No dia 8 de setembro,
a cidade de São Luís, capital do Maranhão, completou 403 anos de fundação.
Localizada na Ilha de Upaon-Açu (denominação indígena dos Tupinambás, que
significa “Ilha Grande”), onde também estão os municípios de Raposa, São José
de Ribamar e Paço do Lumiar, a capital maranhense é a única cidade brasileira
fundada pelos franceses, em 1612. Posteriormente invadida pelos holandeses, São
Luís foi colonizada pelos portugueses – mas hoje convive com mais hábitos
franceses que portugueses.
A capital maranhense é
governada atualmente pelo jovem ludovicense (gentílico de quem nasce em São
Luís) Edivaldo Holanda Júnior, filho de cearenses. Tem, segundo o IBGE, uma
população contada em 2014, de 1.064.197 habitantes. A Câmara Municipal de São
Luís possui uma bancada de 31 vereadores. “São Luís” é o nome oficial da
cidade, em vez de “São Luiz”, como, equivocadamente, escrevem alguns.
Como de resto das
demais cidades brasileiras, São Luís vive uma constante crise
político-administrativa, fruto provável do coronelismo que tomou conta do
Estado há cerca de 50 anos. Dificilmente alguém encontra em São Luís algum
gestor que não tenha vindo do feudo sarneísta que, para se eleger, se veste de
figurinos ditos rebeldes e momentâneamente adversários. Mas, no fundo, é tudo
farinha do mesmo saco.
Conhecida mundo à fora
como Ilha do Amor ou Jamaica Brasileira, São Luís possui um dos mais belos (e
mal conservados) casarios que enriquece a arquitetura da humanidade – em 1997,
São Luís recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, dado pela
UNESCO (graças ao trabalho elogiável desenvolvido pelo então Prefeito
Municipal, Jackson Kepler Lago), em reconhecimento à preservação de seu
conjunto arquitetônico colonial com edificações dos séculos XVIII e XIX,
possuindo mais de 3.500 unidades residenciais – mas não tem recebido o merecido
respeito por parte dos últimos gestores municipais. A última cruzada pela
recuperação do casario aconteceu por obra e graça do paraibano Epitácio
Cafeteira Afonso Pereira, Governador do Maranhão no período de 15 de março de
1987 a 3 de abril de 1990, que também fora Prefeito de São Luís.
A capital maranhense tem um
litoral estrategicamente mais próximo dos grandes centros importadores de
produtos brasileiros, o que permite economia de combustíveis e redução no prazo
de entrega de mercadorias provenientes do Brasil através do Porto do Itaqui, que
é o segundo mais profundo do mundo, permitindo a chegada e a saída dos navios
de maior calado – igualado apenas pelo porto de Amsterdam, na Holanda.
Se estivesse usufruindo
totalmente dos trechos da linha férrea da Ferrovia Norte-Sul, poderia se
transformar no maior escoadoro das exportações brasileiras e num dos principais
canais de crescimento da região. Inexplicavelmente, “alguém” que se considera
“proprietário” do Estado, vive dificultando qualquer ação que impulsione a
solução definitiva, dizem alguns.
Festas – Literalmente abandonada pela gestão municipal,
São Luís não tem muito a comemorar. A área conhecida e reconhecida como Centro
Histórico e tombada pela UNESCO, enfrenta desvalorização a cada dia que passa.
Com legislação federal ultrapassada e desconexa dos dias atuais, a área tem uma
grande maioria de prédios de propriedade particular, já como parte adjudicada a
herdeiros, que não tem muito interesse na recuperação.
Grande parte do conjunto
arquitetônico teve como componente na construção, para garantir a aderência
entre uma linha de parede e outra, o óleo de baleia, usado naqueles tempos sem
quaisquer restrições. Nos dias atuais, isso não é mais possível. Da mesma
forma, a divisão entre um pavimento e outro era feita com madeira de lei. Nos
dias atuais a legislação ambiental proíbe terminantemente o uso desses dois
componentes.
Como se essas dificuldades por
si só não fossem suficientes para atravancar a recuperação do casario, o erário
municipal vive atrelado a empréstimos ou depende de emendas da bancada federal
– e a divisão partidária em situação e oposição acaba dificultando o
encaminhamento para as obras de recuperação necessárias. Assim, o Governo
Municipal, que convive com a escassez de recursos provenientes da arrecadação
de impostos (é raro encontrar algum proprietário de imóvel em São Luís que
pague IPTU), fica na dependência de apoiar ou não o Governo Estadual ou Federal
para garantir benesses de repasses.
Ilha do amor – Não é correto nem honesto afirmar que nada presta
em São Luís. Chegamos a Ilha do Amor em fevereiro de 1987, vindo de uma boa
temporada residencial no Rio de Janeiro. Aqui constituímos uma segunda família
e, por possuirmos uma boa qualificação, não ficamos uma semana sem trabalhar.
Foi difícil, inicialmente, uma
adaptação, para quem vinha de centro mais evoluído como o Rio de Janeiro, com
hábitos cotidianos diferentes, para viver uma nova realidade. Ainda não estamos
totalmente adaptados pois, durante a vida que vivemos, aprendemos a não ser
subservientes. E isso “pesa” em São Luís.
Por outro lado, a cultura
popular maranhense, mormente a de São Luís, é muito forte. Muito envolvente,
porque vem de pessoas simples, muitas donas de formação empírica, mas que
cosneguem agradar a qualquer nível de conhecimento. E, é nesse aspecto,
inspirando simplicidade e saber cultural natural, que São Luís se transforma na
Ilha do Amor.
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