Presidente da Câmara diz
não apoiar proposta discutida para facilitar identificação e punição de
usuários que publiquem mensagens ofensivas contra parlamentares na internet.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
negou ter a intenção de aprovar uma proposta que facilita a identificação e a
punição de pessoas que criam páginas
ofensivas e difamatórias contra parlamentares na internet. “Isso é o absurdo dos absurdos. Todos conhecem a minha posição a favor
da liberdade de expressão. E quem se sentir atingido procure o poder
Judiciário”, escreveu o deputado, em sua página no Twitter.
Cunha, que está em viagem oficial aos Estados
Unidos, disse que não fez qualquer sugestão para cercear quem critica os
políticos brasileiros. “Não posso impedir que projetos sejam apresentados. Os
deputados têm a prerrogativa [de apresentar projetos]… Daí a concordar [com a
proposta] é outra coisa”, ressaltou.
O presidente da Câmara fez alusão à reportagem
publicada pelo Congresso em Foco, no último sábado (29), que revelou que
o procurador parlamentar, deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), elabora um projeto
lei que tem como objetivo responsabilizar
criminalmente provedores, portais e redes
sociais que hospedam páginas com ofensas a políticos.
O deputado defende mudar o Marco Civil da Internet
para propor a criação de uma espécie de controladoria para receber e apurar
reclamações de usuários que sejam vítimas de crimes contra a imagem na
internet.
Após a publicação da reportagem, o procurador negou
a intenção de querer proteger parlamentares e de cercear a liberdade de
expressão. Segundo ele, sua proposta deve beneficiar todos os usuários da
internet, e não apenas políticos. “Hoje a internet, com o avanço do espaço
virtual que tanto beneficia a sociedade, tem se tornado refúgio de criminosos
covardes que se escondem em perfis fakes para perpetuarem crimes
contra a honra de pessoas de bem”, explicou em nota.
Em nota divulgada há duas semanas, o procurador
citou a resistência do Google, do Facebook e outros sites em retirar do ar
mensagens ofensivas contra parlamentares ao justificar a elaboração de seu
projeto. Ele defendeu a criação de um setor, nessas empresas, para analisar
denúncias relacionadas às críticas aos congressistas. “Notificadas pela Câmara,
apreciariam se uma determinada publicação ultrapassou os limites da liberdade
de expressão e se transformou em crime”, dizia o texto.
Nos últimos quatro anos, o número de processos
extrajudiciais e judiciais movidos pela Câmara contra veículos de imprensa, o
Google e o Facebook aumentou em 30%, segundo a Procuradoria da Câmara.
“Ninguém quer cercear a liberdade de expressão,
ninguém está contra o direito do usuário. Agora, o que não pode é a pessoa se
esconder no anonimato para praticar crimes. Temos de estipular regras contra
isso”, defendeu Cajado.
De acordo com nova nota divulgada pela Procuradoria
Parlamentar da Câmara, o texto, propondo mudanças no Marco Civil, “será
sugerido em reunião da Mesa Diretora da Câmara como uma possível solução para
os problemas enfrentados diariamente pela Procuradoria, que é responsável pela
defesa da honra e imagem da Casa e de seus membros”. “Pela proposta, sites,
provedores e portais e passarão a ser corresponsáveis pelas publicações caso
sejam notificados e não tomem providências para retirada de conteúdos falsos e
que atinjam direitos à imagem de qualquer cidadão.”
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