Um documento
feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, com
propostas para reformar a educação, causou mal estar dentro do próprio governo federal. O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, não foi consultado para o trabalho, apresentado na sexta-feira (24).
propostas para reformar a educação, causou mal estar dentro do próprio governo federal. O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, não foi consultado para o trabalho, apresentado na sexta-feira (24).
A proposta
contém ações como apoio técnico a escolas em dificuldades; afastamento de
diretores que não conseguirem atingir resultados desejáveis; criação de uma
carreira federal para professores de educação básica; e uma rede de escolas
federais que sejam referência aos demais colégios públicos.
Segundo a
Folha apurou, Janine ficou desconfortável com a situação. Ele teve acesso ao
documento na quarta-feira (22), quando alguns educadores de fora do governo já
haviam tido acesso ao material. O plano foi feito pelo titular da Secretaria de
Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e sua equipe.
Nesta
segunda (27), após debater a proposta com membros da sociedade civil, Unger
disse que o trabalho foi desenvolvido a pedido da presidente Dilma Rousseff.
"Será ela que mediará essa discussão."
Publicamente,
o Ministério da Educação afirma que o trabalho de Unger já havia sido debatido
com o ministro anterior da Educação, Cid Gomes.
Em nota, o
ministério disse que Ribeiro, agora, "vai analisar com sua equipe o
referido documento preliminar, para então encaminhar as discussões sobre o
mesmo dentro do MEC [Ministério da Educação], bem como com outros ministérios e
segmentos da sociedade".
A Educação
disse ainda que Unger "é um grande pensador, que contribuirá muito para o
projeto de educação do governo federal".
Durante o
debate desta segunda, em São Paulo, alguns dos participantes questionaram tanto
a ausência do Ministério da Educação na discussão quanto a relação da proposta
com o Plano Nacional de Educação, aprovado ano passado no Congresso e
sancionado por Dilma.
"O
plano tem aspectos positivos. Mas precisa ver como será a relação com o MEC,
Estados e municípios. Sem eles, nada anda", disse a secretária estadual de
Educação de São Paulo na gestão Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães Castro.
"Qual é
o papel dessa proposta? É um guarda-chuva para outras ações? É um meio de
implementar o Plano Nacional de Educação?", disse a coordenadora da ONG
Todos pela Educação, Alejandra Velasco.
"Senti
falta de uma relação da proposta com o Plano Nacional de Educação, que possui
legitimidade após ser aprovado por unanimidade no Congresso e sancionado sem
vetos pela presidente", disse o coordenador da Campanha Nacional pelo
Direito à Educação, Daniel Cara.
FÁBIO TAKAHASHI
THAIS BILENKY
THAIS BILENKY
Folha de S. Paulo
Por Instituto Maria Preta
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