Por Vasconcelo Quadros - iG Brasília
A cúpula petista afirma enxergar ação para enquadrar o partido e se
refere a Sérgio Moro como magistrado 'sem limites'.
Dois dias depois do impacto sofrido
pela prisão do tesoureiro João Vaccari Neto, um sinal amarelo ascendeu no PT:
sua direção reage ao que vem chamando de escalada das ações da força tarefa da
Operação Lava Jato para enquadrar o partido ou terá de conviver com a
probabilidade de novas prisões envolvendo outros dirigentes da cúpula.
O tema central de um debate sobre conjuntura travado
ontem na cúpula do partido foi a necessidade de centrar fogo nas ações do juiz
federal Sérgio Moro, considerado no partido como um coordenador informal das
investigações e um magistrado “quase sem limites” nas ações que miram o
partido.
Dentro das hipóteses postas à mesa, estão um eventual
pedido para que as investigações da Lava Jato fiquem sob a responsabilidade
exclusiva do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma reclamação oficial junto ao
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que, nos dois casos, exigiria um elenco
de fatos demonstrando contradição e imparcialidade do juiz.
Há quem ache que, mais do que combater a corrupção, o
objetivo das investigações sobe os desvios na Petrobras é destruir o PT. “O PT
é mais forte do que alguns palhaços gritando pela cassação do registro do
partido”, disse o ex-ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da
Presidência. Ele se referia a sugestões de procuradores que atuam na Lava Jato
e coordenam uma linha de investigação que mira justamente o comportamento dos
partidos diante do escândalo.
Investigação: Para o PT, André Vargas preocupa mais que Vaccari
Nas petições em que pede a abertura de inquéritos
contra políticos, o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, assinala que
será objeto de “apuração separada” as suspeitas segundo as quais, os partidos _
especialmente PT, PP e PMDB _ colocaram suas estruturas a serviço da lavagem da
propina desviada da Petrobras. Se as investigações prosperarem, dificilmente a
cúpula do PT, incluindo seu presidente, Rui Falcão, escaparia.
Há um consenso entre as principais lideranças de que a
Lava Jato centrou o foco no PT e livra o PSDB, numa suposta politização das
investigações. Um dirigente ouvido pelo iG, que pediu para não ter seu nome
revelado, disse que Moro instituiu uma espécie de juizado de instrução, onde
controla todas as etapas da operação - o que seria ilegal, mas um bom
argumento para levantar a suspeição do magistrado. Pelas leis brasileiras, o
juiz não pode participar de investigações e nem interferir na denúncia, atribuições
constitucionais que pertencem, respectivamente, a polícia e ao Ministério
Público.
Essa interpretação é o que justifica a reação do líder
do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), que deixou a reunião em São Paulo, no meio
da tarde, elevando o tom dos ataques a Moro, sem economizar adjetivos: disse
que na prisão de Vaccari o juiz “transbordou” os autos, agiu de forma
“autoritária” e se comporta, de forma parcial e com viés político, como se
estivesse num tribunal da “Santa Inquisição”. Sem explicar como, afirmou que PT
que, segundo ele, nasceu do embate, vai à luta. “Estão brincando com fogo e
rasgando a Constituição”, disse.
Novas prisões
A preocupação imediata é, no entanto, com a
possibilidade de novas prisões. O partido ainda mantém apoio a Vaccari, mas
reconhece que, ao demorar em afastá-lo do comando da tesouraria, acabou
atiçando o ímpeto dos procuradores e do próprio juiz Sérgio Moro, que há uma
semana havia afirmado, numa espécie de alerta que o partido ignorou, ser
“inaceitável” a presença de suspeitos em postos de comando nas instituições da
República.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.