domingo, 6 de março de 2016

O Brasil do tempo das fuampas



Não é o mundo que muda a cada instante. São as pessoas do mundo – o mundo não é apenas um conjunto de pessoas, mas, de situações positivas e negativas, onde as pessoas estão inclusas.

Veja um exemplo: alguém já viu o qual banal se tornou a vida de outrem?

Alguém já viu com que facilidade se usa a violência para tirar a vida de outrem?

É o mundo que faz isso?

Não. Não é. São as pessoas que fazem isso.

A mudança de hábito das pessoas não é algo pedagógico que é ensinado. São situações que se impõem – e quando acontece com a maioria, tem-se a ideia de que o mundo mudou.

Assim é o nosso cotidiano. Muda “todo santo dia” – por que as pessoas que sabem realmente o que querem são sempre minoria.

Lá pelos anos 40, 50 e 60 o Brasil viveu uma das suas piores crises. Felizmente não foi crise política – por que naquele tempo, como dito acima, os políticos canalhas eram minoria. E minoria nunca mandou nada, nunca decidiu nada, nunca teve importância alguma.

E aí chegou a época em que os marcianos começaram a chegar. Chegaram junto com os americanos, trazendo benesses materializadas em leite em pó. Leite do FISI (Fundo Internacional de Socorro à Infância) da ONU.

Lembram?

“... alô, alô marciano, aqui quem fala é da Terra; pra variar, estamos em guerra; você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior fissura!....”

Mas, junto do leite em pó, veio também o dólar. O dólar, sim. A moeda americana e já chegou valendo cinco ou seis vezes mais que o cruzeiro. Vinte mil dólares correspondiam a cem mil réis.

Para passarem despercebidos, os americanos abriram caminho para os chineses, os franceses, os italianos e uma grande maioria de carcamanos. Todos esses estrangeiros trouxeram o bom vinho, a quibe, o conhaque, o champanhe e a seda. Junto a isso tudo, trouxeram também a “putaria”.

E, para garantir a proliferação da “putaria”, nos ofereceram dólares e nos orientaram para o fornecimento da mão de obra da putaria: as putas. Avançamos tanto na putaria, que atualmente temos inúmeros locais aptos a ministrar mestrado e doutorado – em putaria.

Lá pelos anos 70 e 80 a putaria estava implantada no Brasil. Os portugueses que já viviam no Brasil, não viam com bons olhos o termo “putaria”, e resolveram nos ajudar, informando que a putaria, na verdade era o ajuntamento de meretrizes e, portanto, um “meretrício”.

Facilmente criamos a ZBM – Zona do Baixo Meretrício – local preferido pelos deputados e senadores. Enquanto o Rio de Janeiro foi capital do Brasil, foi criada na Avenida Presidente Vargas, a poucos metros da Praça XI, a ZBM do Rio de Janeiro. Ali coladinho onde hoje existe a sede dos Correios, uma célula do Instituto Oswaldo Cruz e a Passarela do Samba da Avenida Marquês do Sapucaí.

A “putaria” progrediu. Cresceu tanto que teve que ser dividida, passando ocupar os dois lados da Avenida Presidente Vargas – divididas pelo canal. Como o novo “point” passou a ser frequentado por operários e demais gentes de poucos ganhos, e recebeu o nome de “Mangue”!

Local de venda e negócios. Matéria prima, o sexo e suas inúmeras formas de prática. Ali, dos dois lados, mulheres se exibiam seminuas nas portas dos catres e em silhuetas com fundos vermelhos na iluminação oferecendo a maçã do prazer.

Era exibida cada maçã!... parecia maçã importada da Argentina!

Ora, se na capital do País o sexo era mercadoria farta e fácil, logo os investidores e empreendedores surgiram para “bombar” a prática da putaria. Fortaleza, capital do Ceará, resolveu não ficar atrás.

Naqueles tempos em Fortaleza, para o homem fazer sexo, casava ou partia para a putaria. Surgiram os inferninhos, os chatôs e outras tantas denominações. Mas o que mais recebia clientes era o “Curral das Éguas”, Zona do Baixo Meretrício de Fortaleza, localizada onde hoje fica a Rua Senador Jaguaribe, próximo da Avenida Presidente Castelo Branco. Antes, ficava entre a Rua General Sampaio e a Senador Pompeu, por trás da antiga Estação Ferroviária da RVC (Rede Viação Cearense). Outro local onde a putaria abundava, era em vários trechos da Rua Franco Rabelo, no Centro da cidade.

Naquele tempo não existiam boquete nem flauteado (flauteado é aquele que “faz a cobra subir”). Quem propusesse isso a uma Fuampa, receberia em troca um tabefe na cara. E a “puta” respondia:

- “Sou puta, mas não sou devassa”! (Arre égua!)

Hoje o sexo é algo liberado e que acabou perdendo a importância e o valor. As “profissionais do sexo” passaram a ter concorrência masculina no boquete, no flauteado e noutros que tais inventados para proporcionar algum tipo de prazer ou satisfazer aos psicopatas.

A “putaria” é tão grande no Brasil, que a adjetivação se espraiou. Meretriz, Quenga, Prostituta, Puta, Rapariga, Mela pau – são alguns situados entre os mais conhecidos.

E, justamente pela facilidade que se tem nos dias atuais para fazer sexo, acabaram com a ZBM do Rio de Janeiro e com o Curral das Éguas de Fortaleza. Há quem garanta que a “putaria” do Rio de Janeiro mudou para Brasília.

Será verdade?


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