134 votos.
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