Por Luciana
Lima - iG Brasília
Manual que aponta tatuagens que seriam próprias de bandidos foi editado
na administração do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner.
Tatuagens
de gnomos significam usuário de drogas, desenhos de palhaços identificam
ladrões. Ter Nossa Senhora Aparecida tatuada nas costas denuncia um estuprador.
Se for na perna, um latrocínio. Todas essas indicações constam em uma cartilha,
editada em 2012 pelo governo da Bahia e distribuída aos policiais militares
como orientação de trabalho.
A cartilha
foi apresentada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos
Deputados, destinada a apurar o genocídio de jovens negros no Brasil, durante a
reunião destinada a ouvir familiares de 12 mortos na chacina ocorrida no início
deste ano no bairro Cabula, na periferia de Salvador, em uma ação da polícia
militar da Bahia.
A cúpula
da CPI tem sido criticada por resistir em convocar autoridades tanto da esfera
federal, como dos estados, para prestar esclarecimentos sobre as práticas
implementadas na área de segurança pública.
Durante a
parte da reunião destinada a ouvir familiares de vítimas de violência no
Cabula, o coordenador da organização Reaja ou Será Morto, Hamilton Borges,
apresentou uma cartilha que foi editada durante a gestão do atual ministro da
Defesa, Jaques Wagner (PT).
O manual
lista uma séria de tatuagens que seriam “próprias de bandidos” e que deveriam
servir de sinais para as investigações policiais.
Este
manual, elaborado por um integrante da polícia baiana, foi publicado Secretaria
de Segurança e distribuído aos demais policiais militares da Bahia.
Entre as orientações contidas na cartilha estão a de que tatuagens de
Nossa Senhora Aparecida, podem representar “latrocida, estuprador, ou mesmo
fé/proteção”.
Outra
orientação do manual aponta que maioria das tatuagens de palhaço indica ligação
com roubo. “São extremamente perigosos. Portadores desta tatuagem demonstram
frieza e desprezo pela própria vida”, orienta a cartilha.
Borges
ainda indicou crimes cometidos por policiais com base em tatuagens das vítimas
de símbolos de religiões de matrizes africanas, como um menino, morto na Bahia,
devido a uma tatuagem de Oxossi na panturrilha. Esse tipo de tatuagem
representaria matadores de policiais.
A deputada
Benedita da Silva (PT-RJ) cobrou apuração por parte da comissão de práticas incentivadoras
da violência policial cometidas pelos governantes.
“Isso
indica como é a formação de nossa polícia. Uma polícia que foi formada durante
a ditadura, que teve uma formação para matar. O que se tem aqui é a tatuagem,
mas nós sabemos que antigamente, se tinha um negão com uma calça boquinha ia
preso. Se tinha um black power , ia preso. Se estava sem camisa, ia preso. Numa
rua escura, dois negrões juntos, vão presos”, comentou a deputada.
A deputada ainda apontou a
necessidade de chamar as autoridades responsáveis nos estados para falar sobre
as orientações repassadas. “É preciso que aqui a gente relaxe para fazer com
Justiça. Senão a gente vai ficar aqui em um debate entre nós. Um debate
perverso. Isso aqui é o secretário de segurança que promoveu”, apontou,
referindo-se à cartilha.
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