Não é o mundo que muda a cada instante. São as pessoas
do mundo – o mundo não é apenas um conjunto de pessoas, mas, de situações
positivas e negativas, onde as pessoas estão inclusas.
Veja um exemplo: alguém já viu o qual banal se tornou a
vida de outrem?
Alguém já viu com que facilidade se usa a violência
para tirar a vida de outrem?
É o mundo que faz isso?
Não. Não é. São as pessoas que fazem isso.
A mudança de hábito das pessoas não é algo pedagógico
que é ensinado. São situações que se impõem – e quando acontece com a maioria,
tem-se a ideia de que o mundo mudou.
Assim é o nosso cotidiano. Muda “todo santo dia” – por
que as pessoas que sabem realmente o que querem são sempre minoria.
Lá pelos anos 40, 50 e 60 o Brasil viveu uma das suas
piores crises. Felizmente não foi crise política – por que naquele tempo, como
dito acima, os políticos canalhas eram minoria. E minoria nunca mandou nada,
nunca decidiu nada, nunca teve importância alguma.
E aí chegou a época em que os marcianos começaram a
chegar. Chegaram junto com os americanos, trazendo benesses materializadas em
leite em pó. Leite do FISI (Fundo Internacional de Socorro à Infância) da ONU.
Lembram?
“... alô, alô marciano, aqui quem fala é da Terra; pra
variar, estamos em guerra; você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior
fissura!....”
Mas, junto do leite em pó, veio também o dólar. O
dólar, sim. A moeda americana e já chegou valendo cinco ou seis vezes mais que
o cruzeiro. Vinte mil dólares correspondiam a cem mil réis.
Para passarem despercebidos, os americanos abriram
caminho para os chineses, os franceses, os italianos e uma grande maioria de
carcamanos. Todos esses estrangeiros trouxeram o bom vinho, a quibe, o
conhaque, o champanhe e a seda. Junto a isso tudo, trouxeram também a “putaria”.
E, para garantir a proliferação da “putaria”, nos
ofereceram dólares e nos orientaram para o fornecimento da mão de obra da
putaria: as putas. Avançamos tanto na putaria, que atualmente temos inúmeros
locais aptos a ministrar mestrado e doutorado – em putaria.
Lá pelos anos 70 e 80 a putaria estava implantada no
Brasil. Os portugueses que já viviam no Brasil, não viam com bons olhos o termo
“putaria”, e resolveram nos ajudar, informando que a putaria, na verdade era o
ajuntamento de meretrizes e, portanto, um “meretrício”.
Facilmente criamos a ZBM – Zona do Baixo Meretrício –
local preferido pelos deputados e senadores. Enquanto o Rio de Janeiro foi
capital do Brasil, foi criada na Avenida Presidente Vargas, a poucos metros da
Praça XI, a ZBM do Rio de Janeiro. Ali coladinho onde hoje existe a sede dos
Correios, uma célula do Instituto Oswaldo Cruz e a Passarela do Samba da
Avenida Marquês do Sapucaí.
A “putaria” progrediu. Cresceu tanto que teve que ser
dividida, passando ocupar os dois lados da Avenida Presidente Vargas –
divididas pelo canal. Como o novo “point” passou a ser frequentado por
operários e demais gentes de poucos ganhos, e recebeu o nome de “Mangue”!
Local de venda e negócios. Matéria prima, o sexo e suas
inúmeras formas de prática. Ali, dos dois lados, mulheres se exibiam seminuas
nas portas dos catres e em silhuetas com fundos vermelhos na iluminação
oferecendo a maçã do prazer.
Era exibida cada maçã!... parecia maçã importada da
Argentina!
Ora, se na capital do País o sexo era mercadoria farta
e fácil, logo os investidores e empreendedores surgiram para “bombar” a prática
da putaria. Fortaleza, capital do Ceará, resolveu não ficar atrás.
Naqueles tempos em Fortaleza, para o homem fazer sexo,
casava ou partia para a putaria. Surgiram os inferninhos, os chatôs e outras
tantas denominações. Mas o que mais recebia clientes era o “Curral das Éguas”,
Zona do Baixo Meretrício de Fortaleza, localizada onde hoje fica a Rua Senador
Jaguaribe, próximo da Avenida Presidente Castelo Branco. Antes, ficava entre a
Rua General Sampaio e a Senador Pompeu, por trás da antiga Estação Ferroviária
da RVC (Rede Viação Cearense). Outro local onde a putaria abundava, era em
vários trechos da Rua Franco Rabelo, no Centro da cidade.
Naquele tempo não existiam boquete nem flauteado
(flauteado é aquele que “faz a cobra subir”). Quem propusesse isso a uma
Fuampa, receberia em troca um tabefe na cara. E a “puta” respondia:
- “Sou puta, mas não sou devassa”! (Arre égua!)
Hoje o sexo é algo liberado e que acabou perdendo a
importância e o valor. As “profissionais do sexo” passaram a ter concorrência
masculina no boquete, no flauteado e noutros que tais inventados para
proporcionar algum tipo de prazer ou satisfazer aos psicopatas.
A “putaria” é tão grande no Brasil, que a adjetivação
se espraiou. Meretriz, Quenga, Prostituta, Puta, Rapariga, Mela pau – são
alguns situados entre os mais conhecidos.
E, justamente pela facilidade que se tem nos dias
atuais para fazer sexo, acabaram com a ZBM do Rio de Janeiro e com o Curral das
Éguas de Fortaleza. Há quem garanta que a “putaria” do Rio de Janeiro mudou
para Brasília.
Será verdade?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.