segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Caldo de cana com pastel

 


Caldo de cana com limão

O calor abrasador se aproxima dos 40 graus de temperatura. Árvores sombrias não parecem ter muita serventia. Mas, ainda é na sombra que transeuntes minimizam os efeitos do calor que se torna insuportável. E a danada da chuva que não vem. Mas continuam as rezas para São José, o Padroeiro do Estado.

Fortaleza, capital do Ceará. Exatamente 10 horas e o sol continua inclemente. Apressados, passantes procuram as sombras das árvores nas praças. A preferida é a Praça General Tibúrcio, local onde antes funcionou a sede da Prefeitura Municipal de Fortaleza e, naquele mesmo período, a sede da Secretaria de Segurança do Estado.

Ali naquele logradouro aconchegante, o calor é amenizado com ares de oásis e fica melhor ainda se você sentar numa cadeira de um Engraxate para dar um brilho nos sapatos. Se você estiver muito cansado, é capaz de dormir, tamanho é o frescor da brisa que sopra.

Mas, o calor fortalezense também pode ser amenizado em outras duas praças, próximas uma da outra. A conhecida Praça dos Leões com vários acessos para a Rua Sena Madureira e bem próxima do antigo Mercado Central e, a mais conhecida, mas não tão bem arborizada, Praça do Ferreira.

Mas, ainda que sem a necessária arborização, é na Praça do Ferreira que ficava localizada a pastelaria Miscelânea, hoje transformada na Leão do Sul, onde é servido o melhor e mais concorrido caldo de cana com o mais gostoso pastel com diferentes recheios.

Próximo dali, na esquina da Rua Perboyre e Silva com Rua Floriano Peixoto, ficava o antigo Café Cearazinho, onde o caldo de cana fazia ameaçadora concorrência para a Miscelânea – esta atravessou o século XX no auge do prestígio.

- Seu Zé, me dá dois pastel e um caldo!

- Cadê as fichas?

- Taqui!

- Pastel de que?

- Um de queijo e o outro de carne!

Bem distante dali, viajamos horas de avião, ou dias de ônibus, e chegamos a São Paulo. Antigamente desembarcávamos na Estação da Luz, onde também funcionava o Terminal Rodoviário. Agora, viajantes por via terrestre (ônibus) embarcam e desembarcam no Terminal do Tietê. São Paulo mudou pouco, se não levarmos em consideração a violência urbana. Quase tudo que existia no Centro da capital, ainda existe hoje. Pouco ou quase nada foi acrescentado.

Distante do Centro, chegamos numa manhã dominical à Feira Livre do bairro Limão, uma das mais concorridas de antigamente, que manteve algumas tradições. Como bares e restaurantes vendendo galetos e um excelente cupim bovino assado na roldana. Uma maravilha. O petisco, servido com pão de queijo e uma cerveja Caracu gelada, não tem concorrência.

Mas, é na Feira Livre que encontramos a novidade não tão nova assim. Caldo de cana com limão sem semente (para evitar o amargo), ambos passados na moenda. Acompanhado de pastel com vários recheios preparados pelos “chinas”. Outra maravilha da vida. Irresistível!

Faz parte da nossa vida cultural e dos nossos hábitos cotidianos, não dar muita atenção à higiene do que se come fora de casa. Assim, o pastel frito na hora é aceito e comido de qualquer jeito. Nunca se soube se a massa ou o queijo estão com validade garantida.

- O que tem nesse pastel, “china”? (na maioria das vezes o atendente é nordestino e nem se incomoda muito com a nova “naturalidade”)

- Carne de boi e azeitona!

Come-se o pastel até o fim e a azeitona não foi encontrada. Da mesma forma, o pastel com recheio de camarão.

- “China” cadê o camarão desse pastel?

- Tu queres um quilo de camarão num pastel desses, é?

E assim, como diálogos desse nível, ainda se come o melhor pastel de São Paulo, acompanhado de um caldo de cana moído com limão.

 

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