quarta-feira, 16 de setembro de 2015

São Luís – a Ilha do Amor



No dia 8 de setembro, a cidade de São Luís, capital do Maranhão, completou 403 anos de fundação. Localizada na Ilha de Upaon-Açu (denominação indígena dos Tupinambás, que significa “Ilha Grande”), onde também estão os municípios de Raposa, São José de Ribamar e Paço do Lumiar, a capital maranhense é a única cidade brasileira fundada pelos franceses, em 1612. Posteriormente invadida pelos holandeses, São Luís foi colonizada pelos portugueses – mas hoje convive com mais hábitos franceses que portugueses.

A capital maranhense é governada atualmente pelo jovem ludovicense (gentílico de quem nasce em São Luís) Edivaldo Holanda Júnior, filho de cearenses. Tem, segundo o IBGE, uma população contada em 2014, de 1.064.197 habitantes. A Câmara Municipal de São Luís possui uma bancada de 31 vereadores. “São Luís” é o nome oficial da cidade, em vez de “São Luiz”, como, equivocadamente, escrevem alguns.

Como de resto das demais cidades brasileiras, São Luís vive uma constante crise político-administrativa, fruto provável do coronelismo que tomou conta do Estado há cerca de 50 anos. Dificilmente alguém encontra em São Luís algum gestor que não tenha vindo do feudo sarneísta que, para se eleger, se veste de figurinos ditos rebeldes e momentâneamente adversários. Mas, no fundo, é tudo farinha do mesmo saco.

Conhecida mundo à fora como Ilha do Amor ou Jamaica Brasileira, São Luís possui um dos mais belos (e mal conservados) casarios que enriquece a arquitetura da humanidade – em 1997, São Luís recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, dado pela UNESCO (graças ao trabalho elogiável desenvolvido pelo então Prefeito Municipal, Jackson Kepler Lago), em reconhecimento à preservação de seu conjunto arquitetônico colonial com edificações dos séculos XVIII e XIX, possuindo mais de 3.500 unidades residenciais – mas não tem recebido o merecido respeito por parte dos últimos gestores municipais. A última cruzada pela recuperação do casario aconteceu por obra e graça do paraibano Epitácio Cafeteira Afonso Pereira, Governador do Maranhão no período de 15 de março de 1987 a 3 de abril de 1990, que também fora Prefeito de São Luís.

A capital maranhense tem um litoral estrategicamente mais próximo dos grandes centros importadores de produtos brasileiros, o que permite economia de combustíveis e redução no prazo de entrega de mercadorias provenientes do Brasil através do Porto do Itaqui, que é o segundo mais profundo do mundo, permitindo a chegada e a saída dos navios de maior calado – igualado apenas pelo porto de Amsterdam, na Holanda.

Se estivesse usufruindo totalmente dos trechos da linha férrea da Ferrovia Norte-Sul, poderia se transformar no maior escoadoro das exportações brasileiras e num dos principais canais de crescimento da região. Inexplicavelmente, “alguém” que se considera “proprietário” do Estado, vive dificultando qualquer ação que impulsione a solução definitiva, dizem alguns.

Festas – Literalmente abandonada pela gestão municipal, São Luís não tem muito a comemorar. A área conhecida e reconhecida como Centro Histórico e tombada pela UNESCO, enfrenta desvalorização a cada dia que passa. Com legislação federal ultrapassada e desconexa dos dias atuais, a área tem uma grande maioria de prédios de propriedade particular, já como parte adjudicada a herdeiros, que não tem muito interesse na recuperação.

Grande parte do conjunto arquitetônico teve como componente na construção, para garantir a aderência entre uma linha de parede e outra, o óleo de baleia, usado naqueles tempos sem quaisquer restrições. Nos dias atuais, isso não é mais possível. Da mesma forma, a divisão entre um pavimento e outro era feita com madeira de lei. Nos dias atuais a legislação ambiental proíbe terminantemente o uso desses dois componentes.

Como se essas dificuldades por si só não fossem suficientes para atravancar a recuperação do casario, o erário municipal vive atrelado a empréstimos ou depende de emendas da bancada federal – e a divisão partidária em situação e oposição acaba dificultando o encaminhamento para as obras de recuperação necessárias. Assim, o Governo Municipal, que convive com a escassez de recursos provenientes da arrecadação de impostos (é raro encontrar algum proprietário de imóvel em São Luís que pague IPTU), fica na dependência de apoiar ou não o Governo Estadual ou Federal para garantir benesses de repasses.

Ilha do amor – Não é correto nem honesto afirmar que nada presta em São Luís. Chegamos a Ilha do Amor em fevereiro de 1987, vindo de uma boa temporada residencial no Rio de Janeiro. Aqui constituímos uma segunda família e, por possuirmos uma boa qualificação, não ficamos uma semana sem trabalhar.

Foi difícil, inicialmente, uma adaptação, para quem vinha de centro mais evoluído como o Rio de Janeiro, com hábitos cotidianos diferentes, para viver uma nova realidade. Ainda não estamos totalmente adaptados pois, durante a vida que vivemos, aprendemos a não ser subservientes. E isso “pesa” em São Luís.

Por outro lado, a cultura popular maranhense, mormente a de São Luís, é muito forte. Muito envolvente, porque vem de pessoas simples, muitas donas de formação empírica, mas que cosneguem agradar a qualquer nível de conhecimento. E, é nesse aspecto, inspirando simplicidade e saber cultural natural, que São Luís se transforma na Ilha do Amor.




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