Agência Brasil
Luciano Nascimento
Dos R$ 26 bilhões anunciados nesta segunda-feira
(14) pelo governo como cortes no Orçamento de 2016, R$ 8,6 bilhões serão do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Durante o anúncio, o ministro do
Planejamento, Nelson Barbosa, destacou que a maior redução será no Programa
Minha Casa, Minha Vida.
A intenção do governo é retirar do Orçamento as
despesas com o programa integralmente custeadas pela União e direcionar parte
delas para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Com a alteração, o fundo passaria a responder por
parte dos gastos inicialmente previstos com o programa, passando a participar
também da primeira faixa do Minha Casa, Minha Vida, que atende famílias
com renda de até R$ 1,8 mil.
Segundo Barbosa, o governo enviará uma medida
provisória com a proposta e também pretende modificar o Projeto de Lei
Orçamentária Anual (PLOA) para o próximo ano.
Além da redução de investimentos no programa, o
governo também anunciou corte de R$ 3,8 bilhõesno direcionamento de emendas
parlamentares.
De acordo com o ministro do Planejamento, a
proposta é que as emendas parlamentares impositivas sejam direcionadas para
obras do PAC já previstos na PLOA. A escolha dos programas ficaria a cargo dos
parlamentares.
Barbosa acrescentou que o governo vai alterar o
Orçamento para diminuir os gastos previstos com a saúde, mantendo o
investimento mínimo previsto na Constituição. A redução geraria uma economia de
R$ 3,8 bilhões.
A intenção também é se valer das emendas
parlamentares, de modo a recompor os gastos discricionários previstos no PLOA.
Pela proposta, essas emendas, das quais 50% obrigatoriamente devem ser destinadas
à saúde, serão utilizadas em programas de saúde prioritários com foco na alta e
média complexidade e também em ações de atendimento básico.
Com o anúncio dos cortes no Orçamento do ano que
vem, o governo espera recuperar credibilidade junto aos investidores
internacionais. Em 31 de agosto, o Executivo entregou ao Congresso Nacional a
proposta orçamentária para 2016 com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. Uma
semana depois, a agência de classificação de risco Standard & Poor's
rebaixou a nota de crédito do Brasil de BBB- para BB+, retirando o grau de
investimento do país. O grau é dado a países considerados bons pagadores e
seguros para investir.
A presidenta Dilma Rousseff passou o fim de semana
reunida com ministros para definir os cortes. O assunto foi discutido também na
reunião de coordenação política desta segunda-feira, com presença de 14
ministros. O vice-presidente da República, Michel Temer, que sempre participa
das reuniões de coordenação política, está em viagem oficial à Rússia.
*Colaboraram Paulo Victor Chagas e Mariana Branco
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