William Correia São Paulo (SP) - A primeira final do Campeonato Paulista não teve os
astros Valdivia e Robinho, ambos machucados, mas contou com um vencedor que
deixou o Palestra Itália com a sensação de que poderia ter feito mais. O
Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0, mas perdeu pênalti e teve um jogador a
mais desde os 12 minutos do segundo tempo.
Independentemente do que ocorreu nesta tarde, o
resultado serve como vantagem para o Verdão. No próximo domingo, basta ao time
não perder na Vila Belmiro para ser campeão, enquanto o Peixe precisa ganhar
por mais de um gol de diferença. Em caso de vitória alvinegra por diferença de
um gol, o dono da taça será definido nos pênaltis.
A largada na frente alviverde se deve a gol de
Leandro Pereira, aproveitando jogada iniciada por Cleiton Xavier (que entrou no
lugar do machucado Arouca), aos 29 minutos do primeiro tempo. Na etapa final,
Paulo Ricardo cometeu pênalti e foi expulso, mas Dudu cobrou no travessão. O
Santos, que veio a São Paulo mais disposto a empatar, passou a se mostrar
contente com o placar e segurou a derrota magra.
O jogo – Sem Valdivia nem
Robinho, a primeira final do Campeonato Paulista teve um início com rivais
muito distintos. O Palmeiras está acostumado a não contar com o seu jogador
mais caro, presente em apenas quatro partidas neste ano. Já o Santos, além de
seu principal atleta, não tinha também Werley, Gustavo Henrique, todos de
responsabilidade defensiva. As duas situações ficaram claras em campo.
Oswaldo de Oliveira não colocou a escalação
ofensiva que mostrou à imprensa na quinta-feira. Repetiu o time que bateu o
Botafogo de Ribeirão Preto nas quartas de final, há duas semanas, promovendo as
voltas do zagueiro Vitor Hugo, do lateral esquerdo Zé Roberto e do atacante
Leandro Pereira no clássico esquema com dois volantes e três jogadores na linha
de apoio ao centroavante.
Mas faltava espaço aos anfitriões. Marcelo
Fernandes escalou Chiquinho, teoricamente, pela meia esquerda, mas sendo só
mais um em uma postura extremamente defensiva. O Peixe passou os primeiros 15
minutos com o time inteiro atrás do meio-campo, sem nem conseguir dar a bola a
Lucas Limas para acionar contra-ataques com Geuvânio e Ricardo Oliveira.
Além de maior ímpeto ofensivo, o Verdão também
tinha mais força na marcação, ânsia que acabou sendo prejudicial. Em uma de
suas primeiras tentativas de roubar a bola, Arouca se machucou e precisou ser
substituído aos 17 minutos. Mas a saída do importante volante acabou sendo
providencial ao time, já que entrou Cleiton Xavier, o responsável por criar
espaços.
O Santos resolveu dar dois passos à frente, dando a
Cleiton Xavier campo para fazer o setor ofensivo alviverde funcionar. Os
primeiros minutos tiveram apenas Dudu acionado pela esquerda, mas Cleiton
descobriu Lucas, e recebia a bola com frequência não só por se movimentar. O
recuo de Robinho dava mais qualidade na transição da defesa.
Quando o time que quis atacar achou espaço, o gol
saiu. Aos 29 minutos, Cleiton Xavier abriu na direita para Lucas e Robinho, no
meio do caminho, abdicou de participar do lance, permitindo ao lateral cruzar
na área para Leandro Pereira balançar as redes. Como já tinha ocorrido nas
quartas de final.
Os jogadores do Peixe resolveram ir um pouco à
frente, com o freio de mão puxado, e permitiram ao quarteto ofensivo adversário
criar mais chances. Cleiton Xavier desperdiçou uma delas e Rafael Marques caiu
na grande área após ser bloqueado pela zaga. O Verdão queria pênalti e reclamou
tanto que o árbitro Vinicius Furlan precisou de proteção policial para ir ao
vestiário.
Na volta do intervalo, o juiz informou que expulsou
os dois técnicos, por exagerarem na reclamação. Oswaldo de Oliveira aproveitou
a estrutura do estádio para ficar no anel inferior, bem próximo ao banco de
reservas. E sofreu com um começo de segundo tempo no qual o Santos voltou mais
disposto a usar a habilidade e velocidade de sua linha ofensiva, como o time se
caracterizou para chegar à decisão.
A final teve mais espaços e, assim, o Palmeiras
teve mais uma excelente oportunidade de fazer 2 a 0. Leandro Pereira foi
agarrado por Paulo Ricardo e desabou na área. Desta vez, o árbitro deu pênalti,
e chamou atenção negativamente, já que, primeiramente, expulsou David Braz, que
nem estava no lance. Após consultar seus assistentes, acertou a quem mostrar o
cartão vermelho. Mas o erro que o palmeirense lamentou foi de Dudu: o atacante
cobrou no travessão, aos 14 minutos.
Ainda perdendo por 1 a 0, o Santos se ajeitou
defensivamente com a saída de Victor Ferraz para a entrada do zagueiro Jubal,
com Chiquinho passando à lateral esquerda. Oswaldo respondeu sacando Leandro
Pereira para apostar na movimentação de Gabriel Jesus. Alteração que manteve o
Palmeiras no ataque, mas parando na aplicação tática defensiva do Peixe.
O Palmeiras ainda teve o
rápido Kelvin no lugar de Robinho, e o atacante criou oportunidades para o
time, mantendo a postura de aproveitar a superioridade numérica e o consequente
cansaço santista. Mas os comandados de Marcelo Fernandes mostraram saber como
fechar espaços, e levam para a Vila Belmiro uma derrota que poderia ser pior.
Ficha técnica: Palmeiras 1 x 0 Santos
Local: Palestra Itália, em São Paulo (SP)
Data: 26 de abril de 2015, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Vinicius Furlan (SP)
Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Junior e Anderson José de Moraes Coelho (ambos de SP)
Cartões amarelos: Cleiton Xavier, Vitor Hugo, Gabriel e Victor Ramos (Palmeiras). Lucas Lima (Santos)
Cartão vermelho: Paulo Ricardo (Santos)
Público: 39.479 pagantes
Renda: R$ 4.181.281,25
GOL: PALMEIRAS: Leandro Pereira, aos 29 minutos do primeiro tempo
PALMEIRAS: Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel e Arouca (Cleiton Xavier); Rafael Marques, Robinho (Kelvin) e Dudu; Leandro Pereira (Gabriel Jesus). Técnico: Oswaldo de Oliveira
SANTOS: Vladimir; Cicinho, Paulo Ricardo, David Braz e Victor Ferraz (Jubal); Lucas Otávio, Renato, Chiquinho e Lucas Lima; Geuvânio (Gabriel) e Ricardo Oliveira (Leandrinho). Técnico: Marcelo Fernandes
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