Dançar, dizem os “experts”, é
bom. Queima calorias e dá prazer. Dançar bem, garantem, é melhor aidna e o
prazer é maior. Dançar o que se gosta de dançar, é uma realização.
- “Eu me sentia bem e
realizada, dançando, quando sentia o suor escorregando por dentro do califon,”
dizia minha falecida avó.
Aquela mesma que vocês já
leram como personagens das minhas crônicas, tantas vezes. Não é que eu seja
apaixonado eternamente pela minha avó. É que, não fosse ela, certamente eu não
teria chegado até aqui. Ela não era apenas a mãe da minha mãe – ela era minha
avó e, ao mesmo tempo, minha mãe, também. E, pode parecer incrível, mas eu
dancei com minha avó. Foi ela quem me ensinou a dançar o samba de gafieira.
“
Gafieira é o local onde, por volta do fim do século XIX e início do século XX em diante, tradicionalmente as classes mais humildes podiam freqüentar para praticar as danças de casal, ou danças de salão. Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas e, pelo que consta a história, as gafieiras sempre existiram no município do Rio de Janeiro.
Ao contrário do que ensinam os institutos voltados à preservação do patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro, a gafieira mais antiga do Rio de Janeiro não é a Estudantina, de propriedade do senhor Isidro, um esforçado espanhol que, na década de 1980, pretendia somente montar uma churrascaria nesse local. Mas, por excesso de exigências na obtenção de um simples alvará, ele desistiu do oneroso investimento, e como não havia o que fazer, aproveitou a instalação e montou uma casa de samba, a qual logo tornou-se a mais famosa em função da localização e também por ter acontecido no ressurgir dessa atividade esquecida com o fim da vida noturna. O Seu Isidro, além de ter ali recebido milhares de dançarinos no salão da ex-churrascaria, ainda hoje é um local aberto ao público e a quem quiser fazer uma visita ao passado e apreciar a decoração dessa churrascaria destinada a resgatar a cultura boêmia que não existe mais.
Atualmente há outras gafieiras espalhadas principalmente pelo bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Localizam-se principalmente na Rua Mem de Sá – entre eles o tradicional Clube dos Democráticos e o recente Lapa 40º – e na Rua do Riachuelo - Teatro Odisséia, Carioca da Gema, etc.
Em São Paulo era famosa a Vila Sófia que fora cassino até os mesmos serem probidos, no bairro de Capela do Socorro, depois de Santo Amaro
Gafieira Show - Muito tradicional no Rio de Janeiro na década de 1930, a gafieira show é uma das misturas que saiu do samba, porém diferentemente dessa manifestação popular, a gafieira tem um código de ética, onde predomina a elegância e o respeito. A coreografia da gafieira show é baseada na dança de salão, porém um pouco menos regrada, já que possui o molejo e a malandragem do samba do início do século passado (samba de gafieira). Hoje, em shows folclóricos brasileiros, este quadro é indispensável pois ele retrata a boemia e magia do Rio de Janeiro antigo.
Samba de gafieira - O samba de gafieira é um estilo de dança de salão derivado do maxixe dançado no início do século XX.
Um dos principais aspectos observados no estilo samba de gafieira é a atitude do dançarino frente a sua parceira: malandragem, proteção, exposição a situações surpresa, elegância e ritmo. Na hora da dança, o homem conduz a sua dama, e nunca o contrário.
Diz-se que, antigamente, o centro da Lapa fazia uso de um terno branco, sapatos preto e branco, ou marrom e branco e, por debaixo do paletó, camisa preto e branca ou vermelha e branca, listradas horizontalmente, além de um Chapéu Panamá ou Palheta — há uma confusão sobre esses dois chapéus, parecidos de longe, porém, de perto, bem diferentes. Dentro do bolso, carregavam uma navalha.
A mão sempre ficava dentro de um bolso da calça, segurando a navalha em prontidão para o ataque; a outra gesticulava normalmente; suas pernas não andavam uma do lado da outra, paralelas, mas sempre uma escondendo o movimento uma da outra, como se estivesse praticamente andando sobre uma linha.
Dançando, o dito "malandro" sempre protege sua dama, dando a ela espaço para que ela possa se exibir para ele e para o baile inteiro ao seu redor e, ao mesmo tempo, impedindo uma aproximação de qualquer outro homem para puxá-la para dançar. Daí também a atitude de se sambar com os braços abertos, como se fosse dar um abraço, além de entrar no ritmo da música, proteger sua dama.
Música - O samba de gafieira, enquanto gênero musical (isto é, enquanto música composta pensando nos passos dos dançarinos do samba de gafieira), inclui o samba-choro (especialmente o chamado choro de gafieira), o samba de breque e o samba sincopado. (Transcrito do Wikipédia).
No sábado passado
denunciamos aqui a nossa chegada aos 73 anos. Deixamos Fortaleza em 1967, com
lúcidos e fortes 24 anos, vivendo a maioridade e pronto para segurar o cabresto
e as esporas da vida. Meus pais me prepararam para isso e a vida comprovou o
que de bom eles fizeram.
Quando deixamos Fortaleza,
nosso principal lazer era dançar. Felizmente, os tempos eram outros e, a
retidão copiada dos meus pais me escudou para as drogas – que não eram tão
comuns e liberadas naqueles tempos. Era namorar (sem a liberdade de aderir ao
sexo, com a namorada, como acontece nos dias de hoje) e dançar.
Ainda hoje carrego comigo
uma derrota – nunca consegui aprender a dançar tango, movimento que entendo
como algo para os verdadeiros dançarinos. Não tenho mais disposição para tentar
aprender.
Dancei muito, colocando o
lenço perfumado entre a minha mão esquerda e a direita da dama. Demonstração de
respeito e de cavalheirismo.
Mas, foi no Rio de Janeiro
que me realizei. Ali, me transformei em “móveis e utensílios” da Estudantina e
da Elite e, por muitas vezes abdiquei de comprar alguns itens necessários para
o dia a dia da vida, para economizar e ter o que gastar na “gafieira”!
Como foi acima descrito pelo Wikipédia, o conceito que
tínhamos de “gafieira” era um pouco deturpado. Nos anos 60, a maioria dos
fortalezenses entendia “gafieira” como um puxadinho predial do baixo meretrício
e, por isso, pouco frequentado pela “alta sociedade”. Não era. Era apenas um
lugar onde os homens encerravam a sua noite de brincadeiras e quase sempre
chegavam ébrios ou caminhando para isso. Era provavelmente por isso que, os
desentendimentos terminavam em violência.
No Rio de Janeiro o
conceito de “gafieira” sempre foi o que ainda é hoje. Local de diversão para
aqueles que preferem uma forma diferente de queimar calorias e de manter a
forma física – sem contar, também, que é um local escolhido entre muitos, para
se namorar.
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