O homem é um ser totalmente político. Qualquer coisa
que se faça é uma atitude política – afirmam isso os estudiosos da área, embora
nunca se saiba com quem aprenderam e muito menos se quem lhes ensinou tem
capacitação para isso.
A Política é algo compreensível que nunca se consegue
compreender, porque quem faz colocações tem o hábito de carregar a discussão
com pesos pessoais e teorias próprias. Todos nós achamos que entendemos de Política
– embora todos nós tenhamos dito algum dia, que não gostamos ou não nos envolvemos
com Política.
Nossos olhares para a Política, assim, serão sempre
estrábicos. Política, afirmam outros, é uma ciência social, discutível, perceptível,
compreensível – mas que nunca é tratada como tal. No Brasil, então, é sempre o
caminho mais fácil para quem está na tendência de se locupletar.
Quer perder um amigo? Vote nele para um cargo eletivo e
ajude a elegê-lo. O simples “bom dia” do dia da eleição é diferente do “bom
dia” após a eleição, se aquele tiver sigo eleito. Assim, necessariamente, há
que se fazer diferenciação entre “Política” e “poder” alcançado pela
“Política”. A chegada ao poder, para o brasileiro, é uma verdadeira caixa preta
perdida no mais profundo dos oceanos.
São muitos, entretanto, para os quais a Política não é
nenhuma ciência. É profissão. Para outros, é algo que, eleito uma vez, duas
vezes, três vezes, passa a ser um feudo com transferência hereditária para a
família. As famílias se envolvem de tal forma com a Política, que forma
gerações e mais gerações – e o que é pior: nenhum dá nenhum retorno ao eleitor.
Exemplo: Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia. Isso apenas a nível federal,
pois, nos estados a Política é entendida como capitania hereditária.
Voltamos ao exemplo da família Sarney: Sarney Filho tem
verdadeiros currais eleitorais, nunca fez campanha política, mas já está na
Câmara Federal há pelo menos cinco mandatos – e não dá um prego numa barra de sabão
nem nunca construiu uma calçada ou asfaltou um metro de rua.
Para gente assim, a Política é o que?
Se a Política tem vários lados, pelo menos num desses,
com certeza estará o “Eleitor”. Muitos eleitores, se necessário, optariam pela
não obrigatoriedade do voto. No Brasil, eleitor não gosta de votar.
Se o Político “compra” voto, é porque encontra quem o
venda. E eleitor vende voto, sim senhor. Troca por emprego, troca por favor a
si ou a algum familiar, e até faz campanha para garantir eleição de candidato
que lhe promete algo valioso.
Mas, ainda que nunca tenha deixado de existir o voto de
cabresto, já houve no Brasil a “política ideológica”, como também existem
eleitores que nunca votaram em nenhum candidato. Votam em branco ou anulam o
voto – pouco se importando com o que isso possa acarretar no resultado final da
eleição.
Pois bem. E, com absoluta certeza, é por conta de todas
alternativas; por conta de todos esses erros; por conta de todos esses
entendimentos, que a política brasileira deixou de ser uma ciência e virou uma
merda. Uma merda que fede, cagada por pústulas que se beneficiam de tudo para
garantir um mandato que lhes sirva de escudo e de blindagem.
É o estrabismo político generalizado – do Político, do
Eleitor, e, principalmente das instituições formadas e concebidas por maníacos
e depravados que só pensam em se locupletar e se esconder atrás de um mandato.
E é apenas por obra e graça da Política (e, por
consequência, dos políticos) que o Brasil está mergulhado no mais profundo dos
poços e, na semana passada foi obrigado a pedir socorro a uma plêiade de
pessoas que só souberam praticar o que todos sabemos – mas, infelizmente não
podemos provar.
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