É certo que o mundo (entenda, aqui, como o mundo sendo
a Terra) gira?
E por que a água e as nuvens continuam – para nós – na
mesma posição?
Por que não acontece com a água do mar, do rio ou do
açude, o mesmo que acontece quando temos um copo com água e, se o virarmos,
essa água cai?
Por que os peixes continuam (os que não são pegos) nas
mesmas posições – com a Terra girando, claro! – sem engolir um gole d´água, e,
nós, se o fizermos morreremos afogados?
Eu, sinceramente, não sei. Por isso, vou sair para
pescar.
Mucuripe
As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar
Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar
Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor
Sob o meu chapéu quebrado
O sorriso ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com vinte anos de amor
Aquela estrela é dela
Vida vento vela leva-me daqui
Na volta da vela os peixes estão em mancheias,
saltam dos urus e surrões como querendo voltar para o mar. Quase vivos os que
venceram o choque térmico do gelo do porão.
Provavelmente, sem demora estarão noutra água – com
sal, tomate e cheiro verde. Ou no calor mais insuportável da gordura fervente.
É o ciclo da vida ou da morte para uns e para
outros. Enquanto a Terra continuará rodando, girando, sendo um mundo irreal e
intocável.
Afinal, as águas – dos mares, dos rios, dos açudes
e das chuvas – são de qual planeta?
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