Abrimos nossa
participação nesta quarta-feira para render uma justa homenagem. Mas que justa,
aliás. Um homem que chegou à terceira idade com louvor e dignidade. Passou pela
política com a mesma simplicidade e dignidade da vida que o elegeu.
Um homem simples,
honesto, mesmo tendo sido político por um mandato que soube exercer na
Assembleia Legislativa do Ceará sem mudar a personalidade, procurando honrar os
36.468 votos recebidos pela sigla do PMDB.
Falamos de Narcélio
Sobreira Limaverde, cearense de Fortaleza, nascido a 8 de agosto de 1931 – hoje
com 84 anos e ainda emprestando sua inconfundível voz à radiofonia brasileira.
Para os jovens que
ainda não conhecem Narcélio Limaverde, esse ícone do jornalismo radiofônico do
Ceará está no mesmo patamar do alagoano Luiz Jatobá, de Heron Domingues, de
Hilton Gomes ou, se preferirem, com voz tão bela quanto as vozes femininas de
Nathalia Timberg ou Íris Lettieri.
Nascido no tempo em
que os pais mandavam nos filhos, Narcélio – de livre e espontânea vontade –
resolveu seguir a “profissão” do pai, José Limaverde Sobrinho, pioneiro do
rádio cearense e, posteriormente, revelador de muitos talentos de grande
importância para a terra alencarina.
Do tempo em que “Locutor de
Rádio” tinha que ter voz bonita, e precisava atender às exigências de saber
falar sem assassinar a lingua portuguesa, Narcélio Limaverde começou em 1954 na
Ceará Rádio Clube, a PRE-9, emissora dos Diários Associados, trabalhando depois
como Assistente da Divisão
Comercial.
Cedo, e pela aparência de galã
de cinema, ganhou o apelido de “O locutor dos brotinhos”, por seus ouvintes e
já admiradores. Por conta disso, no começo dos anos 60, quando foi fundada a
primeira emissora de televisão do Ceará, a TV Ceará Canal 2, também pertencente
aos Diários Associados, tornou-se o primeiro apresentador de televisão do estado.
Sem conseguir se desligar dos
microfones de rádio e como a televisão não exigia exclusividade, em 1962
ingressou na Rádio Dragão do Mar como radialista e assistente do departamento
artístico da emissora.
Ganhou fama e foi convidado
para trabalhar na Rádio Jornal do Comércio de Recife, onde não demoraria muito,
porque em no começo da década de 70 voltou
para Fortaleza, contratato que foi pelo Sistema Verdes Mares (pertencente ao
Grupo Edson Queiroz), como apresentador de notícias na rádio e TV, tornando-se
pouco tempo depois um de seus dirigentes.
Foi na Rádio Assunção Cearense
que conhecemos e convivemos com Narcélio Limaverde. Conhecemos seu caráter e
retidão de homem simples. Trabalhou ainda na TV e Rádio Uirapuru, Rádio Cidade,
Rádio Assunção e Rádio o Povo FM.
Narcélio Limaverde é ídolo do
rádio cearense, independentemente do prefixo. Atualmente apresenta de segunda a
sexta o programa Narcélio Limaverde, na FM Assembleia, 96,7 Mhz.
Conhecemos Narcélio Limaverde
por conta da amizade dele com Oliveira Ramos, nosso irmão biológico. Os dois
trabalharam (e beberam muita cachaça juntos) em quase todas emissoras de rádio
do Ceará.
Depois que saímos de
Fortaleza, nunca nos desligamos de Narcélio. Soubemos, depois, do seu ingresso
na literatura, escrevendo livros como “Fortaleza, histórias e estorias –
memória de uma cidade”, “Senhoras e Senhores”, títulos que acabaram por lhe
garantir o ingresso como Membro Honorário da Academia Cearense de Letras e
Jornalismo.
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