Pátria Educadora é isso?
Esse é mais um tema para reflexão. Nada aqui pretende
ser conclusivo e os conceitos e discussões estão com caminhos abertos – sendo
todos respeitados, pois ninguém é o absoluto “dono das verdades”.
E, a primeira indagação é: quem compõe hoje as diversas
bancadas na Câmara Federal, que conhecimento tem e que moral ilibada garante a
decisão por voto (ou por abstenção) de tema que tem reflexo direto no
comportamento da sociedade brasileira?
Citar nomes para que?
Entendemos como desnecessário, pois, embora o
contingente que frequenta este ambiente cibernético seja desconhecido para nós
(e, também, o grau de conhecimento e coerência), não correremos o risco de
apostar nossas fichas mais valiosas nos deputados e senadores que lá (Câmara e
Senado) estão.
E veja que, mesmo com a renovação que aconteceu em
janeiro tanto na Câmara quanto no Senado, muitos que lá chegaram pela primeira
vez, já carregavam na mochila um considerável quantitativo de elementos
negativos – sem achar que se descobre a pólvora, quando se diz que, o mandato
eletivo, para muitos, nada mais é que um escudo. Os que entram não são
diferentes do que saem. É, como dizia minha falecida Avó, “tudo farinha da
mesma mandioca crivada na mesma peneira”.
Dito isso, formula-se a seguinte pergunta: a Proposta
de Emenda à Constituição 171/93 que propõe reduzir a maioridade penal de 18
para 16 anos, é realmente o “xis” da questão e é o caminho para diminuir (pois,
“acabar” é utópico!) a violência que pulou cercas e muros burlando sistemas de
vigilâncias das nossas casas e se constitui num elemento a mais nas nossas
famílias?
Será que, diminuindo a maioridade penal, todos os
problemas desse setor, doravante, terão também sido resolvidos?
E você (pai ou mãe) faz direito o seu papel?
Ou, será que o problema também não é seu – mas sempre
do Estado?
Ora, seja verdadeiro. Nos últimos anos você tem
invertido os papéis. Você (pai e mãe) quer que o Estado “eduque” o seu filho.
E, “educar” não é papel do Estado. É seu!
O que cabe ao Estado é a “ escolarização” que você também desqualifica ou apoia a
manter da forma precária que está, quando, em vez de cobrar, procura uma escola
particular. Isso pode até resolver o “seu” problema, e minimizar a sua “culpa”
com aquilo que lhe rodeia. Mas, será que você é um oásis e para sempre vai ter
água para saciar a sede de todos?
Você vota no “Zé” e, certamente, acha que tudo ficou
resolvido quando você “cumpriu” a legislação. E, quando por algum motivo você
não consegue votar, o mundo melhora ou continua como antes?
Assim, veja: você só, não é ninguém. Você é muito,
quase tudo, quando é também a família. Você tem sido a família? Você tem
dedicado o tempo disponível para a sua família? Ou você é um daqueles que nunca
tem tempo para a família, para o filho – mas vive resolvendo os problemas do
mundo numa mesa de bar?
Essa PEC 171/93 nada mais é que a culminância da sua
omissão, da sua falta de tempo para dedicar à família – porque acha mais fácil
se alinhar ao modismo de empurrar sempre tudo para debaixo do tapete. Sim, essa
PEC é uma outorga sua para o Estado resolver via Leis, um problema de educação
familiar – que é totalmente seu.
E, quando você outorga, o Estado usa a sua assinatura
no que bem lhe convém – e, na maioria das vezes, usando políticos
inescrupulosos como muitos que estão aí envolvidos em achados putrefatos
devolvidos pelo pré-sal da vida.
A PEC 171/93 é, também, um somatório do que a sociedade
emprenhou (desculpas pelo termo chulo – mas é absolutamente necessário para que
possamos ser entendidos e para que seja demonstrada a nossa indignação) pelo
ouvido, os acintes e arroubos do capitalismo desumano.
Ora, o orgasmo produzido pelo êxtase do mundo
capitalista, nada mais é que o “consumo”. O “ter”, anos luz na frente do “ser”.
E quando isso acontece, nada que você ganha produzindo incessantemente, é
suficiente para as suas necessidades domésticas diárias. Haverá sempre uma
demanda a mais. Uma demanda a ser atendida – caso contrário, você jamais “terá”
alguma coisa.
E aí, o que você faz?
Você aceita que a sua “fortaleza doméstica” seja
atingida, balançada. E quando a sua “companheira” que guarnece a sua retaguarda
– e a sua família, vigiando com olhares de águia os seus filhos! – sai de casa
para atender apenas às necessidades do “ter” mais, consumir mais, a sua família
começa a ser destruída.
Quantas “esposas” saem todos os dias de casa, embaladas
pelo consumismo, sem qualquer profissão, sem destino e deixa a filharada jogada
às traças?
Muitas saem de casa para trabalhar numa portaria;
vender produtos inúteis. O que ganham e trazem para casa (para ajudar a onda do
consumismo imposta pelo capitalismo) nunca representarão 10% do que a família
será obrigada a investir para mudar os erros do rumo inicial dos filhos.
Claro que não estamos falando da mulher “profissional”
– médica, advogada, engenheira ou qualquer outra profissão que realmente some e
signifique alguma coisa para a família. Estamos falando da mulher que sequer
tem uma profissão definida e sai de casa para fazer não se sabe o que – e deixa
os filhos na linha de tiro da PEC 171/93.
Agora, claro, o gestor público equivocado ou
incompetente, no frigir dos ovos acaba metendo os pés pelas mãos e entornando o
caldo a partir de ações difíceis de entender.
No Brasil, “Bolsa Reclusão” é um acinte. Não para quem
é vítima também dos erros do apenado (a família dele), mas para quem
“trabalha”. Não existem meios que possam ser utilizados por ninguém para
convencer que, quem comete crimes de quaisquer espécies possa ser condenado a
cumprir determinada pena e, na prisão, sem produzir absolutamente nada, possa
ter uma vida diferente (e para melhor em termos de remuneração) do que aqueles
que trabalham de sol a sol, enfrentando todos os tipos de dificuldades que se
enfrenta no Brasil.
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