Rodrigo Baptista
A Medida Provisória (MP) 671/2015, que renegocia
as dívidas dos clubes em troca de contrapartidas, recebeu 181 emendas, que
agora serão analisadas pela comissão mista. Senadores e deputados propõem a
exclusão de algumas exigências impostas às agremiações que aderirem ao
Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol
Brasileiro (Profut), mas acrescentam outras. As emendas também favorecem a
criação de clubes-empresa e tratam da punição de dirigentes.
Um dos pontos polêmicos da MP, a obrigatoriedade de
investimento de parte das receitas dos clubes no futebol feminino, pode ser
derrubada pelos parlamentares caso seja aprovada emenda deputado Danrlei de
Deus (PSD-RS). O ex-goleiro do Grêmio e da seleção brasileira propõe que o
investimento no futebol feminino e na formação de atletas seja opcional.
“O objetivo central da MP em questão é
estabelecer uma gestão eficiente aos clubes, o que dificultaria tendo essas
duas novas obrigações, sendo de bom tom a
possibilidade da escolha em um primeiro momento e ao longo da amortização da dívida ser investido nas duas áreas”, diz
a justificativa apresentada pelo deputado.
Ingressos populares - Por sua vez, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP),
que foi ministro do Esporte durante o governo Lula, apresentou emenda exigindo
mais uma contrapartida dos clubes: a comercialização a preços populares de 10%
do total de ingressos colocados à venda.
Preocupado com a educação dos jovens atletas, o
senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) disse ser importante estabelecer a obrigação
de que os jogadores contratados estejam devidamente matriculados em
estabelecimentos de ensino e que sejam acompanhados até o termino de curso
superior.
"Garantir oportunidade para que os nossos
atletas alcancem formação acadêmica lhes dará chance de ter uma vida mais digna
e produtiva ao final de suas carreiras esportivas", justifica o
senador.
Já o senador Eduardo Amorim (PSC-SE) propõe que
sejam realizados jogos beneficentes pelos clubes de futebol que participam da
primeira e da segunda divisão do Campeonato Brasileiro em favor das Santas
Casas de Misericórdia e de Hospitais Beneficentes e Filantrópicos sem fins
lucrativos.
Mandatos - Outra mudança pode acontecer na limitação dos mandados dos dirigentes. O
texto original da MP autoriza no máximo dois mandatos consecutivos de quatro
anos. Mas o deputado André Moura (PSC-SE) apresentou emenda para permitir que a
fixação do período do mandato dos presidentes e demais cargos eletivos fique a
critério dos clubes.
O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) apresentou
emenda para que os dirigentes que praticarem atos de gestão irregular ou
temerária sejam responsabilizados por meio de mecanismos de controle internos
da entidade, sem prejuízo de eventual responsabilização criminal.
Caso constatada a prática de gestão irregular em
processo administrativo ou criminal, o dirigente, conforme a proposta do
deputado, ficará proibido de disputar cargos eletivos, ocupar cargos na gestão
ou desempenhar função administrativa em qualquer entidade desportiva
profissional por 30 anos.
Clubes-empresas - Outras emendas podem favorecer a criação de
clubes-empresas no país. O deputado federal Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA),
por exemplo, apresentou a possibilidade de enquadrar as agremiações de futebol
em um Regime Especial Tributário. Por meio de outra emenda, a senadora Vanessa
Grazziotin (PCdoB-AM) abre a possibilidade de os clubes negociarem ações na
bolsa de valores.
“A emenda que apresentamos tem por objetivo abrir a
possibilidade para que entidades de prática desportiva de futebol possam formar
sociedades civis nos termos do Código Civil e enfim se profissionalizar
angariando recursos no mercado financeiro e gerando lucros aqueles que
pertençam a tal sociedade”, justifica a senadora.
Entre outras emendas, os parlamentares também
apresentaram propostas para que representantes do Congresso façam parte da
Autoridade Pública de Governança do Futebol (APFut), criada pela MP para
acompanhar os procedimentos dos clubes com relação ao cumprimento da nova Lei.
Outras emendas - Cerca de 60 apresentadas ao texto abordam temas fora do esporte como
isenção de IOF para transações de moeda estrangeira realizada por estudantes,
perdão dos débitos com a Fazenda Nacional das entidades filantrópicas da área
da saúde e definição de limites territoriais de estados do Nordeste.
A comissão mista encarregada de analisar as emendas
deverá ser instalada no dia 15 de abril. Depois de aprovada pelo colegiado, a
MP terá de passar por votações nos plenários da Câmara dos Deputados e do
Senado. O prazo para tramitação da medida no Congresso Nacional se encerra 18
de maio.
Agência Senado
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