domingo, 27 de setembro de 2015

O estrabismo político



O homem é um ser totalmente político. Qualquer coisa que se faça é uma atitude política – afirmam isso os estudiosos da área, embora nunca se saiba com quem aprenderam e muito menos se quem lhes ensinou tem capacitação para isso.

A Política é algo compreensível que nunca se consegue compreender, porque quem faz colocações tem o hábito de carregar a discussão com pesos pessoais e teorias próprias. Todos nós achamos que entendemos de Política – embora todos nós tenhamos dito algum dia, que não gostamos ou não nos envolvemos com Política.

Nossos olhares para a Política, assim, serão sempre estrábicos. Política, afirmam outros, é uma ciência social, discutível, perceptível, compreensível – mas que nunca é tratada como tal. No Brasil, então, é sempre o caminho mais fácil para quem está na tendência de se locupletar.

Quer perder um amigo? Vote nele para um cargo eletivo e ajude a elegê-lo. O simples “bom dia” do dia da eleição é diferente do “bom dia” após a eleição, se aquele tiver sigo eleito. Assim, necessariamente, há que se fazer diferenciação entre “Política” e “poder” alcançado pela “Política”. A chegada ao poder, para o brasileiro, é uma verdadeira caixa preta perdida no mais profundo dos oceanos.

São muitos, entretanto, para os quais a Política não é nenhuma ciência. É profissão. Para outros, é algo que, eleito uma vez, duas vezes, três vezes, passa a ser um feudo com transferência hereditária para a família. As famílias se envolvem de tal forma com a Política, que forma gerações e mais gerações – e o que é pior: nenhum dá nenhum retorno ao eleitor.

Exemplo: Sarney, Antônio Carlos Magalhães,  Agripino Maia. Isso apenas a nível federal, pois, nos estados a Política é entendida como capitania hereditária.

Voltamos ao exemplo da família Sarney: Sarney Filho tem verdadeiros currais eleitorais, nunca fez campanha política, mas já está na Câmara Federal há pelo menos cinco mandatos – e não dá um prego numa barra de sabão nem nunca construiu uma calçada ou asfaltou um metro de rua.

Para gente assim, a Política é o que?

Se a Política tem vários lados, pelo menos num desses, com certeza estará o “Eleitor”. Muitos eleitores, se necessário, optariam pela não obrigatoriedade do voto. No Brasil, eleitor não gosta de votar.

Se o Político “compra” voto, é porque encontra quem o venda. E eleitor vende voto, sim senhor. Troca por emprego, troca por favor a si ou a algum familiar, e até faz campanha para garantir eleição de candidato que lhe promete algo valioso.

Mas, ainda que nunca tenha deixado de existir o voto de cabresto, já houve no Brasil a “política ideológica”, como também existem eleitores que nunca votaram em nenhum candidato. Votam em branco ou anulam o voto – pouco se importando com o que isso possa acarretar no resultado final da eleição.

Pois bem. E, com absoluta certeza, é por conta de todas alternativas; por conta de todos esses erros; por conta de todos esses entendimentos, que a política brasileira deixou de ser uma ciência e virou uma merda. Uma merda que fede, cagada por pústulas que se beneficiam de tudo para garantir um mandato que lhes sirva de escudo e de blindagem.

É o estrabismo político generalizado – do Político, do Eleitor, e, principalmente das instituições formadas e concebidas por maníacos e depravados que só pensam em se locupletar e se esconder atrás de um mandato.

E é apenas por obra e graça da Política (e, por consequência, dos políticos) que o Brasil está mergulhado no mais profundo dos poços e, na semana passada foi obrigado a pedir socorro a uma plêiade de pessoas que só souberam praticar o que todos sabemos – mas, infelizmente não podemos provar.

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