segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bolo de carimã para um aniversariante e o desprezível cuspe das cobras



Pé de moleque

“O pé de moleque é um doce típico da culinária brasileira, feito a partir da mistura de amendoim torrado com rapadura.

Fabricação - A fabricação tradicional do doce se dá através da mistura de amendoins torrados e moídos que são posteriormente misturados a uma rapadura previamente derretida, com o cuidado de quebrar a garapa, que tem a dureza do açúcar cristalizado, dai o nome antigo de "quebra queixo" ou "quebra dentes", quando era fabricado artesanalmente, por vendedores ambulantes. A mistura é lentamente batida em fogo brando até atingir o ponto prévio à quebra da chamada cristalização e rapidamente a mistura deve ser distribuída sobre uma superfície lisa e fria de pedra. A utilização de um tacho de cobre é desejável. Depois de resfriado o doce adquire a consistência macia que é característica do processo tradicional por incorporar o óleo do próprio amendoim macerado. Alguns grãos inteiros podem ser acrescentados à mistura, com o fim de quebrar a resistência do cristal, que costuma ficar muito duro, próximo da dureza da pedra de açúcar de cana, muito duro.

Tal processo artesanal foi posteriormente substituído por outros similares, mais simples, ao se misturar o açúcar derretido com os amendoins torrados de modo a obter um pé de moleque bastante crocante e não-rígido (igualmente popular, o rígido é o "quebra queixo ou quebra dentes"). Assim se pôde manufaturar o doce em maior escala mantendo um padrão industrial, e a satisfação do consumidor.

Variações no Brasil - O pé de moleque surgiu em meados do século XVI com a chegada da cana-de-açúcar à Capitania de São Vicente, trazida pelo navegante Martim Afonso de Sousa. O pé de moleque é extremamente popular no Brasil. A cidade de Piranguinho no sul do estado de Minas Gerais é famosa pela produção artesanal do tradicional pé de moleque mineiro, a qual tem como lema ser a capital nacional do pé de moleque. Piranguinho ainda tem se destacado no cenário nacional, através festa do maior pé de moleque do mundo, que já faz parte do calendário cultural de festividades do município.

Nas regiões sul e sudeste do Brasil, o pé de moleque é um doce bastante relacionado às culturas caipira "QUEBRA DENTES" e na versão açoriana com mel de abelhas, mais delicado, e também mais caro, devido ao preço do mel de abelhas, e se relaciona ao pé de um moleque. Em outras regiões do Brasil, o doce sofre variações, com mistura da GARAPA AO MEL DE ABELHAS, nos ingredientes de sua fórmula. Na região nordeste do Brasil, em estados como Pernambuco e Alagoas, o pé de moleque é um bolo que faz parte da culinária junina, sempre que possível triturado ou servido na forma líquida, devido a GARAPA, ele também pode ser feito na base de massa de macaxeira acrescido de outros ingredientes como café, castanha, cravo, erva-doce entre outros, (em forma de bolo) sempre com o objetivo de quebrar a resistência da GARAPA.

Este pé de moleque é preparado com massa puba (massa de macaxeira que passou pelo processo de fermentação), açúcar, ovos, manteiga ou margarina, coco ralado e leite.

Após serem misturados todos os ingredientes, a massa é colocada em porções geralmente ao comprido e enrolada na folha verde da bananeira, e em seguida é assada no forno.

Finalmente, deve ser diferenciado de outros doces similares mas que não usam os mesmos ingredientes ou métodos tradicionais como a paçoca doce (que não é cozida), o gibi, o doce de leite com amendoim, o pé de moleque branco (que utiliza bicarbonato de sódio), etc.” (Transcrito do Wikipédia)

Hoje, quando escrevo esta crônica, é sexta-feira. Tarde de sexta-feira, 29. Quem vai ler esta crônica, o fará no domingo, 1 de maio. Feriado nacional dedicado ao trabalhador – aquele que não vive das benesses do” Bolsa Isso ou Aquilo.”

Pois bem. Ontem – para mim, esse “ontem” foi 28, mas, para vocês leitores, o ontem é 30 – atingimos uma data marcante e importante que ficou mais importante ainda, depois de concluirmos uma volta ao túnel da vida e das realizações.  Ontem, 30 de abril, completamos 73 anos de vida.

Para quem algum dia se alimentou de cactus assado, manguste (que, na verdade, nada mais era que manga verde cozida), bebeu água de mucunã, ou foi obrigado a espetar beija-flor, mucura ou aruá para “encher a barriga” com alguma coisa, 73 anos é um marco.

A vida é uma dádiva divina. Ela pode chegar para você sem fazer alarde e você precisa ter sensibilidade para perceber. Ela não toca nenhum sino nem manda e-mail ou tira selfie.

Contar o que tenho (ainda!) gravado mentalmente levaria tempo e seria enfadonho para quem lê. Mas, não custa nada dizer que, um dia, comi o tal pão que o demo amassou. Como não me sinto capaz de julgar a mim, não sei se mereci. 73 anos é um prêmio de Deus, a quem há muito entreguei meu destino e o restante dos meus dias.

Sou feliz ao meu modo. Estou no segundo “casamento”. Fruto do primeiro, tenho duas filhas cariocas, mas crescidas e hoje adultas, que vivem em Fortaleza desde os anos 80. Anna Karina e Annya Karenina. A mãe, cearense, Marlene. Do segundo casamento tenho três filhos. Duas moças (uma Jornalista e uma Enfermeira) e um rapaz (Nutricionista). A mãe, maranhense, Assistente Social é Mestra e está concluindo o último ano do Doutorado.

Tudo que foi dito antes, tinha apenas uma intenção. Dizer que faria o que fosse possível para voltar 63 anos atrás e, ao lado da minha santa Avó Raimunda Buretama, sentar na latada para “pegar um vento” e comer um naco de pé de moleque com café torrado e pilado em casa. Uma maravilha!

Falando de flores – Lembrando Geraldo Vandré, e para não dizerem que não falei das flores, me nego peremptoriamente a desperdiçar este nobre espaço concedido pelo Papa Berto – falando de pústulas.

E é aí que, sem voltar 63 anos e sem sentar na latada da casa para comer pé de moleque, evoco minha falecida e santa Avó para dizer o que ela diria:

- Fii, quem dá valô à bosta – é um merda!

E generosa quando nasceu tanto quanto quando morreu, ela perguntaria:

- Qué mais um pedacim de bolo, xêro da vovó?!


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