domingo, 6 de março de 2016

Caicó – Terra de Santana



Depois dias e horas de uma feliz viagem, saindo de Aripuanã, no Mato Grosso, chegamos à Região do Seridó, no Rio Grande do Norte – e hoje vamos nos alongar um pouco mais, tentando mostrar alguma coisa útil de Caicó, para aqueles que gostam de viajar.

Fundada a 16 de dezembro de 1788 e emancipada a 15 de dezedmbro de 1868, Caicó, está situada na Região do Seridó e é conhecida como Terra de Santana, Vila do Príncipe, Capital do Seridó e ainda, Capital da carne de sole do queijo. Atualmente tem como Prefeito, Roberto Medeiros Germano, do PMDB. Quem nasce em Caicó, é definido por “caicoense”.

Neste trabalho de enriquecedora pesquisa, não queremos (e nem nos atreveríamos) deixar de falar de Nossa Senhora de Santana – padroeira da cidade -, tampouco, de Hiran de Lima Pereira e Francisco Manoel de Souza Forte, este último conhecido nacionalmente como “Chico Doido de Caicó”.

A cidade – Conta a figura cultural de Manuel Dantas que,

Quando o sertão era virgem, a tribo dos “Caicós”, célebre por sua ferocidade e que se julgava invencível porque Tupã vivia ali, encarnado num touro bravio que habitava um intrincado mofumbal, existente no local onde hoje está situada a cidade. A tribo foi destroçada, mas o misterioso mofumbal, morada de um deus selvagem, permaneceu intacto. Certo dia, um vaqueiro inexperiente penetrou no mofumbal, vendo-se, de repente, atacado pelo touro sagrado. O vaqueiro, no entanto, lembrou-se de fazer voto a Senhora Sant’Ana de construir uma Capela ali, se a Santa o livrasse a tempo do perigo. Milagrosamente o touro desapareceu e o vaqueiro, tão logo possível, desmatou a área e iniciou a construção da capela. – Manuel Dantas.




“Caicó é um município brasileiro pertencente ao estado do Rio Grande do Norte. Principal cidade da região do Seridó, localiza-se na região centro-sul do estado, distante 256 km da capital estadual, Natal. Seu território ocupa uma área de 1.228,574 km², o equivalente a 2,33% da superfície estadual, posicionando-o como o quinto município com maior extensão do Rio Grande do Norte.

Situada na confluência dos rios Seridó e Barra Nova, na microrregião do Seridó Ocidental, exibe uma altitude média de 151 metros acima do nível do mar. Sua população de acordo com o último censo oficial era de 62 709 habitantes, o que a coloca como a sétima cidade mais populosa do estado, sendo a segunda mais populosa do interior do Rio Grande do Norte (depois de Mossoró), com uma densidade populacional de 51,04 habitantes por quilômetro quadrado.

Sua atração mais famosa é a Festa de Sant'Ana, realizada no mês de julho, que em 2010 foi tombada como patrimônio imaterial do Brasil. Caicó também é lembrada por seus bordados típicos, sua rica culinária típica, além de seu singular carnaval.

Conhecido centro pecuarista e algodoeiro, Caicó apresenta o quinto maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do interior e semiárido nordestino. Alcançando o maior índice de longevidade do Rio Grande do Norte. O município ainda se destaca por possuir o menor índice de exclusão social do estado segundo o IBGE, o quinto menor índice de vulnerabilidade social do Nordeste, além do maior índice de prosperidade social da região segundo o IPEA. O município também foi reconhecido como a 4º melhor cidade do Rio Grande do Norte em qualidade de vida, e 889º do Brasil, segundo ranking da empresa de consultoria Austin Rating.

Pré-história - Entre o fim do Pleistoceno e início do Holoceno, começaram a ser ocupadas áreas por grupos de caçadores que se estabeleceram próximo aos rios e fontes d’água, adaptando-se, assim, às árduas condições dos sertões. As mais antigas datações radiocarbônicas de enterramentos humanos da região do Seridó são de aproximadamente 10 mil anos atrás, encontrada no município de Parelhas. Nessa época, os grupos humanos coabitavam com espécimes hoje extintas de megafauna, como tigres dentes-de-sabre, mastodontes, paleolamas, preguiças gigantes e tatus gigantes.

As pinturas rupestres encontradas na região são agrupadas em uma subtradição, que é a representação visual de um universo simbólico primitivo, não necessariamente pertençam aos mesmos grupos étnicos podendo estar separados por cronologias distantes; sendo chamada de subtradição Seridó, caracterizada por figuras de pirogas (embarcações rudimentares), objetos e ornamentos corporais e representação de plantas, dando ideia de paisagem. São constantes ainda temas como a caça, envolvendo animais como veados, emas, tucanos, onças, araras e capivaras; dança ritual em torno de árvore e o lúdico, na forma de “jogos”. A sociedade da Subtradição Seridó era estritamente hierárquica, caracterizada pelas representações de antropomorfos com cocares sobre a cabeça, identificadores de sua alta posição social.

Hoje ainda são encontradas na região figuras da Tradição Itaquatiara ou Itaquatiaras, aparecendo em blocos ou rochas ao lado dos cursos d’água, nelas aparecem, comumente, grafismos puros e sinais como tridígitos, círculos, linhas e quadrados, como os encontrados no sítio arqueológico da Gruta da Caridade. Tais registros reforça a hipótese de que o seu território foi povoado por diversas levas de povos pré-históricos, em diferentes épocas. Esse povoamento, feito através de diferentes grupos humanos, deu origem às tribos indígenas.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Caicó é considerado "alto" pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,710, sendo o quarto maior do estado do Rio Grande do Norte. Considerando o índice educação (IDHM-E) o valor é de 0,619 (médio). O índice da longevidade (IDHM-L) é de 0,824 (muito alto) e o de renda (IDHM-R) é de 0,703 (alto). O município apresenta a maior expectativa de vida ao nascer do estado, com média de 74,1 anos. No período de 2003 a 2008, a região de Caicó cresceu apenas 3,77% devido a sua baixa taxa de fecundidade geral, fazendo com que a região tivesse a menor taxa de crescimento natural da população do estado do Rio Grande do Norte. No mesmo período a região de Caicó apresentou o maior índice de envelhecimento nos respectivos anos; desse modo, tem-se no ano de 2008, aproximadamente uma média de 35 pessoas acima de 65 anos para cada criança entre 0 e 14 anos. Entretanto, em 2013 a cidade voltou a registrar uma alta taxa de crescimento populacional com um acréscimo de 4,89% motivada pela chegada de novos investimentos.

Os índices sociais de Caicó são considerados melhores em relação a outros municípios do Nordeste, devido a histórica liderança política determinante para a melhoria da infraestrutura social.

Economia - Caicó apresenta uma economia diversificada com base principal na prestação de serviços e com crescimento de cerca de 250% entre 2000 e 2010. A cidade hospeda 2.758 unidades empresariais, sendo um centro sub-regional de categoria A, a terceira mais elevada na hierarquia urbana do Brasil.


Caicó teve no setor primário a base de sua economia até o início dos anos 70. Atualmente, apenas 8,5% da população vive no meio rural. Em 2010 o setor da agropecuária movimentou cerca de R$ 26.7 milhões, correspondendo a 4,8% do PIB da cidade no período. O meio rural sobrevive da agricultura familiar e da produção de leite, carne-de-sol e do queijos de manteiga e de coalho. Caicó possui o maior rebanho de bovinos e a maior produção leiteira do Rio Grande do Norte, fornecendo matéria-prima para a produção mensal de mais de 72 toneladas de queijo de manteiga, 27 toneladas de queijo coalho e mais de 6 mil litros de manteiga-de-garrafa em suas 93 unidades fabris. Sua principal unidade produtora de leite pasteurizado fornece 265 mil litros por mês.

Culinária - A culinária caicoense trata-se da gastronomia tipicamente praticada na região do Seridó. Conhecida principalmente pelo consumo de derivados bovinos, como a carne-de-sol e os queijos típicos (manteiga e coalho), é grande parte baseada na culinária oriunda dos colonizadores portugueses, sofrendo influência dos costumes indígenas locais, judaicos e dos escravos africanos. Conhecida por chefs de cozinha por sua qualidade, exclusividade e valor nutritivo.


Atrações turísticas e eventos - Caicó possui diversos pontos turísticos espalhados por seu território, como o Museu do Seridó, o Castelo de Engady, o Largo de Santana, os Balneários do Iate Clube, a Estação de Psicultura do Açude Itans, o Mosteiro das Clarissas, o Centro Cultural Deputado Adjuto Dias, o Poço de Sant'Ana, a Ilha de Sant'Ana, a Casa de Pedra, o Sobrado Padre Guerra - Casa da Cultura, a Catedral de Sant'Ana, o Colégio Diocesano Seridoense, o Mercado Público Municipal, o Santuário do Rosário, o Arco do Triunfo, a Praça da Liberdade (ou Praça Senador Dinarte Mariz), a Praça Dr. José Augusto - Praça da Alimentação, o Antigo Casario Caicoense.


Caicó também realiza uma diversa quantidade de eventos todos os anos. Entre eles, destacam-se: o Carnaval (em fevereiro), o Caicó Fest (no mês de maio), as Vaquejadas, a Festa de Sant'Ana (padroeira caicoense, realizada no mês de julho), os Jogos Escolares do Rio Grande do Norte - JERN's - (que acontecem em agosto), a Festa do Rosário (realizada no mês de outubro), e a festa de emancipação política de Caicó, celebrada no mês de dezembro.” (Transcrito do Wikipédia)

O que é o Seridó


Seridó é uma região interestadual localizada no sertão nordestino do Brasil. Oriunda da antiga região da "Ribeira do Seridó". Abrange vários municípios do Rio Grande do Norte e da Paraíba, sendo oficialmente dividida pelo IBGE em Seridó Ocidental Potiguar e Seridó Oriental Potiguar, Seridó Ocidental Paraibano e Seridó Oriental Paraibano. No entanto, outros municípios costumam se identificar como "Seridó" ou seridoense, o que agrega um total de 54 municípios, sendo 28 potiguares e 26 paraibanos, o que levou a uma subclassificação realizada pelo Ministério da Integração Nacional. O Seridó potiguar ainda apresenta a melhor qualidade de vida do interior nordestino devido a histórica liderança política e econômica.

Há divergências quanto à origem do topônimo Seridó, segundo o folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo, vem do linguajar dos tapuias transcrito como "ceri-toh" e que quer dizer "pouca folhagem e pouca sombra", em referência as características da região. No entanto, existe o fato de que os colonizadores eram cristãos-novos, descendentes de judeus, os termos "sarid" e "serid", seriam oriundos do hebraico, que significaria "sobrevivente" ou "o que escapou". Ou ainda "she'erit" no sentido de "refúgio Dele" ou "refúgio de Deus". (Também do Wikipédia)





Como prometemos anteriormente, difícil apresentar algo sobre Caicó e deixar de falar na Festa de Santana, um evento de cunho profano religioso que faz parte do calendário oficial da cidade. Também difícil deixar de falar em Hiran Pereira e Chico Doido. A Festa de Santana é ícone da cultura norte-riograndense; e Hiran e Chico Doido tem momentos distintos mas muito importantes na existência da cidade.





Festa de Santana



 “Caicó possui diversos pontos turísticos espalhados por seu território, como o Museu do Seridó, o Castelo de Engady, o Largo de Santana, os Balneários do Iate Clube, a Estação de Psicultura do Açude Itans, o Mosteiro das Clarissas, o Centro Cultural Deputado Adjuto Dias, o Poço de Sant'Ana, a Ilha de Sant'Ana, a Casa de Pedra, o Sobrado Padre Guerra - Casa da Cultura, a Catedral de Sant'Ana, o Colégio Diocesano Seridoense, o Mercado Público Municipal, o Santuário do Rosário, o Arco do Triunfo, a Praça da Liberdade (ou Praça Senador Dinarte Mariz), a Praça Dr. José Augusto - Praça da Alimentação, o Antigo Casario Caicoense.

Caicó também realiza uma diversa quantidade de eventos todos os anos. Entre eles, destacam-se: o Carnaval (em fevereiro), o Caicó Fest (no mês de maio), as Vaquejadas, a Festa de Sant'Ana (padroeira caicoense, realizada no mês de julho), os Jogos Escolares do Rio Grande do Norte - JERN's - (que acontecem em agosto), a Festa do Rosário (realizada no mês de outubro), e a festa de emancipação política de Caicó, celebrada no mês de dezembro.” (Transcrito do Wikipédia).



Hiran de Lima Pereira


 “Hiran de Lima Pereira nasceu em Caicó, a 3 de outubro de 1913 e faleceu em São Paulo,  em janeiro de 1975.  Foi um jornalista, poeta, ator e deputado federal brasileiro. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro, foi preso, torturado e assassinado durante a ditadura militar brasileira. Era casado com Célia Pereira, com quem teve quatro filhas, entre elas a atriz Zodja Pereira. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Hiran nasceu em Caicó, no sertão do Seridó, Rio Grande do Norte, filho de Hilário Amâncio Pereira e Maria Marieta de Lima Pereira. Em 1935, foi servir o exército no Rio de Janeiro. Dois anos depois, foi preso por acaso, ignorando que seu colega de quarto fazia parte do Partido Comunista. Foi na cadeia, Casa de Detenção do Distrito Federal (RJ), que ele entrou em contato com o marxismo.

De volta à cidade natal, casou-se com a musicista e poeta Célia Pereira em 1940. Em 1944, a pedido do PCB, Hiran muda-se para Natal com a esposa e as filhas, Nadja e Sacha Lídice. Já na capital potiguar nasce a terceira filha do casal, Zodja. Mudou-se para Recife em 1949, passando a trabalhar como redator do jornal Folha do Povo, órgão oficial do partido.

Ao lado de David Capistrano da Costa, Gregório Bezerra, Paulo Cavalcanti e outros líderes comunistas, engajou-se ativamente na construção da Frente do Recife, que conquistou a prefeitura em 1955 com o engenheiro Pelópidas Silveira, cujo sucessor foi Miguel Arraes, eleito prefeito da capital em 1959 e governador em 1962. Hiran foi secretário municipal de Administração por três mandatos consecutivos.

Em agosto de 1961, foi sequestrado juntamente com outros dirigentes comunistas, desaparecendo por dez dias até ser levado para a ilha de Fernando de Noronha. Após sair da prisão, retomou suas funções na prefeitura. No mesmo ano, sua filha mais nova, Hânya, nasceu.

Com o golpe militar, Hiran caiu na clandestinidade a partir do dia 1 de abril de 1964. Ele permaneceu atuando clandestinamente em Recife até 1966, quando se transferiu para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para São Paulo. Até 1975 participou das ações do PCB, sendo um dos responsáveis pelo jornal A Voz Operária.

Morte - Hiran foi preso no dia 15 de janeiro de 1975, como parte da operação Radar, grande ofensiva do exército iniciada em 1973 para dizimar o PCB, segundo depoimento do ex-sargento e agente do DOI-Codi Marival Dias Chaves do Canto para a revista Veja, publicado em 18 de novembro de 1992. Sua esposa foi presa na mesma data e foi torturada por três dias na rua Tutóia. Cerca de um mês depois, Zodja e Sacha foram presas e interrogadas no DOI-Codi.


A informação mais concreta de seu destino está no mesmo depoimento de Marival para Veja, em que o ex-sargento cita nominalmente Hiran entre os membros do Comitê Central do PCB que teriam sido mortos e esquartejados pelo DOI-Codi e jogados na represa de Avaré, interior de São Paulo.

Através de processo baseado no depoimento de Marival Chaves, em 1994 a União foi condenada a pagar 2 milhões de reais para a família de Hiran. Foi dado como morto apenas em 1995, através da lei L9.140, que reconheceu como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.” (Informações transcritas do Wikipédia).



Chico Doido de Caicó


Francisco Manoel de Souza Forte, conhecido como Chico Doido de Caicó, foi um poeta brasileiro, autor de poesias erótico/debochadas. Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, em 1922, Chico Doido faleceu em 1991, na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Pouco se sabe sobre a vida de Francisco Manoel de Souza Forte. Nos anos 40, saiu de Caicó e foi servir na Marinha Mercante. Nos anos 50, residiu em Natal.

Chico Doido nos últimos anos de vida frequentou a famosa Feira de São Cristovão, no Rio, onde divulgaria seu trabalho. Pouco antes de sua morte foi descoberto por Nei Leandro de Castro e Moacy Cirne, que passou a divulgar seus poemas.

Após ser apresentado aos poemas de Chico Doido por Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne passou a publicá-los em seu fanzine-panfleto Balaio Porreta a partir de 1991.

Em 1993, foi lançado postumamente à Academia Brasileira de Letras. Em 1994, foi (postumamente, e representado por Cirne) "patrono" da turma de formandos de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense Em 2002, Cirne e Nei Leandro publicaram a coletânea "69 Poemas de Chico Doido de Caicó" (Natal: Sebo Vermelho, 2002)

Teatro - Pouco após a publicação da coletânea, foi tema da peça Chico Doido de Caicó, dirigida pelo ator Leon Góes, permanecendo em cartaz por dois meses no Teatro Vila Lobos. A peça gerou repercussão suficiente para que fosse publicado um artigo sobre Chico Doido no jornal francês Le Monde.















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