China procura desacelerar o crescimento da
economia
Agência O
Globo
PEQUIM - No momento em que o mundo acompanha com
preocupação a desaceleração da segunda maior economia mundial, a China anunciou
uma revisão para baixo do PIB de 2014. Em vez de 7,4%, a economia chinesa
cresceu 7,3% no ano passado, de acordo com dado do Escritório Nacional de
Estatística divulgado nesta segunda-feira. O número final só será anunciado em
janeiro de 2016.
A expansão de 7,4% na atividade econômica já
representava o pior resultado desde 1990. Os 7,3%, que representam a revisão de
uma “confirmação preliminar”, também. E a meta das autoridades chinesas é que o
desempenho econômico de 2015 fica na casa de 7%, mas muitos analistas temem que
esse número não seja alcançado.
De acordo com a AFP, o banco ANZ prevê que p PIB
desacelere para 6,4% no terceiro trimestre e feche os últimos três meses do ano
em 6,8% . Assim, a taxa anual ficaria abaixo dos 7% esperados pelas autoridades
chinesas.
A desaceleração da economia e os temores de que o
enfraquecimento seja maior do que o previsto provocou pânico nas Bolsas
chinesas no mês passado, afetando, consequentemente, outros mercados do mundo.
Nesta segunda-feira, as Bolsas chinesas voltaram a fechar em baixa. A de Xangai
recuou 2,5%, assim como a de Shenzen. O mercado de Hong Kong fechou em queda de
1,23%, já o de Tóquio, no Japão, subiu 0,38%.
Wendy Chen, analista em Nomura International, disse
à AFP que “a correção do PIB do ano passado se deve sobretudo ao setor de
serviços, que cresceu menos do que o anunciado pelos números iniciais”. O
desenvolvimento do setor de serviços é central na estratégia do governo para um
novo modelo, mais centrado no consumo interno que nos investimentos públicos e
nas exportações.
— Isso dignifica que a estrutura econômica da China
não evoluiu também como se espetava — afirmou Chen à AFP.
Dois índices publicados na semana passada mostraram
forte contração na atividade manufatureira em agosto, o que deixou os
investidores com medo de que o país esteja se preparando para um “pouso
forçado”. Esses dados se unem à piora no comércio exterior chinês em julho,
quando houve uma clara queda nas exportações (-8,3%) e nas importações (-8,1%),
além da desvalorização do yuan pelas autoridades chinesas em meados do mês
passado.
A China representam 13 do PIB mundial e os mercados
temem um contágio da desaceleração do país. Mas Qian Qimin, analista do grupo
Shenwan Hongyuan, disse à AFP que “a correção do número do PIB do ano passado
tem pouco impacto no mercado”.
— É um número do ano passado, e de qualquer forma
todo o mundo sabe que a economia não está bem. O mercado continua flutuando,
mas as ações das pequenas empresas estão se recuperando depois das fortes
perdas sofridas — acrescentou o analista.
No acumulado em 12 meses encerrados em junho, as
Bolsas chinesas registraram uma valorização de 150%. A partir de então, os
investidores já amargam uma queda de 40%. E neste cenário, o país aprovou um
documento que esboça uma reforma de suas empresas estatais.
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