domingo, 6 de março de 2016

Águas de março

 

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



Hoje é domingo, 28 de fevereiro de mais um ano bissexto. Depois de amanhã, terça-feira, começa o mês de março e, no dia 20 termina o verão, também um domingo. O verão vai terminar, e já traz consigo – mais uma vez! – as águas de março.

E, tanto quanto a música eternizada pela voz de Elis Regina na composição de Tom Jobim, as águas de março chegam chegando, trazendo problemas mil para um País à deriva – mas traz também um agrado ao povo brasileiro: o acarajé.

Lá por volta de setembro do ano passado, voando como se fora um drone – esses bichinhos modernos que estão sendo usados para bisbilhotar sítios, condomínios, engatamento de caninos e até bocas-de-fumo – uma mosca azul pousou quase dentro da minha sopa e, num zunido quase incompreensível, me assegurou que o último dia 6 de dezembro/2015 seria um dia diferente para o Brasil. Havia uma reunião no Palácio Episcopal, em Recife e, calejado pela vida, preferi ficar no recôndito do meu pequeno quarto, lendo “O gosto proibido do gengibre”.

Nada aconteceu. O mundo continuou o mesmo, com aeroportos funcionando normalmente. Da mesma forma os aviões de carreira.

Agora, aparentemente mais velha e com novos voos rasantes, a mosca azul – não posso assegurar que era a mesma daquele dia, pois estava sem anilho de identificação – pousou sobre o meu queijo provolone do café da manhã e me informou que, neste verão de 2016, os estragos provocados pelas águas de março serão medonhos – “é madeira de vento, tombo da ribanceira; é o mistério profundo, é o queira ou não queira; é o vento ventando, é o fim da ladeira;  é a viga, é o vão, festa da cumeeira;  é a chuva chovendo, é conversa ribeira;  das águas de março, é o fim da canseira.”

O que se sabe, graças às agências que trabalham com os índices pluviométricos no continente brasileiro, é que a precipitação será diferente dos outros anos em todas as regiões do País. Podemos ter chuvas de granizo no Piauí e muito provavelmente em Exu, agreste pernambucano. Ventos fortes, tempestades e muita água para lavar a lama que tomou conta do Brasil.




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