O professor da Universidade de São
Paulo (USP) José Maurício Conti, especialista em Direito Financeiro, avaliou
que existiu crime de responsabilidade nas condutas elencadas no processo de
impeachment da presidente Dilma Rousseff, ou seja, na abertura de créditos
suplementares via decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional;
e no adiamento de repasses para o custeio do Plano Safra, o que obrigou o Banco
do Brasil a pagar benefícios sociais com recursos próprios - o que ficou
conhecido como pedalada fiscal.
Conti participa neste momento de
audiência pública na comissão do Senado que analisa a admissibilidade do
impedimento de Dilma. Ele foi indicado para falar pela oposição ao governo.
Em relação aos créditos
suplementares, o professor explicou que os decretos para abertura de crédito
foram ilegais por não existir, no momento de sua edição, as condições para
tanto. “Em 2015, os relatórios governamentais constatavam a insuficiência de
arrecadação para cumprimento da meta [fiscal]. Mesmo assim, foram editados os
aludidos decretos. As condições para abertura de crédito suplementares devem
estar presentes no momento da respectiva abertura”, reforçou.
As posteriores alterações da meta
fiscal, via Congresso, também foram criticadas por José Maurício Conti com o
argumento de que prejudicam a segurança jurídica. O ato, disse, configurou
manobra com a “clara função” de tentar afastar a ilegalidade dos decretos. “O
que se fez foi, diante do evidente descumprimento da regra, mudar a regra e não
a conduta. Só pode enganar quem faz absoluta questão de ser enganado”, afirmou o
professor.
No que diz respeito às pedaladas
fiscais, José Maurício Conti lembrou que a legislação brasileira proíbe a
contratação de crédito entre instituição financeira estatal e o ente que a
controla. “Houve endividamento entre a União e o Banco do Brasil, instituição
financeira por ela controlado.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.